Sustentabilidade na Agricultura


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Publicado em: 30/12/1991

É crescente a preocupação com a poluição do ambiente, erosão e degradação do solo, perda de diversidade genética, aumento dos níveis de dióxido de carbono na atmosfera e destruição da camada de ozônio. Estes problemas geram questões éticas, morais, econômicas e políticas na conservação, manejo e uso dos recursos naturais, que exigem responsabilidade e decisões prudentes.

A sustentabilidade requer uma ética global da humanidade e responsabilidade no uso destes recursos. Isto exige educação e mudança de atitude para enfrentar os problemas de escassez de recursos, degradação do ambiente, poluição, explosão populacional e pressão para a modernização.

A sustentabilidade ecológica e econômica passa pela redistribuição de riquezas e medidas efetivas para garantir a paz e a segurança, permitindo direcionar os recursos usados em atividades de defesa e militares para as necessidades básicas na educação de todos os povos.

O crescente movimento de formação de blocos e de globalização da economia envolve os países pobres e em desenvolvimento rapidamente, enquanto se mantém os problemas de pobreza, dívidas, saúde, desnutrição, analfabetismo, etc. Para a solução são necessários investimentos imediatos em pesquisa e desenvolvimento para a sustentabilidade do sistema de produção de alimentos e preservação do ambiente, e a longo prazo para os problemas de educação e saúde. Esta necessidade de recursos deve ser incluída na formação dos blocos econômicos.

A sustentabilidade na produção de alimentos é uma proposta de longo prazo e uma limitação é a instabilidade dos governantes, que mudam de rumo a todo instante. Além do mais não pode ser imposta, o que exige uma participação consciente da população junto com o governo, a pesquisa que gera conhecimentos. Governos, instituições e pessoas devem deixar de lado o individualismo para considerar as obrigações morais e éticas com a sociedade e a natureza.

A sustentabilidade tem sido interpretada de muitas maneiras. Lowrance, Hendrix e Odum (1986) definiram a agricultura auto-sustentável em quatro grupos hierárquicos: 1) Sustentabilidade agronômica: relacionada ao manejo de solo para manutenção da produção durante longo tempo; 2) sustentabilidade micro-econômica: dependente da propriedade como unidade básica; 3) sustentabilidade ecológica: dependente da manutenção da propriedade como suporte regional dos segmentos de sistemas não agrícolas e não industriais; 4) sustentabilidade macro-econômica: controlada por fatores como a política fiscal e de juros que determinam a viabilidade de sistemas de agricultura.

Na área de controle a pragas, historicamente, passaram-se pelas fases: a) de otimismo ou de controle químico com o advento dos clorados, após a guerra; b) da dúvida, depois do livro “Primavera Silenciosa” de Rachel Car[?l?]son; c) a fase do manejo integrado, após 1976. Hoje numa agricultura auto-sustentável, procura-se o manejo dos fatores que determinam a dinâmica populacional de insetos. Procura-se desenvolver o controle biológico e a engenharia genética para obtenção de raças mais eficazes de entomopatógenos e resistência de plantas e pragas, além dos métodos tradicionais de controle químico.

Essas fases influenciaram os modelos internacionais de desenvolvimento agrícola. Nos anos 60 e 70 a pesquisa visava o aumento da produtividade, passando depois pela questão da eficiência econômica e agora pela auto-sustentabilidade. Hoje defende-se que a viabilidade tem que ser em termos agronômicos, sociais, econômicos e ecológicos. A agricultura auto-sustentável só é viável com a obtenção de [?rendi?]mentos elevados, e não podem levar [?o agricultor?] a níveis primitivos de produção, [?já?] que não é mais possível sobreviver com [?es?]ses casos. A opção deve ser por explorações [?sem de?]gradação.

No conceito de agricultura auto-sustentável, procura-se alcançar altos rendimentos do solo e do agro-ecossistema. Nisso se fundamenta a teoria da sustentabilidade do ponto de vista agronômico, econômico, [?so?]cial. Produzir quantidade e qualidade [?como resul?]tado da melhoria do solo e do ambiente [?onde se planta é um?] sustentável só é viável com a obtenção de bons resultados, e isso requer uma educação para entender o agro-ecossistema e desempenhar responsabilidades morais e éticas.

[?Conclusão:?] que é a água, que de fator de destruição [?incon?]trolável (erosão), passou a liderar as [?vantagens do plantio direto, junto com a?] temperatura do solo, descompactação [?e o crescimento das?] plantas que são o objetivo principal na alimentação humana.

* Engenheiro Agrônomo, pesquisador do Centro Nacional de Pesquisa de Trigo — Passo Fundo

Engenheiro Agrônomo, pesquisador do Centro Nacional de Pesquisa de Trigo (CNPT-EMBRAPA), Passo Fundo (autor com nome ilegível no OCR — possivelmente Eliseu Neil Gasso ou similar)