A distribuição longitudinal de sementes no sulco de semeadura possui uma influência direta sobre o rendimento da cultura, seja pela competitividade entre plantas por água, nutrientes, luz ou por espaço vital. Estudos realizados mostram que a falta de uniformidade entre plantas pode determinar perdas de 15% ou mais na cultura de milho; 35% ou mais na de girassol; e 10% ou mais na de soja.
Os erros na distribuição longitudinal de sementes na linha de semeadura são oriundos de dois tipos: o primeiro, resultante da captura múltipla ou nula de sementes pelo elemento dosador; o segundo, resultante de variações na trajetória das sementes desde sua liberação do dosador até atingir o solo e pelo rolamento e/ou saltitamento da semente após seu impacto com solo.
A semente alojada no oríficio dosador é liberada do mesmo com uma velocidade igual ao elemento dosador, sendo que esta velocidade pode somar-se à velocidade de avanço da máquina ou subtrair-se da mesma, segundo o sentido de movimento do dosador. Assim, no caso destes movimentos serem opostos e de mesmo módulo, as forças, teoricamente, tendem a anular-se, fornecendo uma velocidade à semente igual a zero, em relação ao solo, permitindo que a mesma atinja o solo no ponto desejado, sem rolamento e ou saltitamentos. Pesquisas revelaram que as velocidades altas dos dosadores produzem um grande número de capturas nulas de sementes pelos oríficios dos discos dosadores. DELAFOSSE (1986) recomenda para determinadas espécies de sementes e tipos dosadores o emprego de velocidades periféricas máximas entre 0,29 e 0,315 m/s para se ter uma boa precisão de dosagem.
Em quase todos os sistemas de semeaduras conhecidos a qualidade da semeadura diminui quando se aumenta a velocidade de trabalho; isto devido a diversas razões de origem físico-mecânicas como as características dos sistemas dosadores, sulcadores, grau de preparação do terreno e tipo de semente, entre outros; as velocidades de operação recomendadas no plantio devem estar no intervalo entre 5 a 8 km/h de acordo com fatores citados anteriormente.
O uso de sementes classificadas quanto a dimensão beneficia uma boa precisão de dosagem e uma uniforme distribuição longitudinal de sementes. Em relação às dimensões ideais dos oríficios dosadores, a pesquisa afirma que o diâmetro dos oríficios deve ser 10% maior que a máxima dimensão de sementes empregadas e a espessura igual à média das espessuras das mesmas.
O transporte das sementes, desde o ponto de liberação do dosador até o sulco de semeadura, deve ser de maneira que as distâncias entre sementes efetuadas pelo mecanismo dosador sejam mantidos. Entretanto, as semeadoras geralmente são dotadas de tubos condutores para realizarem o transporte das mesmas, sendo que a interação semente-tubo condutor acaba afetando a uniformidade de distribuição longitudinal por originar muitas variações na trajetória de queda das sementes.
Pesquisas mostraram que empregando um tubo condutor que transportava a semente em sua trajetória normal de queda, ou seja, em uma trajetória semelhante a uma parábola, obteve-se uma distribuição longitudinal de sementes uniforme.
O deslocamento da semente ao atingir o solo e a sua velocidade de impacto são fatores importantes que devem ser considerados em uma uniforme distribuição longitudinal de sementes; sendo que os fatores acima estão relacionados com a energia cinética da semente, que é dependente da altura de queda da mesma. Assim, tendo-se a menor altura de queda de semente possível, ter-se-á uma mínima velocidade de impacto, favorecendo uma uniforme distribuição longitudinal de sementes. Para uma dada altura de queda das sementes, ter-se-á uma mínima velocidade de impacto da semente, quando a velocidade periférica do dosador for de mesmo módulo e de sentido oposto à velocidade de avanço da plantadeira.
Olavo Gazzola — Engenheiro Agrícola, Divisão de Pesquisa e Desenvolvimento da SEMEATO S/A