Este trabalho foi feito com o fim de fornecer algumas informações sobre a biologia, os danos, os inimigos naturais e o controle de algumas espécies de insetos que podem atacar a cultura do milho desde o início da germinação até quando as plantas atingem aproximadamente 50 cm de altura.
As informações aqui contidas foram geradas de resultados de pesquisas desenvolvidas pela FUNDACEP-FECOTRIGO, na região de Cruz Alta, RS, e através de revisão bibliográfica.
Outros insetos pragas, especialmente aqueles que atacam o milho com mais de 50 cm de altura, não foram mencionados, uma vez que estes não têm afetado a produtividade das lavouras da região.
Biologia e Danos
Mosca da Semente, Delia platura (Dip., Anthomyiidae)
Os adultos são semelhantes à mosca doméstica, de coloração pardo-acinzentada, com aproximadamente 8 mm de comprimento e 5 mm de envergadura. O macho apresenta abdômen pequeno comparado ao tamanho das asas. A fêmea realiza a postura no solo, nas proximidades de sementes ou plântulas em início de decomposição.
As populações de adultos são maiores na primavera, com tempo fresco e úmido, as quais tendem a invadir áreas fertilizadas com grandes quantidades de esterco, elevados teores de matéria orgânica, solos úmidos (períodos de chuvas intensas). Nestas condições, atrasos na germinação pela semeadura muito profunda, pelo baixo vigor das sementes, pela baixa temperatura do solo e pelo encrostamento da camada superficial de solos compactados provocam a decomposição de sementes e plântulas e, como consequência, o desenvolvimento de microorganismos necrotóficos que produzem odor característico, servindo de atração para as fêmeas fazerem postura e suas larvas se alimentarem deste material em decomposição.
Os principais indícios de que as sementes ou plântulas foram danificadas pelo inseto são os espaços sem plantas e plantas debilitadas. A morte de plântulas é observada na fase de germinação até alguns dias após a emergência. As larvas são localizadas, removendo-se a parte subterrânea das plântulas murchas e amareladas e observando-se o tecido morto e os locais mais úmidos.
Larva Angorá, Astylus variegatus (Col., Dasytidae)
Os adultos têm o corpo alongado, com 8 mm de comprimento. A coloração geral é pardo-escura e preta, com élitros amarelos e cinco manchas pretas de cada lado. As populações de adultos são encontradas nos meses de janeiro a fevereiro sobre as flores do girassol, soja e plantas de jardins, alimentando-se de néctar e pólen. As fêmeas fazem a postura no solo, em rachaduras ou cavidades sob restos culturais.
Apenas as larvas desta espécie causam danos. Elas preferem se alimentar das sementes, cavando um orifício onde se alojam impedindo a emergência ou causando a morte da plântula na fase de emergência. Portanto, o período crítico da cultura de milho a este inseto é da semeadura à emergência de plântulas.
Capitão ou Pão-de-Galinha, Diloboderus abderus (Col., Scarabaeidae)
Os adultos aparecem caminhando sobre a superfície do solo nos primeiros dias de janeiro até os primeiros dias de abril, sendo a maior incidência detectada durante o mês de fevereiro. Os adultos apresentam coloração pardo-escura a preta e dimorfismo sexual elevado, com o macho possuindo prominência larga, fina e curvada para trás na cabeça, e mais curta, bifurcada e curvada para frente no protórax, não voa e mede de 25 a 30 mm, enquanto que a fêmea não apresenta estas prominências, voa e mede de 20 a 25 mm.
A emergência de adultos começa a ocorrer na metade de novembro, permanecendo enterrados na câmara pupal por um certo período antes de sair à superfície. O ciclo biológico se completa em um ano e três meses. As larvas se distribuem em manchas, onde ano após ano invadem maior área, generalizando-se por toda a lavoura. As larvas alimentam-se de sementes e da parte subterrânea das plantas a partir de junho/julho até meados de outubro, podendo também introduzir na galeria a planta da qual está se alimentando. A magnitude dos danos deste inseto é referida exclusivamente à população local, que pode ser conhecida antes da semeadura. Assim, a semeadura de milho no cedo em áreas infestadas com mais de 4 larvas/m² apresenta um risco elevado e, portanto, tal situação deve ser prevista.
