Estamos introduzindo nesta edição uma secção que objetiva responder a perguntas de produtores e técnicos sobre dúvidas no plantio direto e manejo conservacionista em geral. Aqueles que desejarem, devem enviar as perguntas datilografadas, que nós providenciaremos a resposta junto aos pesquisadores, extensionistas e produtores das áreas de interesse, para publicações posteriores.
Na primeira vez, estamos publicando perguntas e respostas extraídas do II Encontro Nacional de Plantio Direto, de 1985, e da 1ª Jornada Sul Brasileira de Plantio Direto, de 1990, em que os autores das perguntas não estavam identificados. As respostas, pela ordem, foram dadas pelos engenheiros agrônomos Jorge Dias da Costa, da Fazenda Santa Tereza, Cruz Alta, RS; Erlei Mello Reis, do CNPT-EMBRAPA, Passo Fundo-RS; e Rolf Derpsch, do então convênio IAPAR-GTZ (perguntas 3 e 4).
1. Na integração pastoreio plantio direto acontece compactação junto a cocheiras, aguadas, etc. Qual a melhor maneira de preparo do solo nesta situação?
Nós identificamos esta situação no pastoreio livre e no pastoreio constante, porém, a melhor maneira aí não seria o preparo, seria mais o cuidado da operação de semeadura, desde que ela consiga colocar a semente numa posição ideal. Então, a chave está na regulagem da semeadeira, porque a gente só vai saber desse local compactado durante o deslocamento da semeadeira. Ao chegar a esses locais com problema, tem que colocar mais peso ou reduzir a velocidade. Essa é a maneira que nós usamos, visto que a compactação superficial, desde que o solo não tenha reduzido a sua capacidade de infiltração, não tem reduzido para nós a produtividade.
2. (Sérgio Tadeu Zanatta — Engº Agrº — Passo Fundo-RS) É recomendável plantar trigo após a cultura de milho, mesmo que o trigo não tenha sido cultivado por dois invernos?
Pode fazê-lo. Mas, vejam, temos a experiência nos dois sentidos. Se pegarmos uma área de monocultura e colocarmos rotação em cima, precisamos de três anos para fazer o trigo, ou cereal de inverno, voltar a produzir normalmente. Isto, para que decomponha-se o resto cultural. Quando pegamos uma área onde nunca houve problemas sanitários — solo virgem — precisamos de dois a três anos para que surja o problema. Numa área de rotação de culturas por um período longo, talvez após um intervalo de três invernos e verões, dificilmente haverá problema se o trigo casar-se com o milho. Mas, no Norte e Oeste do Paraná, não sei quantos mil hectares de milho são cultivados no inverno e no verão. Isto causará, sem dúvida, sérios problemas ao milho e ao trigo, pelo aumento da Gibberella.
3. (Augusto Stier) Como solucionar o problema de falta de cobertura, após colheita de feijão em Plantio Direto?
Existem algumas alternativas para solucionar este problema. Pode-se optar por uma adubação verde de verão, imediatamente após o plantio do feijão, ou pelo plantio de [?girassol?] densamente plantado, que rapidamente cobre o solo e produz bastante massa. [?Também é?] claro que após o arranquio das plantas haverã no solo resíduos de culturas. Penso, então, que produzi-los com a cultura intermediária, que seria o girassol ou outra adubação verde de verão que se adapte a esse esquema, é uma solução.
4. (Jacques Leão — Engº Agrº — Campo Grande-MS) A semeadura de aveia por avião, antes da desfolha da soja, poderia ser uma alternativa para garantia de cobertura vegetal, na região dos Cerrados?
Acredito que não seja uma alternativa viável, por dois motivos: primeiro, porque na região dos Cerrados chove, segundo as taxas que temos, apenas 100 mm entre abril e setembro, o que não é suficiente para fazer crescer a aveia, apesar da resistência à seca que essa cultura apresenta. Segundo, porque não sou favorável à semeadura aérea nesta região. O resultado pode ser bom se chove bem depois da semeadura, mas pode ser péssimo se isto não ocorrer. É como uma loteria que depende da ocorrência de chuvas.
respostas dos engenheiros agrônomos Jorge Dias da Costa (Fazenda Santa Tereza, Cruz Alta-RS), Erlei Mello Reis (CNPT-EMBRAPA), Sérgio Tadeu Zanatta (Passo Fundo-RS), Augusto Stier, Jacques Leão (Campo Grande-MS) e Rolf Derpsch (convênio IAPAR-GTZ). Perguntas extraídas do II Encontro Nacional de Plantio Direto (1985) e da 1ª Jornada Sul Brasileira de Plantio Direto (1990)