CAT de Cruz Alta — Necessidade de mudanças e assistência técnica são motores do dinamismo


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Publicado em: 30/08/1991

Um verdadeiro desastre ecológico foi o motivo que levou o Engenheiro Agrônomo Kurt Arns a desencadear o processo do plantio direto, na sua propriedade, em Cruz Alta-RS. Atualmente secretário do CAT do município, Arns deverá ser o próximo presidente de um clube que tem se caracterizado por ser o mais dinâmico e o mais estruturado dentre os 21 existentes no Estado.

“Assim como para a maioria dos produtores da região, que também tiveram que mudar a partir de fortes erosões na primavera, nós começamos a mudar em 86, quando as chuvas de novembro causaram um estrago descomunal nas nossas lavouras. Em 87 fizemos a primeira área de plantio direto. Em 88 tínhamos 2/3 da área e no ano seguinte já cobríamos 100%, sem uso de arados e grades. Num solo argiloso, de 60 a 70%, depois de 5 anos, podemos dizer que já temos plantio direto.”

CAT de Cruz Alta

O Clube Amigos da Terra de Cruz Alta tem fama de ser o mais atuante do Estado. Kurt Arns acredita que a necessidade de mudança, aliada ao fato de já existir uma estrutura técnica atuante, encabeçada pela Fundacep e outros órgãos, são as respostas básicas para o fato do sistema plantio direto cobrir quase 50% das áreas plantadas no verão na região de Cruz Alta.

“Ou se pensa grande, estabelecendo objetivos grandes, ou você fica na rotina. Nós resolvemos pular na frente”, prossegue Arns, para quem a presença de pessoal técnico envolvido diretamente na produção também foi um fator fundamental no bom desenvolvimento que o sistema alcançou na região.

Com uma sede, junto à Cooperativa de Cruz Alta — Cotricruz, a diretoria e os membros mais atuantes do clube reúnem-se praticamente todos os dias para trocar idéias e informações, além de coordenar as ações conjuntas.

Para Kurt Arns, embora muitos desistam do sistema porque é mais fácil cair fora quando se apresentam as primeiras dificuldades em função de que os agricultores estão despreparados, os produtores que usam plantio direto estão mais equilibrados economicamente. Para ele “esses agricultores, que geralmente já faziam um plantio convencional mais tecnificado, já possuíam uma capacidade maior de reação ante as adversidades de hoje, pelo que sentimos, são uma parcela disputada pelos revendedores de insumos e agroquímicos, pelas empresas compradoras de grãos e até pelos bancos, pois estes querem uma garantia cada vez maior de retorno para suas aplicações”.

“A síntese da evolução no plantio direto”, conclui Kurt, “é quando o agricultor estabelece a relação com o manejo da palha. A partir daí, qualquer dificuldade que aparecer, ele estará habilitado a administrar.”

Kurt Arns — Engenheiro Agrônomo, secretário do CAT de Cruz Alta