Agricultores e camponeses, que por mandato supremo trabalham seu solo, devem compreender que existem na agricultura regras básicas, para que ambos possam sobreviver. Os solos têm uma capacidade quase ilimitada de produção, se esta se fundamenta num manejo agro-ecológico.
Os danos que sofrem os solos por erosão, sedimentação, compactação, acidificação, alcalinização e contaminação estão nos levando a uma verdadeira desertificação do recurso mais importante que o homem dispõem.
Desde o mais modesto camponês até o melhor dos especialistas em agronomia, devem compreender que as relações com nosso solo estão brutalmente alteradas: o primeiro atua sobre seu meio intuitivamente porque tem escasso acesso a uma melhor tecnologia agronômica, e o segundo busca a produtividade sem cuidar dos fatores fundamentais que permitam ao solo um uso sustentável no decorrer do tempo.
O desafio que nos impõem a agricultura e suas exigências na década presente, para enfrentarmos responsavelmente o século 21, deverá fazer-nos refletir sobre os erros cometidos e extrair, como conclusão verdadeira, que o solo não é um composto mineral inerte. Muito pelo contrário, nele habitam inumeráveis colônias biológicas indispensáveis para o solo, o homem e sua sobrevivência.
O uso massivo de plantio direto, em substituição às clássicas ferramentas de cultivo, tenderá a eliminar a erosão, melhorar os equilíbrios entre solo, planta e água, elevar os níveis de matéria orgânica, da micro e da meso fauna do solo, aumentar a produção e permitir que esta seja permanente e sustentável no longo tempo.
Carlos Crovetto — Presidente da Sociedade Chilena de Conservação dos Solos