Therost: necessidade da volta ao associativismo


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Publicado em: 30/10/1991

Falando na palestra de abertura do 9º ENCAT, em Tapera-RS, para um público de mais de 200 produtores e engenheiros agrônomos, técnicos agrícolas e outros interessados, o engenheiro agrônomo Armindo Therost, da Cotrisa (Santo Ângelo-RS), afirmou que é fundamental que saiamos do individualismo e voltemos a nos associar em grupos, entidades, cooperativas e que os efeitos multiplicativos das informações sejam agilizados para que possamos ter um melhor entrosamento técnico entre agricultores e a área técnica.

“Precisamos sair do isolamento e voltar ao associativismo”, enfatizou ele. Tendo como tema “Os Novos Rumos da Agricultura”, Therost disse inicialmente que talvez seja mais importante neste momento que a agricultura retome seus rumos e não trace, em termos, novas direções, porque nós perdemos o rumo através dos tempos.

CUSTOS/MERCOSUL

Dentre os itens abordados pelo dirigente da Cotrisa, destacamos alguns mais importantes, sobre custos de produção, Mercosul e outros.

“Precisamos rever nossos custos de produção, usando algumas técnicas de custo reduzido, especialmente rotação de cultura para chegar ao ápice, que seria plantio direto e micro bacias. É necessário cair fora do binômio trigo-soja e criar opções, entrar de vez na diversificação agrícola, usando produtos que tenham mercado, para consumo interno ou exportação: milho, girassol, fruticultura ou produção animal.”

Outro fator importante é a observação dos custos de comercialização, “temos que influir de forma política nos preços mínimos, na política cambial, nas tarifas alfandegárias e, principalmente, cabe-nos fazer um gerenciamento comercial muito mais efetivo do que estamos fazendo. A agricultura não deve ser uma aposta, um jogo; ela deve ir através de uma estatística e de probabilidades do que vai acontecer no mercado. Sobre ele, hoje nós temos informações sobre o mercado futuro, estoques de oleaginosas e cereais em todo o mundo, temos conhecimento dos países que praticam subsídios e em que produtos. Além disso, temos que ter um termômetro do mercado interno e das perspectivas do Mercosul, até que ponto seremos prejudicados ou não. Devemos lutar pelas nossas posições.”

AGROINDÚSTRIA

Armindo Therost foi enfático na questão da verticalização da agricultura, que ele considera uma importância fundamental. “Se só produzirmos produtos primários e vendermos, talvez não tenhamos condições, num futuro próximo, de poder competir”, enfatiza ele. “Há que agregar serviços e tecnologia a esses produtos através da agroindústria e, por último, talvez começar a pensar em nossos estudos alguma coisa sobre os hábitos alimentares do futuro, como redução de gorduras e açúcares, uso de óleos mais leves, como o girassol e outros, carnes com menor teor de colesterol e produtos de fácil digestão, saindo dos produtos pesados que a geração deste século costumava consumir. As mudanças são efetivas, visíveis e, segundo informações disponíveis no momento, a comunidade Econômica Européia tem apenas 30% dos produtos que ela irá consumir no ano 2.000. Isso tudo significa que algumas mudanças significativas deverão ocorrer.”

AÇÕES OBJETIVAS

Dentro da área específica de atuação da Cotrisa (Santo Ângelo-RS), Armindo Therost afirma que a diversificação está em andamento, com suinocultura e avicultura. Além disso, no 3º ano consecutivo, estão tentando introduzir o girassol, como alternativa econômica para fugir da soja como única oleaginosa. Segundo ele, determinadas empresas estão começando a ver mais de perto o que está acontecendo no mercado, não só o que está acontecendo na indústria. Na região das Missões, a Cotrisa está encabeçando um projeto de fruticultura, com o plantio de citrus, estando formado um viveiro e sendo montado um projeto para a instalação de uma fábrica de sucos.

SOLOS

Perguntado sobre a situação da conservação de solos, o engenheiro agrônomo Therost afirmou, finalizando sua exposição: “O estado atual não é muito animador. O futuro vai nos dizer que ou nós resolvemos o problema da conservação do solo ou nós saímos da agricultura. Não temos alternativa. Apesar desse quadro, parece que está havendo uma consciência dos agricultores, das entidades, não só de técnicos e agricultores mas do comércio ligado à agricultura, da indústria e da sociedade como um todo”.

Armindo Therost — Eng° Agr°, dirigente da Cotrisa (Santo Ângelo-RS). Palestra de abertura do 9º ENCAT, tema 'Os Novos Rumos da Agricultura'