Larva Alfinete, Diabrotica speciosa (Col., Chrysomelidae)
Os adultos são de coloração geral verde, com três manchas amarelas em cada élitro e cabeça avermelhada, medindo ao redor de 6 mm de comprimento. Podem durar algumas semanas. As fêmeas penetram no solo para fazerem a postura de forma aglomerada nas proximidades das partes subterrâneas das plantas.
As larvas causam os danos mais significativos. Ataques logo após a germinação das plântulas resultam em secamento das folhas centrais e até a morte das plântulas pelo bloqueamento do colmo e raízes. Em plantas mais desenvolvidas há a perfuração das raízes e colmos, podendo resultar em menor sistema radicular com reflexos no desenvolvimento normal da parte aérea. Em lavouras infestadas pela praga, algumas plantas de milho tombadas chegam a emitir raízes adventícias nos nós, os quais crescem e desenvolvem colmos curvados chamados de “pescoço de ganso”. Os adultos também podem causar danos quando atacam os estigmas antes da fecundação, impedindo a formação normal de grãos nas espigas. Lavouras de milho semeadas no final de novembro e início de dezembro, principalmente sob resteva de ervilhaca, têm sofrido severos ataques deste inseto.
Broca do Colo, Elasmopalpus lignosellus (Lep., Pyralidae)
O adulto mede 20 mm de envergadura, apresentando coloração parda com manchas cinzas e deslocando-se em vôos rápidos e curtos. Sua coloração muitas vezes traz confundimento com restos culturais quando estão pousados no solo. A fêmea faz postura nas folhas, bainhas e hastes das plantas ou no próprio solo nas proximidades do hospedeiro, onde ocorre a eclosão das lagartas. As lagartas que eclodiram de ovos colocados nas plantas, inicialmente alimentam-se das folhas, descendo logo em seguida para o solo onde penetram na planta na altura do colo, através de um orifício de entrada e fazendo aí uma galeria ascendente no interior da planta, que pode destruir o ponto de crescimento da mesma. Por isto, é comum notar-se o seccionamento das folhas centrais que, em consequência, secam e dão origem ao sintoma de “coração morto”.
Muitas vezes também aparecem perfurações paralelas nas folhas em razão do ataque ter ocorrido quando as folhas externas ainda estavam enroladas. Geralmente, na entrada da galeria é observado um abrigo formado por restos vegetais, fezes e solo ligados entre si por fios de seda secretados pela própria lagarta onde a mesma se refugia quando está em repouso. As lagartas se caracterizam por serem muito ativas e saltarem com facilidade quando tocadas. A proliferação do inseto é aumentada em períodos de estiagem, baixa umidade no solo e solos arenosos, sendo as plantas novas mais sensíveis ao seu ataque.
Lagarta Rosca, Agrotis spp. (Lep., Noctuidae)
Os adultos medem de 30 a 50 mm de envergadura e apresentam coloração geral pardo-escura a marrom, com desenhos de tonalidades escuras com áreas claras nas asas anteriores e coloração clara com bordas escuras nas asas posteriores. As posturas são feitas na parte aérea das plantas hospedeiras ou em rachaduras no solo próximas a estas plantas.
De modo geral, a planta de milho só é atacada por esta praga até atingir 50 cm de altura. As plantas atacadas apresentam o colmo seccionado na região do coleto e os sintomas mais comuns são: inicialmente as lagartas provocam seccionamento parcial do colmo, notando-se manchas similares às causadas por deficiências minerais e, posteriormente, quando a lesão é maior, aparece o chamado “coração morto”, com a morte da planta. Podem também provocar perfilhamento, quando surge uma touceira totalmente improdutiva. As lagartas podem ainda consumir sementes e cortar as plântulas rente ao solo, sendo que apenas uma lagarta pode destruir 6 plântulas. Elas abrigam-se no solo ao redor das plantas atacadas, numa faixa lateral de 16 cm e numa profundidade de 7 cm. A lagarta rosca alimenta-se externamente, sem penetrar na planta.
Lagartas do Trigo, Pseudaletia adultera e P. sequax (Lep., Noctuidae)
Os adultos são diferenciados pelas asas anteriores, onde P. adultera evidencia um pequeno ponto branco no centro, com coloração geral pardo-acinzentado, e P. sequax mostra duas manchas amarelo-palha de coloração geral amarelo-palha. Medem 25 mm de comprimento e 30 a 40 mm de envergadura e vivem cerca de 2 semanas. As fêmeas fazem a postura nas folhas das plantas hospedeiras, encontrando-se mais de 200 ovos dispostos em fileiras.
