Histórico dos ENCATs


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Publicado em: 30/08/1991

A realização do 1º ENCAT, desenvolvido no inverno de 1983, em Carazinho, assim como os demais efetuados nos anos seguintes, tinham pelo menos um objetivo definido. No caso de Carazinho, o tema alinhavado era: “Levar as informações da pesquisa sobre o plantio direto”.

Entretanto, as cerca de 200 pessoas que se reuniam naquele evento não faziam uma idéia aproximada de que estavam dando forma a um movimento técnico e social destinado a ocupar um importante espaço na história agrícola do Rio Grande do Sul. Falamos dos Clubes Amigos da Terra e de seus encontros anuais — os ENCATs, além de todas as suas atividades paralelas que deram um impulso significativo no sistema plantio direto nos últimos 8 anos.

O ENCAT de Carazinho reuniu produtores de várias regiões do Estado, além de técnicos ligados à pesquisa e assistência técnica, e, no final, foi redigida a Carta de Carazinho, documento que já marcava uma posição firme na defesa de uma agricultura tecnicamente sustentável no decorrer do tempo. Diversas palestras foram destacadas nesse primeiro encontro dos CATs, dentre elas a de um batalhador pela conservação de solos no Rio Grande do Sul, o Engenheiro Agrônomo Amando Dallarosa, que falou na abertura do evento.

Os ENCATs seguintes foram sendo realizados num ritmo crescente de debates e evolução técnica do sistema. Em São Luiz Gonzaga, onde se criou um dos primeiros clubes do Estado, o IIº ENCAT teve como objetivo a troca de experiências, principalmente sobre máquinas para PD. Na ocasião, entre outros palestrantes, anotava-se a presença do Engenheiro Agrônomo Hans Peeten, da Cooperativa Central de Laticínios (mais tarde Fundação ABC), um dos nomes mais importantes na história do plantio direto no Sul do Brasil.

Em 1985, foi a vez de Passo Fundo sediar o encontro, objetivando também debater o sistema mas dando ênfase maior à questão da assistência técnica. O ENCAT de Palmeira das Missões, em 86, voltou ao tema das máquinas e adaptações para plantio direto, sem esquecer o sistema como um todo.

O Vº ENCAT realizado em Santa Rosa voltou ao tema do primeiro encontro e enfatizou a necessidade de alertar as autoridades do setor agrícola para a problemática da erosão e importância do plantio direto como uma solução viável.

O Encontro de Cruz Alta, no ano seguinte, debateu a necessidade da divulgação de uma imagem institucional do plantio direto junto à comunidade técnica, autoridades e a imprensa. Para Passo Fundo, em 1989, com a presença do produtor chileno Carlos Crovetto, que proferiu brilhante palestra e o colocou como um dos esteios do manejo conservacionista no Cone Sul da América, reservou-se a discussão de uma melhor estruturação dos clubes.

Finalmente, em 1990, em Santa Rosa, durante as comemorações da FENASSOJA, quando estiveram presentes cerca de 800 pessoas, o 8º ENCAT, entre outras questões, deu prioridade ao debate sobre o aparecimento de novos insetos pragas, principalmente nas áreas de plantio direto.

matéria editorial — retrospectiva dos 8 primeiros ENCATs (1983-1990)