O Instituto Agronômico do Paraná e o National Soil Erosion Laboratory (USA), firmaram um convênio de cooperação técnico-científica em julho de 1990. Em função deste convênio e com recursos do Programa PARANÁ-RURAL, o pesquisador da área de solos do IAPAR, Gustavo H. Merten realizou uma viagem de estudos entre os meses de outubro-novembro/91 aos Estados Unidos para visitar esta instituição e conhecer suas linhas de pesquisa, uma vez que é neste laboratório onde concentram-se os estudos em erosão e também para estudar metodologia de monitoramento hidrosedimentológico em pequenas bacias hidrográficas.
O National Soil Erosion Laboratory pertence ao ministério da agricultura dos Estados Unidos (USDA) e está localizado junto a Purdue University na cidade de West Lafayette no estado de Indiana. Este laboratório é reconhecido mundialmente pelas várias contribuições que tem dado nas pesquisas em erosão e também porque foram os cientistas deste laboratório que geraram a famosa Equação de Perdas de Solo (USLE).
Gustavo Merten teve a oportunidade de conhecer as principais linhas de pesquisa estudadas, que hoje concentram-se no detalhamento do processo erosivo em sulcos e entre sulcos bem como no aperfeiçoamento de um novo modelo de equação de predição de erosão denominado WEPP (Water Erosion Prediction Project). Esta nova equação de predição deverá substituir a antiga Equação Universal de Perdas de Solo (USLE). O objetivo destas equações é fazer predições de perdas de solo com base nas características de clima, solo, topografia e do sistema de manejos (tipo de preparo, cultura, etc.) adotada em uma gleba ou em uma pequena bacia hidrográfica. Nos Estados Unidos os agentes conservacionistas junto com os agricultores utilizam esta equação para auxiliar na seleção das práticas conservacionistas a serem implantadas nas propriedades agrícolas objetivando a redução da erosão.
No ano de 1992 os técnicos do Serviço de Conservação de Solos dos USA serão treinados para utilizarem a nova equação (WEPP), considerada um modelo de predição mais avançado, uma vez que esta incorpora novos conceitos que descrevem o processo erosivo. No entanto este novo modelo só foi possível ser desenvolvido a partir do esforço no conhecimento dos mecanismos básicos da erosão e também após um exaustivo trabalho de campo realizado em quase todo os USA, abrangendo diferentes solos e climas para determinar parâmetros necessários a este novo modelo.
“Nos Estados Unidos atualmente o problema da erosão e da poluição causada por agrotóxicos no meio rural constitui uma preocupação também na sociedade urbana, uma vez que a qualidade da água que abastece as cidades começa a ser comprometida tanto pelos sedimentos oriundos da erosão do meio agrícola como dos agrotóxicos que contaminam as águas de superfície e subterrâneas. A população urbana por sua vez pressiona os agricultores e as autoridades para que sejam implementadas medidas de controle para evitar contaminação das águas. Desta forma hoje nos Estados Unidos muitos recursos de pesquisa são destinados aos estudos de contaminação ambiental”, relata o pesquisador do IAPAR.
Durante a visita, Gustavo Merten também conheceu trabalhos em pequenas bacias hidrográficas, onde visitou o projeto da microbacia de INDIAN PINE estudada pela Purdue University. Nesta microbacia são monitorados de forma interdisciplinar os recursos naturais e sócio-econômicos. Também no estado de OHIO na cidade de COSHOCTON visitou uma estação experimental hidrológica com objetivo de conhecer metodologia de estudos de quantificação de erosão a nível de pequenas bacias hidrográficas. Nesta estação que conta com mais de 50 anos de pesquisa são feitos estudos de pesquisa de erosão a nível de grandes parcelas simulando condições de lavouras e áreas de pastagens, bem como o monitoramento da erosão e enxurrada de pequenas bacias hidrográficas. O monitoramento destas pequenas bacias são realizados em determinados pontos da rede de drenagem onde são instalados vertedouros para medição de vazão e amostradores de sedimento para sólidos em suspensão. Desta forma é possível avaliar se os sistemas de manejos empregados pelos agricultores em uma determinada bacia hidrográfica estão sendo eficientes no controle da erosão, uma vez que é através da rede de drenagem que são transportados os sedimentos e pesticidas para as fontes urbanas de captação de água. Nesta estação experimental também são realizados estudos de contaminação ambiental por agrotóxicos.
“Desta forma, os resultados desta viagem foram altamente positivos, uma vez que tivemos oportunidade de conhecer os avanços obtidos no entendimento e medição do processo erosivo e com isto possibilitar aqui no Paraná o aperfeiçoamento das técnicas para sua avaliação e seu controle”, concluiu Merten.
matéria sobre a viagem de estudos de Gustavo H. Merten — pesquisador da área de solos do IAPAR — ao National Soil Erosion Laboratory (USDA / Purdue University, West Lafayette-Indiana) em outubro-novembro/1991. Convênio IAPAR-USDA (julho/1990) + Programa PARANÁ-RURAL