Este inseto deve receber especial atenção em lavouras de milho implantadas sobre os restos culturais da aveia rolada ou dessecada. As lagartas ocorrem de maneira generalizada na aveia sem fins comerciais e, por isto, não são tratadas, sendo que muitas vezes por serem pouco numerosas ou por serem pequenas ou por terem apenas ovos sobre as plantas de aveia, as infestações passam despercebidas no momento da dessecação ou rolagem. Assim, elas permanecem na área abrigadas sob a cobertura vegetal e alimentando-se de partes verdes remanescentes, podendo atacar o milho recém emergido pelo consumo da área foliar ou pelo corte de plântulas ao nível do solo, reduzindo a densidade das mesmas por unidade de área, o que em muitos casos pode forçar um re-plantio.
Lagarta Militar ou do Cartucho, Spodoptera frugiperda (Lep., Noctuidae)
O adulto apresenta coloração pardo-escura nas asas anteriores e branco-acinzentada nas asas posteriores, medindo 30 a 40 mm de envergadura. A fêmea realiza a postura em massas, com uma média de 150 ovos por massa, sobre as folhas. O período de incubação dos ovos é de aproximadamente 3 dias. Logo após a eclosão, as lagartas alimentam-se da própria casca do ovo, entrando em repouso por umas 10 horas após esta primeira alimentação. Ao encontrarem hospedeiro adequado elas começam a consumir tecidos verdes, iniciando pelas áreas mais suculentas e deixando apenas a epiderme membranosa, o que provoca o sintoma conhecido como “folha raspada”. Isto é uma característica desta praga e uma indicação segura do inseto na área, já que nenhum outro inseto tem hábito semelhante a este. À medida que as lagartas crescem começam a aparecer orifícios nas folhas, podendo causar severos danos nas plantas mais jovens, com menos de 50 cm de altura, ou até levá-las à morte, reduzindo a densidade de plantas por área. A presença de lagartas no interior do cartucho é sinalizada pela quantidade de excrementos ainda frescos encontrados no interior da planta.
Controle Cultural
Consiste no emprego de certas práticas com base em conhecimentos ecológicos e biológicos das pragas. Assim, pode-se citar algumas:
a) Rotação de Culturas — é o plantio alternado de plantas que não sejam hospedeiras das mesmas pragas, com o fim de reduzir suas populações, como por exemplo: 1) substituir a aveia para fins de cobertura vegetal antecedendo o plantio de milho, porque a aveia tem um ótimo vigor vegetativo e frequentemente as plantas ficam acamadas após chuvas em setembro e outubro, o que a torna preferida pelos adultos das lagartas do trigo, militar ou do cartucho e rosca para realizar suas posturas e, assim, evita-se o ataque desses insetos às plantas de milho semeadas sobre os restos culturais da aveia rolada ou dessecada; 2) substituir o trigo antes do plantio do milho pelos mesmos motivos do item anterior; 3) evitar o plantio de milho em áreas onde foi soja no verão anterior, especialmente em áreas infestadas por coró ou pão-de-galinha, pois as fêmeas adultas desta praga preferem fazer postura nesta situação.
b) Aração do Solo — para a destruição de larvas e pupas que no solo permanecem, podendo ser empregada, por exemplo, para a destruição de fases de lagartas do trigo, militar ou cartucho, rosca, larvas angorá e capitão ou pão-de-galinha, o que corta o ciclo biológico das pragas, podendo diminuir os indivíduos na próxima geração. Porém, esse efeito pode ser anulado para algumas pragas como as lagartas do trigo, militar ou cartucho, rosca e larva angorá, cujos adultos migram de um local para outro.
c) Época de Plantio — para algumas pragas, às vezes, uma simples antecipação ou atraso no plantio causa uma diminuição considerável no ataque. Por exemplo, evitar plantios antes de 15 de setembro para capitão ou pão-de-galinha, pois suas larvas estão muito ativas até esta data. Outro exemplo é a redução no ataque da Mosca da semente ao milho semeado após 30 de setembro. Normalmente, após esta data, a umidade e temperatura do solo são mais altas, gerando um equilíbrio que permite a velocidade de emergência mais rápida. Assim, não há decomposição de sementes e plântulas e, em consequência, não há o desenvolvimento de microorganismos necrotóficos, que são condições básicas para o desenvolvimento e multiplicação desta praga. Evitar também plantios após 15 de novembro para broca do colo e lagarta militar ou cartucho, porque normalmente o mês de dezembro apresenta falhas na distribuição de chuvas, favorecendo o aparecimento dessas duas pragas no período de maior suscetibilidade das plantas de milho, os primeiros 30 dias, e, ainda, para larva alfinete, especialmente quando o milho é semeado sobre restos culturais de ervilhaca, onde os adultos da praga se desenvolvem deixando ovos e larvas no solo.
