A EMBRAPA, através do Centro Nacional de Pesquisa do Trigo, com sede em Passo Fundo (RS), e a Fundacep, da Federação das Cooperativas de Trigo e Soja do Rio Grande do Sul, com o apoio das empresas BASF, Hoechst, Du Pont, DowElanco e ICI Agroquímicos, deram início neste mês de outubro a um trabalho conjunto com o objetivo de desenvolver a utilização de herbicidas de aplicação pós-emergente na cultura da soja. Para os pesquisadores, a baixa produtividade da cultura no Rio Grande do Sul, em comparação com outras regiões, tem causa na manutenção de métodos de cultura adotados no início da implantação da lavoura de soja no Estado. Um desses métodos tradicionais é o de uso de herbicidas residuais em larga escala.
Em relação ao uso de herbicidas pós-emergentes, o percentual tratado da área plantada varia muito, mas enquanto ele alcança mais de 70% no Paraná, ultrapassa a 40% no Mato Grosso do Sul, no Rio Grande do Sul anda na casa dos 8%. O agrônomo Carlito Loss, um dos palestrantes convidados nos dois encontros realizados dias 2 e 3 de outubro, é categórico: “na região dos Campos Gerais, no Paraná, nós buscamos sempre altas produtividades e, para nós, usar herbicida pós-emergente é uma ferramenta imprescindível”. Carlito é extensionista da Fundação ABC, em Castro, uma das regiões de agricultura mais desenvolvida no país. Experiente, Carlito vai mais longe, desafiando os gaúchos a reverterem esse quadro. “Eu procurei examinar todas as razões que poderiam me levar a ainda utilizar um herbicida pré-emergente numa lavoura de soja e não encontrei nenhuma”, explica.
Os dois encontros realizados no início do mês contaram com a presença de 560 agrônomos, técnicos e agricultores líderes de praticamente todos os municípios produtores das regiões do Planalto, Missões e Alto Uruguai. Em ambos, depois da recepção e saudação dos dirigentes do CNPTrigo e Fundacep, falou o gerente regional da ICI, em nome das cinco empresas participantes. Para Edegar da Silva, “este é um marco na história da cultura da soja porque pela primeira vez unem-se os esforços das duas mais importantes instituições de pesquisa desta região aos de cinco das principais empresas de insumos do setor para uma única campanha”.
Entre os palestrantes, o pesquisador José Ruedell, da Fundacep, abordou os aspectos técnicos de utilização dos herbicidas pós-emergentes, fazendo uma abordagem didática sobre a soja e sobre os fatores de escolha de um herbicida. Segundo ele, é a utilização no momento adequado a garantia de eficiência de um herbicida deste grupo. Desde a situação de ervas e o estágio, até as condições atmosféricas e de umidade no solo, e a escolha do adjuvante mais adequado, tudo pode garantir melhor eficiência no controle das ervas. A explanação de Ruedell foi complementada por uma palestra de José Veloso, técnico da Embrapa, que discorreu sobre a tecnologia de aplicação.
Baseado numa longa experiência, registrada inclusive num manual editado pela Embrapa e distribuído a todos os participantes e que se encontra à disposição dos interessados, Veloso demonstrou o funcionamento dos pulverizadores em uso pelos agricultores e seu correto manuseio. A regulagem dos aparelhos, assim como a sua correta operação, também são elementos vitais para o sucesso de uma aplicação. Pressão, tamanho de gotas e outros aspectos têm influência decisiva na deposição do produto sobre a invasora e o controle da deriva, que além de significar perda de produto e ter um custo, pode representar poluição e atingir culturas adjacentes.
Entre os palestrantes também, o técnico José Carlos Cristofoletti, da Sprayng Sistems do Brasil, que discorreu sobre bicos de pulverização. De acordo com o engenheiro agrônomo, a utilização de um bico adequado aumenta a eficiência e a eficácia das aplicações de herbicidas. Conforme ele, as características diferentes em cada aplicação ocasionam a necessidade do uso de bicos diferentes, embora o produtor, por desinformação, acabe na maioria das vezes utilizando um mesmo bico para tudo. Especialista na área, Cristofoletti garantiu que é o desconhecimento com relação a bicos que causa muitas vezes insucesso em aplicações. “É importante usar o produto certo, no momento adequado, mas se o bico for inadequado pode pôr tudo a perder.”
Tanto na Embrapa quanto na Fundacep, as apresentações teóricas foram seguidas de demonstrações práticas de campo, com o objetivo de dar segurança aos recomendadores e garantir uma difusão no uso dos pós-emergentes num ritmo bem maior do que vinha ocorrendo até agora. Edegar da Silva, coordenador do trabalho conjunto das empresas, garante que elas vão manter o apoio a este tipo de trabalho. “É de interesse de todos nós porque vai significar mais lucratividade para o agricultor e consequentemente uma agricultura mais forte”, disse.
campanha conjunta da EMBRAPA (CNPT-Trigo, Passo Fundo) e Fundacep, com apoio de BASF, Hoechst, Du Pont, DowElanco e ICI Agroquímicos. Inclui depoimentos de Carlito Loss (Fundação ABC), José Ruedell (Fundacep), José Veloso (Embrapa), José Carlos Cristofoletti (Sprayng Sistems do Brasil) e Edegar da Silva (ICI)