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Jovens na agricultura: Alta produtividade é o resultado do fazer bem feito

Campeão do Rio Grande do Sul no concurso de produtividade do CESB na safra de 2014/2015, com o apoio da Prime Consultoria e atingindo o resultado de 107,11 scs/ha, o engenheiro-agrônomo e agricultor Gustavo Gomes, 29 anos, é responsável técnico pela lavoura da família, uma propriedade próxima à divisa entre os municípios de Coxilha e Passo Fundo/RS. 


A família Gomes começou com a agricultura no ano de 1953, quando o avô de Gustavo, Faustino Pelencio Gomes, começou plantando arroz na região de Quatro Irmãos, mais tarde passando a cultivar trigo no município de Sertão. 
Gustavo conta que no início sua ligação com as atividades de campo não era tão forte, mas com o término do curso de Agronomia ele se envolveu de forma mais consistente com a  atividade e com a propriedade da família.



Focada na produção de grãos a propriedade é conduzida com uso do plantio direto há cerca de 20 anos e as principais culturas no sistema de produção são trigo, milho, soja e cevada. Nos últimos dois anos o milho não entrou na rotação em função do preço e dos riscos climáticos. No entanto, segundo o que relata Gustavo Gomes, em anos anteriores, no verão, a lavoura teve entre 10 e 20% de milho no sistema. No inverno, nas áreas onde não é semeado o trigo ou a cevada é feita cobertura com aveia-preta, ou no caso de 2014, aveia e centeio. Gustavo considera que essa rotação de culturas não é a ideal, mas ele planeja estabelecer um sistema de rotação mais adequado a realidade das áreas em breve:  “o problema é que nem sempre é viável economicamente”, considera. 
Com a visão de aperfeiçoar resultados Gustavo Gomes adotou o uso da agricultura de precisão e faz a aplicação de calcário e fertilizantes à taxa variável. Segundo Gustavo, no início é um investimento alto, mas que se torna mais econômico na adubação de manutenção. “Fazer a adubação em toda a área utilizando 300 kg, por exemplo, sendo que em alguns locais o ideal é 500 kg e em outros apenas 100 kg, não é econômico principalmente se considerar o custo dos fertilizantes”.  Inicialmente Gomes fez a correção da fertilidade do solo com base no mapa de colheita e grid, mas optou por utilizar só o mapa de colheita nos anos seguintes em função do maior retorno em produtividade. 
Na lavoura conduzida por Gustavo predomina o Latossolo Vermelho Argiloso com alguns pontos com maior teor de areia. Em geral a quantidade de matéria orgânica do solo é baixa, a média varia de 2,5% a 3%. Segundo ele, a análise de solo da propriedade é feita anualmente com o objetivo de monitorar os níveis de nutrientes em função da aplicação de fertilizantes em taxa variável,  “acaba sendo uma economia, pois é aplicada a quantidade necessária, observando a característica do solo e com uniformidade”, explica. 
Inicialmente o solo apresentava teores altos de alumínio, mas o problema foi resolvido a partir do uso da calagem à taxa variável, há cerca de 4 anos. De acordo com Gomes, no total, ao longo dos quatro anos, foi aplicado cerca de 10 t/ha de calcário, tanto calcítico quanto dolomítico, além do gesso.
Segundo o Gustavo, a soja extrai mais cálcio que magnésio, e isso ocasionou um desequilíbrio, que foi constatado nas análises de solo. Em função disso foi utilizado o calcítico para retomar esse equilíbrio, além do gesso, que é condicionador de solo e é fonte de cálcio e de enxofre.
No momento a área está com o alumínio “zerado” até 20 cm de profundidade.  Tendo detectado talhões com compactação do solo, Gustavo busca a descompactação natural com a utilização de raízes das plantas e na semeadura não tem utilizado sulcador. 
Na área vencedora do concurso CESB, a cultivar utilizada foi BMX Ativa, no entanto são utilizadas outras cultivares para escalonar a floração e reduzir o risco climático. Segundo Gomes as principais cultivares utilizadas na propriedade são NA 5909, NS 6209, Ativa, Turbo e Alvo, plantado com espaçamento de 45 cm. Na semeadura é feita inoculação em cinco doses, usando um inoculador caseiro, sendo três doses de inoculante líquido e duas de turfoso. 


No geral, no histórico da propriedade não houve registro de grande incidência de pragas ou doenças.  Segundo Gomes isso se deve pela aplicação no momento adequado. “No caso das doenças, por exemplo, a ferrugem surge normalmente nas folhas de baixo, onde não se consegue atingir bem com a pulverização”. 
Na última safra foram feitas quatro aplicações de fungicida com inseticida, sendo uma aplicação de Fox, duas de Elatus e a última de Approach. No entanto, Gustavo diz que a ferrugem está ficando mais severa e que mesmo utilizando mais aplicações e misturas diferentes, o controle não está sendo tão eficaz, o que ocasionou, recentemente, perdas elevadas.
Em relação às plantas daninhas, no passado a área registrava ocorrência de buva, mas no momento, realizando duas dessecações antes do plantio e uma aplicação de glifosato na soja, a área está limpa. 

Atenção aos detalhes

A área vencedora do concurso na safra 2014/2015, abrange 2,6 hectares e fica dentro de um talhão de 111 hectares.  Gustavo conta que observou que área tinha picos de alta produtividade e por isso foi selecionada para a inscrição no concurso. A média do talhão inteiro (111/ha) ficou em 92 sc/ha e do talhão inscrito foi de 107,11 sc/ha,  a cultivar utilizada foi a BMX Ativa. Segundo Gustavo, o manejo foi o padrão já utilizado nas demais áreas da propriedade, foi feita a correção de solo e um aumento no nível de fósforo e potássio: “entrei na hora certa com as aplicações, o tempo colaborou e a germinação ficou uniforme”, conta.  Ela ressalta que no talhão vencedor não houve aplicação de micronutrientes.  No plantio foram utilizadas duas semeadoras da Kuhn, PDM PG 1000 e PDM PG 1200, e adubação com MAP na linha e cloreto de potássio a lanço.  A área do concurso foi colhida com uma John Deere 1450, com baixa velocidade e de forma caprichada, para evitar perdas. 



Segundo Gomes o custo de produção da área inscrita no concurso CESB foi semelhante ao resto da área. O custo maior foi a correção de solo que já estava sendo feita mesmo antes da inscrição no concurso. Gustavo foi enfático ao considerar que o clima foi fundamental no alcance do resultado. Além do fator clima, altas produtividades acontecem nos detalhes da implantação da lavoura, no talhão do concurso Gomes lembra que as plântulas emergiram de forma bem uniforme, o que ele acredita ter sido importante para o resultado positivo. Para ele o resto foi fazer o básico bem feito: teor de alumínio zero, equilíbrio entre cálcio e magnésio, adubação reforçada com fósforo e potássio, inoculação, aplicação de gesso que forneceu enxofre também, fazer um plantio uniforme e cuidar na colheita.  “No fim das contas, acho que foi uma coincidência. Toda a área havia sido preparada, todas as áreas tinham a princípio um potencial bom e aconteceu de ter a variedade certa com o clima certo”, considera Gustavo.

Artigo publicado na edição 154, dezembro de 2016. 

Este artigo está na versão completa.
 
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