Plantio Direto com sucesso em Campo Mourão


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Publicado em: 30/03/1992

“O controle de ervas foi muito bom, praticamente não temos ervas nas lavouras, está tudo limpo. Apesar de termos ervas difíceis, como o amendoim bravo e outras existentes na região, tivemos um ano tranquilo com uso de Scepter, em 70% da área, e Pivot nas áreas em que as ervas foram controladas em pós-emergência.” Engenheiro Agrônomo, presidente do Núcleo dos Engenheiros Agrônomos de Campo Mourão, produtor e administrador da Fazenda Ipê há 12 anos, Valdomiro Bognar compareceu a um dos dias de campo na FT, em Ponta Grossa, onde falou sobre a condução do plantio direto na palha que faz desde que assumiu a Ipê.

Com mais de 3.000 ha de área plantada no verão, toda ela com semeadura direta há cerca de 15 anos, a Ipê alcança produtividades elevadas em trigo, soja e milho, suas principais culturas. A média de colheita na soja tem alcançado 3.000 kg/ha, num solo considerado de baixa fertilidade, com alto teor de alumínio, que necessita de correções.

“Em 1980, quando assumi a Fazenda”, informa Bognar, “não tínhamos a tecnologia hoje disponível para fazer plantio direto. Não existiam os herbicidas da geração hoje à disposição dos produtores, as máquinas estavam no começo do seu desenvolvimento e a própria terra ainda precisava encontrar um ponto melhor de fertilidade. O começo foi difícil.”

Como as principais vantagens do sistema, Valdomiro Bognar destaca o controle da erosão e a facilidade de mecanização, numa área grande pois o plantio direto permite uma maior rapidez nas operações de plantio, principalmente, que é um momento fundamental da condução da lavoura. As operações básicas são três: manejo, plantio e colheita, com alguma aplicação de inseticida ou pós-emergente, no intervalo, que não chegam a ser significativos no contexto geral. Segundo ele, o município conta com uma [?ampla maioria dos produtores em PD, que não?] desistem diante das dificuldades, especialmente pelo nível de compactação que ocorre nas terras roxas estruturadas dos arredores de Campo Mourão.

“Hoje, para mim”, confirma Bognar, “a dificuldade maior seria voltar ao plantio convencional. Nós não temos máquinas para isso e nem a terra comportaria pois nós tiramos mais da metade das curvas de nível e, se voltássemos a mexer no solo, a primeira chuva levaria tudo, sementes, fertilizantes, matéria orgânica, para o Rio Mourão.”

Finalizando, o presidente dos agrônomos de Campo Mourão afirmou que continuar no plantio direto só traz benefícios, pois além da economia em combustível, mão-de-obra e tempo, economizamos aquilo que precisamos deixar para os filhos: o solo, de preferência cada vez mais fértil. E o plantio direto permite essa certeza.

Valdomiro Bognar — Eng° Agr°, presidente do Núcleo dos Engenheiros Agrônomos de Campo Mourão-PR e administrador da Fazenda Ipê (3.000+ ha em PD há 15 anos). Média de soja 3.000 kg/ha