Convênio Castrolanda - BASF: a busca conjunta da eficiência e produtividade


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Publicado em: 30/12/1991

HISTÓRICO

A saga dos imigrantes holandeses da Cooperativa Castrolanda, de Castro-Paraná, foi veiculada em todos os meios de comunicação do sul do País e nos periódicos especiais feitos para marcar as comemorações dos 40 anos da chegada dos pioneiros à Colônia Maracanã, nos Campos Gerais do Paraná, no final de 1951. Na verdade, o embrião da cooperativa já havia sido organizado na Holanda, algum tempo antes do navio Alioth zarpar de Roterdam, com 50 famílias, animais e equipamentos mínimos necessários para enfrentar o terreno desconhecido.

Esse terreno era pobre, campos secos e ralos, com banhados difíceis de utilizar, que tornaram os primeiros tempos duros, colocando à prova o brio daqueles homens, mulheres e crianças que iniciavam uma nova vida, distante da terra natal.

Durante muitos anos nessa luta, praticando uma agricultura e pecuária em cima de um substrato de baixa fertilidade e sujeito à degradação pela ação da chuva, os pioneiros da Castrolanda não imaginavam que a Cooperativa iria se transformar num dos núcleos exportadores de tecnologia agropecuária mais importante do país, ostentando uma eficiência e solidez econômica inigualável para os padrões brasileiros.

PLANTIO DIRETO

O atual presidente da Cooperativa Wibe de Jager foi um dos primeiros agricultores da Castrolanda a adotar o plantio direto em suas lavouras, adaptando máquinas e revertendo um processo que ameaçava inviabilizar os projetos agrícolas da comunidade. Wibe de Jager, juntamente com Nonô Pereira e Franke Dijkstra, formaram o trio de pioneiros que enfrentaram todas as dificuldades iniciais que a falta de uma tecnologia adequada impôs a quem desejava mudar a forma de cultivar o solo vulnerável dos Campos Gerais, nos primeiros anos da década de 70.

Hoje, passados quase 20 anos dessa inovação, quando mais de 90% das lavouras dos cooperados da Castrolanda são semeadas sem lavrar nem gradear a terra, o atual presidente, que há 18 anos não mexe no seu terreno, dá uma idéia da produtividade que a região obtém: 9 t/ha de milho e 3,5 t/ha de soja.

Recentemente um pesquisador francês abriu uma trincheira na sua propriedade e afirmou que nunca tinha visto coisa igual em solos tropicais. Foram contadas uma média de 200 minhocas por metro quadrado e as raízes alcançavam até 1,40 m de profundidade. Pelo trabalho da micro fauna habitante do solo, foram identificados nichos de matéria orgânica a 80 cm.

Trabalhos realizados

A partir de 1986 até 1991 (inverno) foram realizados, por área de pesquisa aplicada, os seguintes trabalhos experimentais:

— Cultivares (Seleção, Ecologia e práticas culturais) — 80 trabalhos
— Manejo e Fertilidade de Solo e planta — 33 trabalhos
— Herbicidas e Controle de ervas — 31 trabalhos
— Pastagem e forrageiras — [?2 trabalhos?]
— Cultivares (Seleção, ecologia e práticas culturais) — 40 trabalhos
— Manejo e fertilização de solos e plantas — 11 trabalhos
— Sucessão de culturas — 9 trabalhos
— Controle de ervas — [?1 trabalho?]
— Culturas alternativas — 12 trabalhos
— Fungicidas e Controle de doenças — 9 trabalhos
— Inseticidas e Controle de praga — 1 trabalho
— Fruticultura — 1 trabalho
— Custos de produção — 3 trabalhos
— Fitorreguladores — 2 trabalhos

Total: 4.507 pessoas em visitação durante o período de 1986 a 1991 (inverno):
— Excursões: 1.890 pessoas
— Dias de Campo: 1.724 pessoas
— Manhãs ou tardes de campo: 638 pessoas
— Treinamentos: 255 pessoas

A resolução da questão produtividade/erosão permitiu à comunidade holandesa da Castrolanda direcionar suas energias para a solução de outras questões. Agora, ao completar 40 anos, a Cooperativa destina 10% de um orçamento anual de 70 milhões de dólares para investir na diversificação de atividades, como uma forma segura de crescimento.

