Retrospectivamente, 1990 foi de intensa movimentação e de questionamento em torno do plantio direto. Mas o saldo foi de reafirmação dessa prática como alternativa viável para se produzir bem e preservando o solo da degradação.
Um ponto preocupante relaciona-se com o cancro da soja e o tamanduá-da-soja, cuja incidência, neste ano, abalaram o sono dos agricultores, levando alguns a desistirem do plantio direto. Mas é fundamental que se diga que os usuários mais antigos não mudaram suas convicções, acreditando que em breve a pesquisa dará solução para essa doença e essa praga. E alguns que desistiram já revisam suas posições.
A primavera foi marcada por um dos mais intensos períodos de chuvas dos últimos tempos. Temporais caíram quase diariamente, alternados com insolação, criando condições adversas para as culturas de inverno em pré-colheita e dificultando a instalação da lavoura de verão.
Mas o drama maior foi reservado para aqueles agricultores que prepararam suas terras na forma tradicional, com arações e gradagens. Grandes desastres ocorreram nas lavouras do Sul do Brasil nesses dias de calor e chuva. O Sul está mais pobre, não há como negar. Dia após dia o quadro aconteceu diante de nossos olhos: milhões de toneladas de terras férteis, fertilizantes, herbicidas, sementes e outros insumos foram e continuam sendo levados para as baixadas, córregos, rios e lagos.
Entre chuvas, pragas e doenças, sem esquecer a crise econômica inibidora dos novos investimentos, foi muito grande o número de encontros, seminários, jornadas — particularmente no Paraná e Rio Grande do Sul — reunindo agricultores, pesquisadores, empresas e autoridades, para discussões e troca de experiências sobre o plantio direto.
Trata-se de uma fermentação positiva que ganhou expressão também em termos internacionais e que colocaram frente a frente produtores e especialistas dos Estados Unidos, Canadá, México, Argentina, Brasil e Uruguai, discutindo tudo — rotação de culturas a máquinas — que se relaciona à expansão e ao aperfeiçoamento do plantio direto (ou plantio na palha, ou lavração zero).
Foi um ano em que cresceu o número de organismos como os Clubes dos Amigos da Terra e proliferaram sugestões para criação de entidades que possam atuar de forma mais ampla na discussão e divulgação desse sistema conservacionista de cultivar nosso patrimônio maior: o solo. Entre as sugestões estão uma Federação no Rio Grande do Sul, uma Associação Sul-Brasileira e uma entidade Latino-Americana. Muitas instituições e empresas também desenvolveram esforços apostando no plantio direto como uma saída de altos rendimentos e de preservação ambiental.
Nesse quadro, nós da Aldeia-Sul ficamos satisfeitos, além disso tudo, pela repercussão do Jornal do Plantio Direto, empreendimento que encontrou eco entre todos e que pretendemos aperfeiçoar a partir de 1991.
Editora Aldeia-Sul