Marques, do CAT de Giruá — a importância da informação na condução do sistema


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Publicado em: 30/08/1991

“A partir do momento em que definimos a necessidade de trocar o sistema de plantio na nossa área, fomos em busca das informações existentes e isso foi o principal fator do sucesso obtido”.

A afirmação é do Engenheiro Agrônomo Carlos Alberto Marques, presidente do Clube Amigos da Terra de Giruá, um dos participantes do Treinamento. Segundo ele, apesar da situação atual da agricultura, causada pela seca e os problemas da economia em geral, que tem desanimado o pessoal, existe um núcleo ligado ao CAT de Giruá, que continua firme e que prossegue na melhoria do sistema.

“Quando comecei a trabalhar, ainda no convencional, eu quase não dormia de noite, pois a gente preparava a terra, plantava a soja, dava um trabalho medonho e ficava torcendo para que chovesse mas que não chovesse demais. Hoje a coisa é diferente: toda a chuva que vier será bem-vinda, no inverno, no verão”.

Trabalhando em cima de um solo pesado, com 70% de argila, os agricultores da região de Giruá, onde se encontra a fazenda do agrônomo Marques, enfrentam as dificuldades normais para o tipo de solo, mas, segundo o agrônomo, essas questões sempre foram agravadas pelo manejo irracional, como a queima de palha, que eles faziam até 1979. “A matéria orgânica acabou, os nutrientes eram baixos, o efeito do calcáreo já havia acabado”, confirma Marques.

Quando iniciaram o plantio direto, em 82 a 84, a produtividade era de 17 a 20 sacos/ha. De lá para cá, os índices foram aumentando e a safra de 89/90 registrou uma média de 43 sacos/ha. Em 90/91 houve a frustração histórica da maior seca na região, provavelmente neste século. Mas isso não diminuiu o entusiasmo de Carlos A. Marques e o pessoal do CAT de Giruá. “Nós estamos com mil idéias na cabeça, está tudo fervilhando. Queremos reunir pessoas novas, aumentar o grupo e trazer informações para Giruá, buscar fora, treinar o pessoal. Existem muitos itens que ainda precisam de melhores informações como rotação de cultura, pragas e doenças, a cultura do milho que ainda não conseguimos introduzir corretamente e dentro das proporções desejadas”, conclui Marques.

Carlos Alberto Marques — Engenheiro Agrônomo, presidente do Clube Amigos da Terra de Giruá