Situação atual do plantio direto nos Estados Unidos


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Publicado em: 30/03/1992

Os primeiros ensaios de plantio direto nos Estados Unidos começaram ao redor do ano de 1960. Em meados dos anos 60 foram introduzidos o herbicida Gramoxone e a primeira semeadora Allis-Chalmers. O uso da técnica começou logo numa escala significativa, principalmente nos Estados de Virginia, Maryland, Delaware, Pennsylvania, Ohio e Kentucky. Estes mesmos estados também tiveram programas pioneiros na investigação dos métodos de plantio direto. No final da década de 60 parecia que com a cultura do milho o sistema iria ter um grande êxito. Sem dúvida, isto não ocorreu de acordo com o esperado.

Um inimigo insuspeitado do milho, o sorgo de alepo, habitante das terras baixas inundáveis, de repente, subiu às terras altas e invadiu, especialmente, os campos de milho em plantio direto. Não havia defesa alguma e, no decurso de poucos anos, o percentual de milho em semeadura direta em Kentucky caiu em torno de 30 para 20%.

Durante o mesmo período iniciou um novo sistema de cultivos: soja de segunda, depois da cevada. Não havia bom mercado para a cevada e, por isso, trocou-se a cevada pelo trigo, o qual requeria duas semanas a mais para maturar. Para poder acomodar-se ao sistema trigo-soja [?passou-se a fazer a semeadura?] direta de soja na palha do trigo, ganhando de cinco a dez dias. Resultou que os rendimentos da soja subiram, os custos baixaram e a área de trigo-soja cresceu rapidamente, especialmente nos Estados de Kentucky, Tennessee, Carolina do Norte, Virginia, Maryland e Delaware. Em muitos casos, para controlar o Sorgo de Alepo, chegaram a produzir milho em cultivo convencional, o trigo sob cultivo mínimo e a soja em plantio direto. A chegada do Fusilade ampliou a possibilidade de controlar o Sorgo e o percentual de soja de segunda, sob plantio direto, em alguns estados subiu para 75%. O percentual de milho sob plantio direto ficou em torno de 20-30% nos mesmos estados.

DESENVOLVIMENTO

A lei agrícola de 1985 propôs o uso de planos de conservação em nível nacional no ano de 1990. A segunda lei agrícola de 1990 vinculou os planos de conservação e participação dos agricultores em programas subsidiados do governo. Quase no mesmo momento chegaram dois herbicidas sistêmicos para o controle do Sorgo de Alepo, em milho: Accent e Beacon. A combinação de um incentivo por parte do governo e a disponibilidade de bom controle de Sorgo de Alepo em milho teve um efeito imediato, em dois anos. Das tendências dos últimos 4 anos se vê que com milho, soja de primeira e soja de segunda e ainda com grãos finos, o sistema plantio direto está crescendo enormemente.

MILHO

No caso da cultura do milho, ocorreu três tipos de desenvolvimento. Os estados que já tinham uma história maior no plantio direto seguem com uma taxa de 25% ou mais e mostram ligeiro aumento nos últimos 4 anos. O Estado de Virginia é um exemplo representativo dos estados de Delaware, Maryland, Virgínia, Kentucky, Ohio e Pennsylvania. O Estado do Tenessee representa outra tendência onde a proporção do milho no [?plantio direto subiu rapida?]mente em 4 anos. Porém, o exemplo de Illinois é o mais significativo de todos. Embora o percentual seja só de 12%, ele significa 500 mil hectares de um total de mais de 4 milhões. Por isso, o aumento em área é maior em Illinois do que em qualquer outro estado. Outros estados na mesma categoria são Indiana, Nebraska, Michigan e Missouri. Os dados indicam claramente que a técnica está se difundindo. No ano de 1991 haviam 17 estados com mais de 10% de milho em plantio direto e um total de quase 3 milhões de hectares em todo o país.

