Na região que tem como centro geográfico o município de Posse na Bahia, a 70 km de Brasília, o uso do sistema plantio direto será incrementado significativamente na safra 91/92, em função dos bons resultados obtidos por alguns produtores isolados. A afirmação é do Engenheiro Agrônomo Luís Roberto Tramontini, um dos diretores técnicos da Agropecuária Tramontini Ltda., que planta 3.000 ha de soja e milho naquele município baiano e 1.300 ha das mesmas culturas na Granja Rosa Maria, em Lagoa Vermelha, no Rio Grande do Sul.
“Os resultados obtidos na Fazenda Cambará, em Correntina — BA, entusiasmaram os administradores de outras fazendas vizinhas”, afirma Tramontini. Na safra 90/91 a Cambará colheu 450 kg/ha a mais de soja, em relação ao convencional, numa área de 50 ha em que o sistema era usado pelo 2º ano. “Na área maior de plantio direto de primeiro ano, cerca de 800 ha, colhemos 3.000 kg/ha, uma produtividade igual ao convencional, o que já é um sinal positivo”, prossegue Tramontini.
Apesar das perspectivas atuais e futuras do plantio direto naquela região, o sistema ficou de bandido na história. Isso aconteceu há quatro safras atrás quando circunstâncias de clima e extrema compactação desfavoreceram uma experiência de PD que estava sendo conduzida. “Naquela ocasião”, afirma o engenheiro agrônomo, “tivemos um retrocesso porque o relativo fracasso na colheita atrasou o processo e somente há duas safras atrás é que retomamos as experiências que conduziram ao atual estágio.”
Na safra 89/90, mais por insistência do Engº Agrº Tramontini, que ajudava a conduzir as lavouras de Lagoa Vermelha — RS, foram semeados 50 ha de plantio direto, numa área total de 100 ha. Aí, os resultados foram visíveis. A forte seca que durou 32 dias causou morte de plantas, baixando o stand no plantio convencional, ao passo que no direto praticamente houve uma germinação e desenvolvimento inicial normal, sem perda de stand. Nessa mesma área de 50 ha, na safra 90/91, tiveram uma produtividade de 450 kg/ha a mais do que no convencional.
Ao todo, em 90/91 a Cambará plantou 1.500 ha de soja, sendo 700 ha no convencional e 800 ha no direto, sendo que a produtividade em ambos os sistemas foi de 3.000 kg/ha, o que significa uma vantagem para o plantio direto, para o qual se alocou menos recursos energéticos. E não há dúvida que o sistema se aperfeiçoa com o decorrer do tempo.
A importância do milho
Seguindo a mesma orientação da Granja Rosa Maria, em Lagoa Vermelha — RS, onde cerca de 1/3 dos 1.300 ha semeados no verão são cultivados com milho em rotação, a cultura do milho está incorporada ao programa da Fazenda Cambará, num crescendo de área que remonta às primeiras safras, há 5 anos atrás. Na última safra 90/91, foram plantados 400 ha, com uma produtividade alcançada em torno de 6.500 kg/ha.
“Esse é um patamar que poderá ser superado tranquilamente”, prossegue Tramontini. “Já temos conhecimentos sobre o desenvolvimento da cultura naquela região que nos permite afirmar isso. Nesta safra passada, por exemplo, tínhamos um potencial acima de 8.000 kg/ha, apontado pelas primeiras colheitas. Mas a colheita com um grau menor de umidade fez baixar a média.”
Para Tramontini, a cultura do milho é de fundamental importância para a rotação e o plantio direto. No Rio Grande do Sul ele já comprovou os resultados, não só na questão de fertilidade e doenças como também na questão controle de pragas. O plantio de milho, principalmente nesta safra, praticamente eliminou o ataque do tamanduá-da-soja (Sternechus), que pode inviabilizar o plantio da leguminosa.
Os benefícios do milho na lavoura são inúmeros, desde a reciclagem ao controle de pragas e doenças e a deposição de uma grande quantidade de palha que serve de proteção e aumenta o nível da matéria orgânica com o passar dos anos, conclui Tramontini. Para 91/92 a Fazenda Cambará programou 1.000 ha de plantio direto, ou cerca de 1/3 da área total programada para o verão.
Em relação às doenças, embora pouco constante na região de Barreiras, é possível detectar o aparecimento de doenças fúngicas. No ano passado, embora a condição clímica da safra anterior não tenha deixado evidências, foi visível a presença de sintomas em diversas variedades de soja plantadas. Por isso, segundo a pesquisa, é importante uma rotação de culturas, principalmente com milho, que quebra o ciclo de patógenos.
Luís Roberto Tramontini — Engenheiro Agrônomo, Diretor Técnico da Agropecuária Tramontini Ltda. (Fazenda Cambará, Correntina-BA / Granja Rosa Maria, Lagoa Vermelha-RS)