A Sociedade Brasileira de Engenharia Agrícola e a Valmet do Brasil outorgam o “Prêmio Valmet 1991” para os pesquisadores do Instituto Agronômico do Paraná — IAPAR — Rui Casão, João Carlos Henklain, Audilei de Souza Ladeira e Elcio Carvalhal Moreno. O prêmio fez jus ao trabalho de pesquisa denominado “Efeito de diferentes implementos na resistência à tração e qualidade do preparo do solo (latossolo roxo)”.
A conclusão dos pesquisadores sobre os efeitos dos implementos no preparo do solo resulta de vários anos de pesquisa. O preparo do solo é considerado a operação que mais limita a expansão de culturas anuais no Norte do Paraná. Dos problemas levantados com médios produtores de soja e trigo, 22% reclamaram do baixo rendimento, 28% da umidade do solo e 32% de embuchamento dos implementos. Durante a década de 80, em função da maior consciência conservacionista, 50% desses produtores já utilizavam o cultivo mínimo (escarificador) como alternativa de preparo. O arado de disco ainda é muito utilizado e a aiveca surge como potencial de expansão.
O estudo do IAPAR sobre efeito de diferentes implementos de preparo quanto à exigência de tração, tem permitido determinar parâmetros para seleção trator x implemento, período útil para mecanização, rendimento do preparo do solo, além de outros dados. O estudo obteve resultados que caracterizam a variação da qualidade do preparo do solo em função do implemento; umidade do solo e velocidade do trabalho etc.
EQUIPAMENTOS ADEQUADOS
O que determinou a execução do projeto foi a preocupação com a conservação do solo e a necessidade de adequar os equipamentos às condições dos solos da região, de modo a torná-los menos sujeitos à erosão e perda de fertilidade. Enfim, o manejo do solo é importante para manter sua produtividade e, neste aspecto, o uso de equipamentos adequados é fundamental.
O processo de “modernização” da agricultura, que se caracterizou pelo uso do capital na agricultura, ocorreu com destaque na década de 70 nas regiões onde predominam os solos de alta aptidão agrícola. Ocupando 30% da área territorial, esses solos concentravam-se principalmente nas regiões norte, oeste e sudoeste do Paraná, cultivando principalmente as culturas de soja, trigo, milho e algodão. Foi a cultura de soja que permitiu a grande expansão do novo padrão tecnológico que tinha automecanização em seu bojo. Esta cultura expandiu-se muito em função de ter a Europa absorvido a tecnologia de produção animal norte-americana, baseada na soja e no milho, criando-se uma grande demanda internacional.
No Paraná, o número de tratores variou de 18.619 em 1970 para 81.727 em 1980, apoiado numa política de crédito subsidiado. Os primeiros implementos promoviam grande mobilização no solo, caso do arado de disco. Depois surgiram as grades aradoras de 24 a 26 polegadas de diâmetro que se caracterizaram pelo grande rendimento operacional. Porém, sob condições de solos tropicais e subtropicais, esses equipamentos agravavam os efeitos de degradação da matéria orgânica. Era visível o processo de erosão e empobrecimento do solo. A intensa mobilização alterou as características físicas do solo, expondo-o ao processo erosivo — conforme os técnicos João Carlos Henklain e Rui Casão.
Esses problemas (os técnicos citam numerosos outros como o da compactação mais visível para o agricultor) levaram a preocupações que compatibilizassem resultados econômicos com conservacionistas. Na década de 80, a difusão do uso do plantio direto e cultivo mínimo com escarificador, foi intensificada. Hoje, a utilização, apesar de não ser ainda tecnicamente apropriada, é significativa principalmente nos solos de alta aptidão agrícola, caso do latossolo roxo e terra roxa estruturada. Nesses solos 10% dos agricultores utilizam o plantio direto. Quanto ao uso do escarificador 50% dos produtores de soja e 30% de trigo, milho e algodão o utilizam no preparo do solo.
Esses dados fazem parte do trabalho premiado pela Valmet que contém uma série de outras informações e recomendações técnicas. A tendência do uso de implementos conservacionistas, segundo os técnicos do Iapar, vem em resposta ao esforço da difusão feita pelos órgãos de pesquisa e se associa à conscientização dos produtores em utilizar práticas que preservem os recursos naturais.
Rui Casão, João Carlos Henklain, Audilei de Souza Ladeira e Elcio Carvalhal Moreno — pesquisadores do IAPAR. Trabalho 'Efeito de diferentes implementos na resistência à tração e qualidade do preparo do solo (latossolo roxo)' premiado pela SBEA + Valmet do Brasil em 1991