SOJA DE SEGUNDA

De todos os sistemas de plantio direto, a soja de segunda teve mais êxito na região onde é possível praticar este sistema. Ele é mais popular no sudeste e na parte sul do cinturão do milho. O estado com proporção mais alta é Maryland, com 92% de soja de segunda em plantio direto, porém, existem mais 8 estados com taxas de 80% ou mais. A tendência é ter um aumento muito rápido nos estados onde o percentual atual é bastante baixo. Parece que este sistema vai seguir tendo a proporção mais alta de plantio direto, principalmente porque resulta mais eficiente em relação à economia de tempo, umidade do solo, perda de solo e, enfim, lucros. Talvez, o mais importante é que o mês de junho virtualmente não existem problemas de solos úmidos e frios. O segundo fator é a boa cobertura que sobra das culturas de grãos finos.

SOJA DE PRIMEIRA

Durante muitos anos, a aceitação do plantio direto com soja de primeira foi muito lenta. Sem dúvida, durante os últimos anos, a área de semeadura direta cresceu mais rápido que a de milho. Um fator importante no crescimento da técnica é a disponibilidade de herbicidas eficientes. Outro fator é o desenvolvimento de semeadoras que funcionem bem.

O percentual é alto somente no Estado de Delaware, porém, a tendência de aumentar é muito forte, tanto no cinturão do milho como no delta do Rio Mississipi, as duas grandes regiões onde se planta a maior parte da soja de primeira. Informações de vendas de máquinas falam de um grande aumento no número de semeadoras vendidas no ano passado. Talvez, a tendência ao uso de plantio direto em soja de primeira é o mais importante de todos, porque oferece um melhoramento extraordinário da proteção do solo sob esta forma de cultivo.

TRIGO E CEVADA

A semeadura de grãos finos no outono possui uma larga história de manejo conservacionista que começou na década de 30 com “stubble Mulch” em Kansas. Essa tradição e o alto custo para comprar novas semeadoras para plantio direto fizeram com que o movimento em direção à semeadura direta com grãos finos tenha sido lento. Sem dúvida, a grande concorrência na indústria de máquinas de semear diretamente e a possibilidade de plantar soja com as mesmas máquinas, ultimamente teve um grande avanço. O número de hectares de cereais de inverno em plantio direto aumentou rapidamente nos últimos 4 anos e no ano de 1991 havia um total de quase 900 mil hectares. Em Missouri existem 88 mil hectares, cifra que representa 11% dos grãos finos. O segundo Estado é Ohio, com 72 mil ha e 15%; e o terceiro é Illinois, com 71 mil ha e 11%. Kentucky tem o percentual mais alto, com 20% e 48 mil ha. A taxa de crescimento é bastante grande. Em Kentucky, por exemplo, o percentual já é o dobro do que era há quatro anos. Já que as ervas invasoras em grãos finos de inverno não são um problema sério, o aumento parece ser o começo de uma revolução no cultivo de trigo e cevada.

CONCLUSÕES

O estado atual do plantio direto nos Estados Unidos mostra que o sistema tende a crescer significativamente no futuro. A combinação de herbicidas eficientes, programas estatais agressivos para promover a conservação do solo e as vantagens econômicas da semeadura direta fazem que o uso da técnica em soja de primeira e com grãos finos tenha começado a difundir-se numa escala impressionante. Entretanto, em soja de segunda, 50% já está sob plantio direto e ainda segue crescendo. O milho, depois de haver sofrido um retrocesso frente ao Sorgo de Alepo, está nos níveis anteriores com a ajuda dos herbicidas novos que controlam essa invasora.

O futuro do plantio direto nos Estados Unidos e em outros países depende da rentabilidade do sistema a longo prazo. A diminuição nos custos de herbicidas, a concorrência na indústria de semeadoras e a poupança de combustível favorecem economicamente o plantio direto. A prova final a longo prazo será que a prática do plantio direto resulte na conservação do solo, o recurso não renovável.

Grant W. Thomas — Universidade de Kentucky, USA. Análise do crescimento do plantio direto em milho, soja de primeira, soja de segunda e grãos finos (trigo/cevada) por estado americano. Cita histórico desde 1960 e leis agrícolas de 1985 e 1990