Cerro do Tigre — marca do pioneirismo


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Publicado em: 30/08/1991

O grande responsável pelo desenvolvimento do plantio direto em arroz foi uma praga que estava inviabilizando a lavoura há cerca de 10 anos atrás: o arroz vermelho. Isso é o que se depreende da entrevista feita ao Jornal do Plantio Direto pelo Engenheiro Agrônomo Ivo Mello, da Fazenda Cerro do Tigre, onde começou o cultivo mínimo, por volta de 1980.

Ivo Mello foi um dos participantes do Seminário de Gramado, onde atuou na organização e como um dos painelistas. Segundo ele, “quando se programou a 1ª lavoura de plantio direto com cultivo mínimo, há 10 anos atrás, havia um problema que persiste até hoje nas áreas de arroz: o arroz vermelho. Mas, a partir dessa idéia de cultivar a terra com antecedência e, na hora de semear, aplicar o dessecante sobre as ervas invasoras que emergiram antes da semeadura do arroz, conseguimos o marco principal dessa tecnologia: resgatar o uso de uma terra que não apresentava mais viabilidade, por causa do arroz vermelho”.

Clube do Plantio Direto

O sistema foi se aperfeiçoando, com a colaboração de novos produtores de várias regiões e, em 1985, surgiu o Clube do Plantio Direto, principalmente a partir da experiência da Fazenda Cerro do Tigre. As trocas de informações eram ao nível dos produtores e a formação do clube veio de baixo, das bases.

Segundo Ivo Mello, a partir do momento em que o agricultor desenvolveu o sistema visando não eliminar mas conviver com o arroz vermelho, conseguiu tirar colheitas favoráveis, mesmo com a presença da invasora.

Outras vantagens

A maioria dos solos de arroz são de cotas baixas e mal drenados. O acúmulo de trabalhos numa mesma época desfavorece o plantio convencional do arroz. Não é comparável com a soja, por exemplo, que tem uma flexibilidade maior. Um solo mal drenado nas áreas de várzea precisa 10 vezes mais de tempo para ter uma friabilidade e umidade boa para se fazer o preparo. De 30 de outubro a 30 de novembro o produtor tem que fazer todo o preparo e semear. Com chuva, o cronograma vai para o espaço.

“No plantio direto”, afirma Ivo Mello, “o pessoal começou a usar a estrutura ao longo do ano, preparando antecipadamente o terreno. O lavoureiro tradicional tem uma estrutura grande de máquinas e implementos, em função do curto espaço de tempo que lhe resta para preparar e semear. Nós diluímos o custo das máquinas e mão-de-obra. De outro lado, com o mesmo número de HPs que possúamos anteriormente, conseguimos aumentar em 30% a quantidade de área plantada. No decorrer do tempo, fomos racionalizando a lavoura”.

“Sabemos que existe muita coisa para melhorar”, conclui ele, “mas temos certeza que somente quem fizer a lavoura de arroz com cultivo mínimo e plantio direto poderá ter um retorno econômico. Há que ser empresário, estar junto com o trem da história porque, se não pegarmos ele, estamos sujeitos a ficar para trás”.

Ivo Mello — Engenheiro Agrônomo, Fazenda Cerro do Tigre