OPINIÃO — Plantio Direto na Palha, Todos Estão Convidados


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Publicado em: 30/12/1991

O sistema de produção de grãos pelo Plantio Direto (sem preparo do solo) iniciou-se no ano de 1976 nos Campos Gerais do Paraná, conseguindo sanar um dos grandes problemas que limitavam as produtividades das áreas agrícolas que era a erosão.

Sem dúvida que foi a erosão o principal fator que motivou os agricultores a procurar uma alternativa mais eficiente para poder continuar utilizando suas áreas de produção, estas na sua grande maioria possuem solos leves, arenosos, rasos e com declividade bastante acentuada que somadas a precipitações constantes em alguma época do ano causaram perdas irrecuperáveis desse solo.

A erosão foi eliminada com alguma facilidade quando o solo ficou coberto pela palha da cultura anterior, fazendo com que a água penetrasse nele lentamente, iniciando-se nesse momento um novo ciclo de acontecimentos inesperados mas bastante festejados pelos agricultores e técnicos que faziam suas observações constantes nas áreas de Plantio Direto.

Vale destacar alguns fatos mais significativos: a diminuição da população de ervas daninhas quando se conseguiu estender uma cama entre 4 a 5 toneladas de palha com o auxílio do rôlo faca, fazendo com que o custo dos herbicidas baixasse sensivelmente; o aumento da fertilidade (observada nas análises que se faz após cada cultura) do solo que propôs uma revisão nas recomendações técnicas das quantidades de fertilizantes até aquela época utilizadas; completou-se o quadro de sucessos com o aumento das médias de produção que vieram acompanhadas por um plano de rotação de culturas até então conhecido recomendado mas não aplicado.

Os agricultores que hoje dominam este programa com segurança têm observado um aumento constante de suas médias de produção, tanto é verdade que já não causa espanto quando se colhe 2,5 toneladas de feijão por hectare, 3 de trigo, 4 de soja ou 8 de milho que são exatamente o dobro das produções obtidas no sistema convencional de 15 anos atrás. O que mais surpreende no primeiro raciocínio é de que as adubações utilizadas hoje são bastante modestas se comparadas as do início do programa.

Já passados mais de 15 anos do início de experiências práticas bem sucedidas a nível de propriedade efetuadas pelos produtores e acompanhadas por técnicos e pesquisadores nacionais e internacionais conclui-se que é expressivo o retorno obtido pelo investimento de se ter deixado de lado a [?lavração do solo?] em um sistema de cultivo onde o solo volveridõ pelos Campos Gerais, fazendo com que [?os herbicidas reduzam seu uso para?] cada cultivo à cada vez maior, já no fim entre uma quantidade que já no plantio direto na palha entre 4 e 5 toneladas por hectare. O que faz também surpresa é o aumento das produtividades de todas as culturas envolvidas pelo sistema, atingindo níveis até então desconhecidos.

Conseguindo o Plantio Direto na Palha que [?seja institucionalizado?], passará o agricultor a investir muito menos recursos financeiros para o controle das ervas, já que a vida do solo é bastante mais ativa, consequentemente, com aumentos sensíveis nos seus índices de produtividade. Isso quer dizer que o Plantio Direto na Palha é altamente eficiente em relacionar custo/benefício, recuperar grandes áreas degradadas, recompor solos que apresentam algum desequilíbrio nutricional, dar plenas condições de explorabilidade, sustentabilidade e proporcionar lucros expressivos a quem se utilizar dele.

O momento econômico brasileiro está exigindo muita criatividade para a condução dos negócios e a agricultura nacional o que já se conseguiu com o Plantio Direto na Palha é altamente positivo. Esta é a forma de produção de grãos que apresenta lucros para os agricultores, sem alimentar mais ainda a especulação.

Tornar, investir, sair! Passar ao Plantio Direto na Palha é uma espécie de cidadão que tem nas mãos com tudo um sentimento e dever moral.

* Produtor rural, Ponta Grossa-PR

Manoel Henrique Pereira (Nonô) — Produtor rural, Ponta Grossa-PR