O milagre da palha


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Publicado em: 01/10/1990

A palha e as novas resteas — resíduos das culturas anteriores — sempre desprezados, porque não dizer o estorvo que deveria desocupar a área o quanto antes para que se conseguisse o preparo do solo mais rápido possível e com o menor número de operações (arações, gradagens, escarificações) e na dependência de uma boa incorporação dos herbicidas, está hoje com as honras da casa e recebendo homenagens.

Por consenso estão suspensas as agressões via fogo, ou ferro, e todos concordam que afinal não deveria ser tão desprezada a presença da palha. É a consagração indiscutível das virtudes que nos oferece a palha, fazendo com que se chame de Plantio na Palha o antes conhecido como Plantio Direto, por ser o agricultor planejado, responsável pelo aperfeiçoamento desse sistema de produção de grãos.

Razões? Existem muitas, senão vejamos:

Na proteção do solo eliminando a erosão.

Na permanência da água que deixou de promover a erosão e tornar-se adubo.

Na cobertura verde, seca ou morta que diminui o número de ervas por metro quadrado e aumentou a fertilidade e produtividade por hectare.

Na realidade, são tantos os fatores que, somados, confirmam o Plantio na Palha como excelente aplicação que tem oferecido extraordinários retornos aos que nele investirem.

Confiamos na continuidade do programa iniciado nos Campos Gerais do Paraná, há mais de 15 anos, apoiado pela capacidade de trabalho de seus agricultores, pesquisadores, agrônomos, técnicos agrícolas, administradores e operadores, que com tanto entusiasmo o têm conduzido.

O plantador na palha está fazendo a sua parte mesmo enfrentando situações adversas quanto ao clima, mercado, política agrícola. Contudo, a palha é a fórmula mais eficiente para conseguir as mais altas produtividades, aliando seus interesses com o trabalho da natureza.

Manoel Henrique Pereira (Nonô) — Agropecuarista, pioneiro do plantio direto nos Campos Gerais do Paraná