CONVÊNIO BASF

A partir de 1986, a Sociedade Cooperativa Castrolanda passou a desenvolver trabalhos de experimentação para as lavouras de inverno e verão, além das culturas perenes, em convênio com a BASF Brasileira.

Numa área nobre de 27 ha, nas imediações da sede, todas as inovações tecnológicas que são introduzidas nas lavouras dos cooperados, são testadas em todas as suas variáveis. Segundo o Engenheiro Agrônomo Rudimar Molin, coordenador técnico da Estação Experimental, a tecnologia em teste só é repassada para uso a nível das propriedades depois de comprovada sua eficiência dentro da Estação. Há dois anos na Castrolanda, Molin demonstra entusiasmo com o trabalho que coordena. Com uma reconhecida capacidade de sistematização, ele também está entusiasmado com as perspectivas de rendimento tecnológico do campo experimental, principalmente pelos novos materiais em testes, como a Canola, opção de inverno que começa a ganhar espaço como uma importante saída para o sistema de produção do grupo ABC, e pelo funcionamento da Estação meteorológica importada dos Estados Unidos, que já está em funcionamento no campo. Segundo Molin, a estação fornece dados importantes sobre o clima da região, formando um histórico minucioso, o que permitirá correlacionar todos os itens importantes para que se determine as probabilidades de épocas indicadas como de maior sucesso para as atividades agropecuárias regionais. Além disso, ela fornecerá elementos para o monitoramento da irrigação e outras inúmeras possibilidades. “A Estação meteorológica, sem dúvida, é um grande investimento tecnológico”, conclui Rudimar Molin.

UNIÃO SADIA

“O Convênio Sociedade Cooperativa-Castrolanda - BASF é uma união sadia.” A afirmação tranquila é do Engenheiro Agrônomo Josué Pavei, chefe do [?departamento?] técnico da Cooperativa. Trabalhando há 12 anos na instituição, Josué acompanhou o desenvolvimento tecnológico que elevou a região à categoria de polo difusor maior do plantio direto na palha e de diversos sistemas de produção para milho, soja, feijão, etc., hoje usados em diversas regiões do país e do exterior.

Carlito Loss, engenheiro agrônomo, coordenador técnico da Fundação ABC, era gerente de desenvolvimento da BASF na época em que o convênio foi criado, tendo sido um dos mentores da sua execução. Ele conta que, no começo, o projeto parecia utópico. “As pessoas perguntavam se iria dar certo algo que não havia ocorrido antes, ou seja, uma empresa do ramo agroquímico trabalhando em conjunto com uma cooperativa, para fazer pesquisa. As dúvidas, na época, eram de como a BASF teria retorno dos recursos investidos”.

“Hoje”, afirma Carlito Loss, “essa fase está superada porque, com o decorrer do tempo, ficou claro que os interesses eram mútuos. A BASF sempre teve interesse no plantio direto e também no desenvolvimento da agricultura como um todo. Hoje”, finaliza ele, “sabemos que não adianta ter bons produtos, possuir os quesitos para se fazer uma boa agricultura e todo esse complexo não estar bem difundido entre os produtores e técnicos.”

matéria-página inteira sobre o convênio entre Sociedade Cooperativa Castrolanda (Castro-PR) e BASF Brasileira (iniciado em 1986). Inclui depoimentos de Wibe de Jager (presidente), Rudimar Molin (coordenador técnico da Estação Experimental), Josué Pavei (chefe do depto técnico) e Carlito Loss (Fundação ABC, ex-gerente BASF). Histórico desde a chegada dos imigrantes holandeses em 1951 (navio Alioth, Colônia Maracanã)