d) Cultura no Limpo — a presença de invasoras dentro ou nas proximidades da cultura pode favorecer a infestação de algumas pragas por servir de abrigo para os adultos das mesmas, de hospedeiras e pela oviposição dos adultos em solos com resíduos de inços. Certos exemplos claros desta influência foram notados com a língua de vaca como hospedeira alternativa da lagarta rosca, com azevém e aveia para larva de alfinete e com milhã e papuã para lagartas do trigo e lagarta militar ou do cartucho.
e) Solo Fértil — uma cultura instalada sobre o solo estruturado, descompactado, com níveis de matéria orgânica compatíveis para esta cultura, adubado, etc., resultará em plantas equilibradas nutricionalmente, apresentando maior resistência ao ataque de pragas.
Controle Biológico
É o controle de pragas por meio de inimigos naturais, os quais usam os insetos pragas para completar o seu ciclo biológico, potencial biótico e podendo manter seus níveis populacionais em equilíbrio. A eficiência dos inimigos naturais depende das condições ambientais, mobilidade, da localização das presas ou hospedeiros, da proliferação, da especificidade, da discriminação e da sobrevivência nos períodos de ausência da praga. Os inimigos naturais são agrupados de acordo com o seu relacionamento com as pragas em:
a) Parasitos — estes se caracterizam por viver e se alimentar de uma ou poucas espécies de pragas e causar-lhes a morte, sendo classificados em endo (dentro) ou ectoparasitos (sobre o corpo do hospedeiro). Neste grupo, pode-se encontrar na literatura uma série de moscas parasitas da família dos taquinídeos, da ordem Díptera, atacando o pão-de-galinha ou capitão, a larva alfinete, a broca do colo, as lagartas do trigo e a lagarta militar ou do cartucho. As fêmeas colocam os ovos sobre o corpo da praga atacada, cuja larva após a eclosão penetra no corpo do hospedeiro onde se desenvolve e, alguns dias depois, ocorre a morte do inseto praga. A fase de pupa do inimigo natural é passada no solo ou dentro do hospedeiro morto.
Várias espécies de braconídios, da ordem Hymenoptera, são citados sobre larva alfinete, broca do colo, lagartas do trigo e lagarta militar ou cartucho. O ovipositor é longo e emerge do corpo do hospedeiro onde vivem as larvas. A fase de pupa é passada em casulos tecidos juntos sobre o corpo do hospedeiro morto.
Os icneumonídeos são mencionados atacando a broca do colo, as lagartas do trigo e a lagarta militar ou cartucho. Seus adultos apresentam coloração e tamanho muito variados, diferenciando-se dos braconídios por apresentarem abdômen pedunculado e asas anteriores com duas nervuras recorrentes, e a segunda célula marginal, no geral, de tamanho pequeno. As fêmeas fazem a postura no interior do corpo do hospedeiro, onde as larvas, quase sempre, passam à fase de pupa.
Além das famílias já citadas, existem espécies do gênero Euplectrus (Hym., Eulophidae) que são ectoparasitos das lagartas do trigo e lagarta militar ou cartucho. As fêmeas adultas deste inimigo natural realizam a postura sobre o corpo do hospedeiro, onde as larvas se desenvolvem. A pupa é protegida por casulo, sendo esta fase passada sob o esqueleto da lagarta morta. Nematóides da família Mermithidae são encontrados parasitando larvas do capitão ou pão-de-galinha e adultos da larva alfinete.
b) Doenças — As doenças provocadas por bactérias, fungos e vírus são organismos microscópicos que vivem e se multiplicam no corpo dos insetos pragas, causando-lhe desequilíbrio fisiológico e, em consequência, a sua morte. No caso das bactérias, a incidência natural depende de umidade relativa elevada ou água livre para causar epizootias. Nestas situações, o agente causador da doença penetra no inseto praga através do aparelho bucal, respiratório ou ferimentos no corpo. O hospedeiro morto apresenta o corpo com aspecto líquido, normalmente de coloração esbranquiçada.
