Efeito de níveis de zinco combinado com fósforo no milho em plantio direto


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Publicado em: 30/12/1991

Objetivo

Na região dos Campos Gerais, predominam Latossolos Vermelho-Escuro, Latossolos Vermelho-Amarelo e Podzólicos Vermelho-Amarelo, ricos em óxidos e hidróxidos de ferro e alumínio, ácidos, pobres em bases e com baixa reserva natural de zinco. Aproximadamente 80% do cultivo de grãos na área de atuação da Fundação ABC, é realizado através do sistema de plantio direto. Esse sistema tem proporcionado: a) acúmulo de fósforo na superfície ao longo dos anos; b) “acidificação” desta camada devido a nitrificação da forma amoniacal oriunda dos fertilizantes nitrogenados aplicados nas culturas de trigo e milho e a mineralização da matéria orgânica, indicando a necessidade de calcário para neutralizar a acidez. A consequência tem sido a deficiência de zinco induzida na fase inicial de desenvolvimento da cultura do milho. O presente trabalho tem como objetivo avaliar a resposta de zinco e fósforo na produção de grãos de milho em função de doses crescentes desses elementos, aplicados no sulco da semeadura em sistema de plantio direto.

Metodologia

Foi conduzido um experimento na área do Sr. Albert Bouwman, localizada na Colônia Castrolanda, Município de Castro, no ano agrícola de 90/91, cuja unidade de mapeamento foi caracterizada como Latossolo Vermelho-Amarelo. A proeminente, textura argilosa fase campo subtropical e relevo suave ondulado. Os resultados analíticos da amostra de solo retirada do local antes da instalação do experimento, na profundidade de 0-15 cm e 15-30 cm, são apresentados na tabela 1.

Tabela 1 — Características químicas do solo. Castrolanda — Fundação ABC, 1991.

Local (Chácara Mirela)pH CaCl&sub2;Al³&sup+; (meq/100g)H+Al (meq/100g)Ca²&sup+; (meq/100g)Mg²&sup+; (meq/100g)K (meq/100g)CTC (meq/100g)P (ppm)M.O. (%)V (%)Classe de Fertilidade 0-15 cm4,80,138,524,351,810,5215,20207,548,59Alta 15-30 cm4,90,138,523,421,69[?0,10?]10,3714,006,6039,1Média/Alta

O delineamento experimental foi em parcelas sub-divididas com quatro repetições. Os tratamentos constituíram-se de doses de fósforo na parcela principal (0, 90 e 180 kg de P&sub2;O&sub5;/ha) e doses de zinco na sub-parcela (0, 3, 6, 9 e 12 kg de Zn/ha). A semeadura foi realizada três semanas após o manejo da cobertura verde de aveia preta com rolo faca, utilizando-se a plantadeira SLC, adaptada a esse sistema. A densidade de semeadura foi de 10 a 12 sementes/metro linear, com o híbrido Pioneer 3230. Após 15 a 20 dias de semeadura foi efetuado o desbaste, deixando 5 plantas/metro linear para atingir a população final de 55.000 plantas/ha com o espaçamento de 0,9 m entre linhas. O fertilizante foi aplicado utilizando-se o “disco de corte” seguido de um facão, 8 a 10 cm abaixo de semente. O zinco, na forma de sulfato foi aplicado no mesmo sulco de fertilizante N.K. Aos trinta e cinco dias após a emergência procedeu-se a adubação nitrogenada de cobertura com 70 kg de N/ha, forma de uréia. O total de N e K utilizado foi de 100 e 70 kg/ha, respectivamente.

No estádio de florescimento, procedeu-se a coleta da folha da base de espiga utilizando-se a parte central da folha de dez plantas para compor uma amostra. No estádio de grão leitoso, fez-se a medição de altura da planta em cada parcela. Na colheita, utilizou-se 4 metros das duas fileiras centrais, deixando 1,0 metro nas extremidades como bordadura. A área útil foi de 6,4 m² (1,6 m × 4,0 m).

Resultados e Discussão

As produções médias obtidas (tabela 2) apresentaram maior tendência de resposta à doses de zinco do que à fósforo.

