O Monitoramento Tilt é um programa que consiste no acompanhamento sistemático das condições das lavouras, condições ambientais e evolução das doenças do Trigo e da Cevada.
Iniciado na safra de 1987, com apenas 6 triticultores, hoje, em 1991, o Monitoramento Tilt atinge um milhão e cem mil hectares de trigo e cevada, abrangendo os estados do Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, sendo considerado um dos maiores programas, inclusive a nível mundial, nos campos da epidemiologia, previsão e acompanhamento de doenças a nível de campo.
O Monitoramento consiste em tomar-se uma amostra, semanalmente, de no mínimo 20 plantas em pontos diferentes da lavoura e analisar o índice de doenças, obtido pela avaliação da área foliar atacada. Também são analisadas as condições de temperatura, umidade relativa do ar e molhamento das folhas, correlacionando tudo ao estágio de desenvolvimento da cultura, dados básicos a considerar na tomada da decisão quanto à aplicação do Fungicida. As informações obtidas são repassadas, através de alertas em rádios e jornais locais, cartazes e painéis, informando os triticultores, técnicos e instituições envolvidas sobre a situação das lavouras em cada região.
Em síntese, o programa tem como objetivo manter, técnica e economicamente satisfatório, o estado fitossanitário das lavouras ou seja, utilização correta do Fungicida, no momento adequado, na dose correta com maior segurança para quem aplica, buscando o maior retorno econômico.
A partir desta safra, o Monitoramento TILT ganhou mais um grande aliado. É o TERMOHIGROMOLHÓGRAFO. O Termohigromolhógrafo é um aparelho que registra, simultaneamente, a temperatura e umidade relativa do ar e o período de molhamento foliar, ou seja, o tempo — em horas — em que as folhas do trigo ou cevada permanecem molhadas.
Essas informações, associadas com os levantamentos efetuados nas lavouras pelo Monitoramento TILT, fornecerão com antecedência de 6 a 8 dias, para Ferrugem, e de 10 a 15 dias, para Helmintosporiose, a previsão de evolução rápida ou estabilização das doenças nas áreas monitoradas.
Na previsão de ocorrência da Helmintosporiose e da Ferrugem são consideradas as faixas de temperatura ambiente e de molhamento foliar ideais para o desenvolvimento e evolução rápida dessas doenças quais sejam:
Períodos críticos:
HELMINTOSPORIOSE: Acima de 15 horas de molhamento foliar e uma temperatura ambiente média de 15 a 25ºC, durante o período de molhamento foliar.
FERRUGEM: Acima de 10 horas de molhamento foliar e uma temperatura ambiente média de 15 a 20ºC durante o período de molhamento foliar.
Situação das culturas
Região: Cruz Alta, Ijuí, Fortaleza dos Valos e Santo Augusto (período: até 30/08/91): As culturas estão em fase de início de emborrachamento, onde a única cultivar CEP que não está com níveis de infecção elevados é o CEP-14, as demais cultivares que não foram tratadas estão com níveis de infecção altíssimos. As cultivares BR-23, 34 e 35 apresentam boa performance com níveis de infecção toleráveis, mas com tendência à evolução, onde apenas a cultivar BR-23 apresenta níveis de infecção por Oídio com níveis mais elevados.
Região: Palmeira das Missões, Panambi e Santa Bárbara do Sul (período: até 30/08/91): A cultura, em fase de emissão folha bandeira e início de emborrachamento, apresenta níveis de infecção para as cultivares CEP-21 e 19 em torno de 5 a 10% de ferrugem em áreas tratadas e 2 a 3% de Manchas Foliares. Áreas não tratadas os níveis de infecção são altíssimos chegando em algumas áreas a 50% de ferrugem. As cultivares BR-23, 34 e 35 apresentam níveis de infecção em torno de 2 a 3% de Manchas Foliares e 0,5% de ferrugem. A maioria das áreas das cultivares CEP, já houve a necessidade da 1ª aplicação do Fungicida.
Região: Santo Ângelo, Giruá e São Luiz Gonzaga (período: até 30/08/91): As lavouras se encontram em fase de emborrachamento, onde as cultivares CEP estão com uma média de infecção de 8 a 10% de ferrugem e 1 a 2% de Helmintosporiose, onde já foi realizada a primeira aplicação do Fungicida para o controle da ferrugem. As variedades BR-23, 34, 35 apresentam-se com baixo nível de infecção de ferrugem e começam as evoluções da Helmintosporiose, 2% e Oídio em torno de 10%. Muitas lavouras serão necessárias 02 aplicações.
Região: Passo Fundo e Erechim (período: até 30/08/91): A cultura apresenta-se em fase de emissão Folha Bandeira, com uma média de infecção 3,5% de Helmintosporiose, 1% de Ferrugem e 1% de Oídio. Porém já foram recomendadas aplicações generalizadas para todas as cultivares de Cevada, pois estas apresentavam índices de doenças a nível de controle para Helmintosporiose. Os trigos CEP já receberam a 1ª aplicação do Fungicida para o controle da Ferrugem, e os trigos BR deverão iniciar as 1ªs aplicações esta semana.
Ciba-Geigy / Tilt