Dez por cento da área plantada com soja, na última safra, sofreu severos danos devido ao ataque do tamanduá-da-soja. Os maiores prejuízos causados por esta praga estão concentrados em lavouras do Planalto Médio, das Missões e do Alto Vale do Uruguai, segundo dados levantados pelo Centro Nacional de Pesquisa de Trigo (CNPT/EMBRAPA) e pela [?EMATER?].
Conforme o entomologista Irineu Lorini, da Embrapa de Passo Fundo, a expectativa para a próxima safra é que diminua a ocorrência desta praga, pois as condições de seca, ocorridas na última safra de soja, não permitiu que uma parte das larvas completassem seu ciclo. Outro fator importante é o grande número de doenças presentes nas larvas que estão no interior do solo. Estes patógenos foram encontrados durante as avaliações realizadas pelo CNPT nas lavouras gaúchas.
De acordo com o pesquisador do CNPT, até o último cultivo da soja não havia uma recomendação da Pesquisa para o controle do tamanduá-da-soja. No entanto, os resultados apresentados por Lorini, na XIX Reunião de Pesquisa de Soja da Região Sul, tornaram viável a recomendação, para a safra de 91/92, do controle nas bordas da lavoura associado à rotação de culturas. Esta tecnologia consiste em não plantar soja nas áreas infestadas. Como esta praga desloca-se de uma área para outra, nas lavouras de soja próximas às infestadas, tanto na mesma propriedade como nas vizinhas, o agricultor deve controlar quimicamente o tamanduá-da-soja nas bordas da lavoura, em uma faixa de 20 a 30 m, no período de meados de novembro e meados de dezembro, sempre que a densidade populacional chegar a um inseto por m². A vistoria na lavoura, neste período crítico, deve ser quase diária, pois o inseto emerge continuamente do solo. Neste ano, os resultados já obtidos, no CNPT, indicam o início da emergência de adultos no mês de outubro. Este fato está ocorrendo devido ao inverno mais quente em relação ao anterior. Esta informação exige que o agricultor acompanhe a lavoura desde o seu plantio.
O controle químico na borda deve ser realizado antes que o tamanduá-da-soja avance em toda a lavoura. Lorini ressalta que quando a praga não é controlada na borda, logo que emerge do solo, em pouco tempo ela toma conta de toda a lavoura, causando grandes prejuízos, uma vez que a pesquisa não recomenda o tratamento químico em toda a lavoura, por questões econômicas e ecológicas.
Irineu Lorini — entomologista do CNPT-EMBRAPA (Passo Fundo). Recomendação aprovada na XIX Reunião de Pesquisa de Soja da Região Sul para a safra 91/92