Já os fungos apresentam uma estrutura vegetativa denominada de micélio, que tem origem na germinação e proliferação de uma célula reprodutiva ou esporo. A penetração no inseto dos propágulos dos fungos dá-se pelo tegumento. As epizootias causadas pelos fungos são dependentes de condições climáticas favoráveis (elevada umidade e temperatura adequada). Os insetos infectados perdem mobilidade e coloração, apresentando o corpo rígido e quebradiço e, às vezes, coberto de micélio e esporos.
Com relação a doenças provocadas em insetos por vírus, recentemente foi constatada uma de natureza viral na lagarta militar ou do cartucho, identificada como vírus de poliedrose nuclear (VPN). Também são citados vírus atacando lagartas do gênero Pseudaletia, lagartas do trigo. Os vírus interferem no metabolismo dos insetos pragas atacados, causando-lhes disfunção fisiológica. De um modo geral, apresentam uma camada externa proteica, que tem a finalidade de protegê-los. Eles são intracelulares e caracterizam-se por apresentarem especificidade e nenhum efeito sobre o meio ambiente. Os vírus penetram no inseto hospedeiro pelo sistema digestivo, disseminando suas partículas por todo o corpo. A grande maioria das viroses de insetos provocam perda de coloração, mobilidade e alimentação, apresentando um líquido dentro dos corpos dos insetos contaminados. Trabalhos estão em andamento para verificar a sua eficiência em condições de campo e estudar formulações que possam ser usadas pelos agricultores.
c) Predadores — Os predadores se caracterizam por consumir parcial ou totalmente suas presas e, geralmente, atacam mais de uma espécie ou grupo de presas, podendo, ainda, apresentar canibalismo. São classificados em mastigadores e sugadores. Os predadores mais comuns nas pragas de milho são: Calosoma retusum, C. granulatum, Lebia concinna, Eriopis connexa, Cycloneda sanguinea, Doru lineare, Orius spp., Nabis sp. e Podisus sp. Além desses insetos, são encontrados aves e outros animais silvestres atacando as pragas das plantas de milho.
O controle biológico natural existente sobre as pragas que atacam o milho deve ser preservado, evitando a aplicação desnecessária de agroquímicos, mantendo áreas de refúgio, utilizando restos culturais na superfície do solo e diversificando a propriedade, ações estas que favorecem o aumento dessas espécies de agentes de controle natural.
Controle Químico
O controle químico é realizado com a utilização de inseticidas aplicados direta ou indiretamente sobre os insetos, em concentrações adequadas, provocando a sua morte ou a proteção de sementes, plântulas e sistema radicular ao seu ataque. No caso do milho, que é uma cultura com baixa população de plantas por área, os cuidados com insetos nos primeiros trinta dias da semeadura é fundamental. A seguir, algumas indicações de necessidade ou não de um tratamento de controle:
a) Primeira — antes de rolar ou dessecar a aveia, observar a presença de lagartas (do trigo, rosca e militar ou cartucho). Se for encontrada mais de uma lagarta (com mais de 1,5 cm) em 3 m², fazer o tratamento com os inseticidas clorpirifós a 480 g i.a./ha, monocrotofós a 400 g i.a./ha e permetrina a 25 g i.a./ha. Qualquer um destes inseticidas pode ser usado em mistura de tanque com os herbicidas dessecantes por ocasião do manejo da aveia.
b) Segunda — após o manejo da aveia (rolada ou dessecada), observar a inicidência de lagartas (do trigo, rosca e militar ou cartucho) alimentando-se de partes verdes remanescentes ou abrigadas sob a cobertura vegetal. Se for encontrada mais de uma lagarta (com mais de 1,5 cm) em 3 m², fazer o tratamento com os mesmos inseticidas e doses descritos na primeira indicação, em aplicações de pré-semeadura ou pré-emergência ou pós-emergência da cultura do milho.
c) Terceira — controlar as pragas que danificam sementes, plântulas, sistema radicular e folhas ou, ainda, cortam plântulas, preventivamente por meio do tratamento de sementes com inseticidas sistêmicos. Esta técnica tem sido eficaz, conseguindo segurar o ataque das pragas desde o início da germinação, o que permite uma população de plantas de milho dentro do desejável. Para esta finalidade, pode-se empregar os inseticidas tiodicarbe ou carbofuram, ambos a 700 g i.a./100 kg de sementes.
Mauro Tadeu Braga da Silva — Engenheiro Agrônomo, Pesquisador da FUNDACEP-FECOTRIGO, Cruz Alta-RS