Milho: evolução da cultura plantada a campo


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Publicado em: 30/03/1992

Um dos pontos mais importantes da área demonstrativa do 1º Encontro Nacional de milho e Sorgo, realizado de 17 a 21 de fevereiro de 1992, em Ponta Grossa-PR, foram as parcelas elaboradas e semeadas pelo departamento técnico de Pesquisas de Sementes Selecionadas Colorado, de Orlândia-SP. O material plantado mostrou a evolução da cultura do milho através do tempo, resultado de um trabalho de pesquisa notável e que atraiu a atenção de todos os que visitaram o campo do Iº Encontro.

O esquema histórico que foi demonstrado nas parcelas é o que reproduzimos a seguir:

DOMESTICAÇÃO, EVOLUÇÃO E UTILIZAÇÃO DO VIGOR HÍBRIDO DO MILHO

I. PARENTES SELVAGENS DO MILHO

1. ADLAY — Gramínea originária do Norte e Nordeste da Índia. É o único parente do milho que é asiático. Tem 15 a 18% de proteína no grão e tem potencial para produzir de 3 a 6 ton/ha. Em mistura de até 30% com farinha de trigo produz pão de qualidade nutritiva superior ao pão de trigo.

2. ROSÁRIO — Ao contrário do ADLAY é uma variedade selvagem. É usado apenas na confecção de rosários e adornos. Na China tem sido usado como planta medicinal na cura de doenças do aparelho urinário. Assim como o ADLAY, o ROSARIO não consegue cruzar-se com o milho e seus parentes do Continente Americano.

3. TRIPSACUM — É originário da América e encontra-se largamente distribuído do Canadá até a Argentina. Cruza-se com o milho com certa dificuldade produzindo tipos denominados Tripsacóides que frequentemente são resistentes a insetos de folha. É usado como forrageira em algumas regiões da América.

4. TEOSINTE “EL BATAN” — Natural do México e Guatemala. É o capim que deu origem ao milho 7.000 a 10.000 anos atrás. Foram os indígenas que domesticaram o Teosinte transformando-o no milho cultivado. Tem panícula (flexa) um pouco semelhante à do milho mas não tem espigas. Os grãos, ao contrário, são colocados uns sobre os outros numa fileira única formando uma espigueta com 6 a 12 sementes. Os grãos são cobertos por uma casca muito dura que protege as sementes dos parasitas. Em programas de melhoramento serve como fonte de genes para resistência a doenças e aos insetos, para qualidade do colmo e alto teor de proteína, frequentemente ao redor de 30% ao invés de 9 a 10% que é encontrado no milho comum.

II. EVOLUÇÃO DO MILHO

5. EL BATAN — É o parente mais próximo do milho. É precoce ao contrário dos outros teosintes que florescem de 30 a 120 dias após o florescimento do milho. Como os outros teosintes o EL BATAN cruza-se facilmente com o milho e produz híbridos férteis. Ao contrário do milho que é domesticado, o teosinte não necessita do homem para se multiplicar. A espiga como não tem sabugo se fragmenta quando seca, lançando os grãos no solo que germinam por ocasião das chuvas da primavera.

6. TEOSINTE “LUXURIANS” — É natural da Guatemala e cresce em região montanhosa de 1.500 a 2.000 m de altura. Tem porte ao redor de 3 metros e produz pequena quantidade de sementes em relação a massa vegetativa. Tem dormência pronunciada nas sementes.

7. TEOSÓIDE — São os primeiros tipos resultantes da domesticação do teosinte. Surgem as espigas com sabugo fino e pequeno número de fileira de grãos, geralmente 4 a 8, cobertas por palhas compactas que as protegem. A domesticação, portanto, se iniciou com a formação do sabugo a partir de material da casca dura do teosinte e com o aumento simultâneo do número de fileiras de grãos. As sementes são pequenas, como as do milho pipoca ou milho Cateto.

8. MAZÓIDE — Tipos que na sequência da evolução, surgiram após os Teosóides sob a ação da seleção feita pelos indígenas da América Central. A seleção trouxe aumentos no número de fileiras de grãos, no comprimento das espigas e no tamanho da semente. Com isso os grãos foram passando de tipo pipoca para tipo duro e consequentemente para tipo meio dente e dentado finalmente.

9. POPULAÇÃO 18 — Apresenta plantas altas, espigas longas com 12 a 16 fileiras de grãos do tipo dentado. É do tipo das primeiras variedades que foram usadas para a produção dos primeiros híbridos de milho na América.

10. SOUTH AFRICAN — É uma variedade de milho selecionada para ampla faixa de adaptação. Tem porte baixo e espigas grandes com alto número de fileiras de grãos. É o tipo do milho moderno que hoje é usado para a síntese dos híbridos de ciclo curto: pequenos e superprecoces.

III. UTILIZAÇÃO DO VIGOR DO HÍBRIDO

11. SÍNTESE DO HÍBRIDO SIMPLES — Obtido a partir do cruzamento de duas linhagens puras distintas. As linhagens puras são obtidas após a autofecundação das plantas por 6 a 8 gerações consecutivas. Esses autocruzamentos são feitos mão uma vez que o milho autofecunda-se na natureza com uma taxa apenas de 10%. O híbrido simples é o mais uniforme de todos os tipos de milho híbrido. Todas as plantas são geneticamente iguais e consequentemente igualmente produtivas. Daí serem os híbridos simples em média mais produtivos que os outros tipos de híbridos de milho. Geralmente tem faixa de adaptação menor em consequência da alta uniformidade genética.

12. SÍNTESE DE HÍBRIDOS TRIPLOS — Obtidos do cruzamento de um híbrido simples com uma linhagem pura não aparentada. Tem menor uniformidade que a de um híbrido simples mas é mais uniforme que um híbrido duplo. Em média, tem adaptação mais ampla que a de um híbrido simples, podendo, desse modo, ser cultivado em regiões mais amplas e frequentemente apresentam maior variação em solo e clima.

13. SÍNTESE DE HÍBRIDO DUPLO — Resulta do cruzamento de dois híbridos simples distintos. Como consequência apresentam na lavoura uma maior variação genética entre as plantas. Tem, pois, a desvantagem de ser menos uniforme que os híbridos triplos e os híbridos simples, mas tem a vantagem de se adaptarem melhor às variações de solo e clima que frequentemente ocorrem em uma vasta região produtora do milho.

14. SÍNTESE DE HÍBRIDO INTERVARIETAL — É um cruzamento de duas variedades de milho. Como as variedades não são geneticamente puras, como as linhagens, quando cruzadas produzem o híbrido intervarietal que é também variável. Pois apesar de aparentadas, todas as plantas de um híbrido intervarietal são geneticamente diferentes. Como consequência são geralmente menos produtivos que os outros híbridos citados, mas tem ampla faixa de adaptação.

Conclui-se que a medida que as técnicas de cultivo de milho vão se aperfeiçoando os agricultores vão caminhando na seguinte ordem de exigência: VARIEDADE — HÍBRIDO INTERVARIETAL — HÍBRIDO DUPLO — HÍBRIDO TRIPLO — HÍBRIDO SIMPLES.

esquema histórico em 14 estágios (Domesticação, Evolução e Utilização do Vigor Híbrido do Milho) demonstrado nas parcelas do 1º Encontro Nacional de Milho e Sorgo. Pesquisas de Sementes Selecionadas Colorado (Orlândia-SP)