Tabela 2 — Resposta a doses crescentes de Zinco combinadas com doses de fósforo na produção de grãos de milho. Castrolanda — Fundação ABC, 1991. (Valores em kg/ha.)

Doses de Fósforo (kg/ha)Doses de Zinco (kg/ha)Média de doses de PÍndice Relativo 036912 05.9746.7166.7945.9895.6266.219100 906.5176.6717.3136.5286.1046.627106 1806.3016.3766.4276.4376.5856.425103 Média de doses de Zn6.2646.5876.8456.3186.3186.423103 Índice Relativo10010510910197——

Observou-se que a adição de 3 e 6 kg de Zn/ha na dose zero de P&sub2;O&sub5; proporcionou acréscimos de 12 e 14% na produtividade respectivamente, enquanto que a adição de 90 e 180 kg de P&sub2;O&sub5;/ha na dose zero de zinco proporcionou apenas 9 e 5% de acréscimo na produtividade respectivamente. O melhor tratamento foi 6 kg de Zn/ha com 90 kg de P&sub2;O&sub5; proporcionando 12% de acréscimo e a maior produtividade obtida.

Observou-se efeito negativo na produtividade quando se utilizou 12 kg de Zn/ha tanto na ausência de fósforo quanto na dose de 90 kg de P&sub2;O&sub5;/ha. Entretanto, na dose de 180 kg de P&sub2;O&sub5;/ha não se verificou redução na produtividade indicando o efeito antagônico do fósforo sobre o zinco. Por outro lado, foi observado que os sintomas iniciais de deficiência de zinco desapareceram de acordo com o crescimento e desenvolvimento das plantas, com o descrito por IGUE e BLANCO (1962). Neste caso, o crescimento do sistema radicular explorando camadas com maior acidez, baixo teor de fósforo e maior disponibilidade de zinco, propiciou maior absorção, revertendo a situação de deficiência. Isto pode ser atribuído a dois aspectos:

a) Alto teor de matéria orgânica no solo:

MATZUDA e IKUTA (1969), mostraram a influência das forças de retenção da matéria orgânica sobre o zinco, formando quelatos deixando-o em menor disponibilidade. IGUE e BORNEMIZA (1969), relatam que a fração úmica retém 56% do Zn e a fúlvica 12%, indicando que a decomposição da matéria orgânica induz deficiência de Zn. Como o teor da matéria orgânica é menor em sub-superfície, naturalmente os efeitos negativos foram menores.

b) Alto teor de fósforo no solo:

SILVEIRA et alii (1976), trabalhando com solos do estado de SP, GO e MT observaram que as quantidades de Zn fixadas estão direta e significativamente correlacionadas com os teores de fósforo solúvel do solo. IGUE e BORNEMIZA (1967), relataram que é um processo antagônico e ocorre principalmente nas raízes.

Observou-se redução nos teores de zinco no tecido foliar quando elevou-se as doses de fósforo no solo.

Neste e outros experimentos realizados, tem sido observado o enegrecimento na base da raiz, caracterizando o processo antagônico através de formação de precipitados. Porém, os sintomas não evoluiram em função do desenvolvimento das plantas.

Conclusão

1. As doses de 3 e 6 kg de Zn/ha proporcionaram os melhores resultados.
2. A dose de 180 [?kg?] de P&sub2;O&sub5; de fósforo influiu na ocorrência e sintomas de deficiência [?de Zn?].
3. As doses de zinco foram mais efetivas do que as de fósforo, que pode ser explicado pelo [?alto?] teor de fósforo no solo não ocorrendo resposta.
4. As doses de fósforo reduziram o teor de zinco no tecido foliar.

Publicado nos “Resultados de Pesquisa” Safra de Inverno 1990 — Safra de Verão 1990/1991, Sociedade Cooperativa Castrolanda.

Eng° Agr° J. C. de Moraes Sá — Fertilidade do solo, Fundação ABC. Trabalho experimental na Colônia Castrolanda (Castro-PR), safra 90/91, em Latossolo Vermelho-Amarelo (textura argilosa). Híbrido Pioneer 3230. Publicado nos 'Resultados de Pesquisa' Safra de Inverno 1990 - Safra de Verão 1990/1991, Sociedade Cooperativa Castrolanda