“A montagem de um convênio para cooperação técnica, no Campo Experimental, entre a Cooperativa Batavo e a ICI, no ano de 1989, deveu-se a alguns fatores principais. Entre eles, destacamos a importância da Cooperativa ter uma empresa idônea como parceiro, para ajudar a suportar os encargos financeiros e, principalmente, trazer informações, trocar informações que agilizassem o sistema proposto no trabalho de pesquisa e demonstração.”
As declarações são do Engenheiro Agrônomo e chefe do Departamento técnico da Cooperativa Batavo, de Carambeí, Castro-PR, Clayton Born Alves, que trabalha na cooperativa há 17 anos e acompanhou os passos e assinatura do Convênio firmado com a ICI.
Nessa troca de informações e serviços, Clayton cita a montagem de um projeto que está sendo conduzido no Campo Experimental para tratamento de destinação de resíduos e embalagens de agroquímicos. Segundo o projeto, que servirá de modelo, tudo o que sair de sujeira, de resíduos serão tratados de forma conveniente, como já está sendo feito em outras estações da ICI.
“Outro projeto que conta com apoio técnico da empresa é a montagem de uma sala especial para treinamento de operadores em pulverizadores, regulagem de pressão, bicos, etc. O pessoal da ICI está ajudando, não só no fornecimento de materiais, de recursos mas também na montagem do programa, onde eles possuem maior experiência”, prossegue o Engenheiro Agrônomo.
Para Clayton Alves, o objetivo básico do Campo é levar tecnologia a um número maior de agricultores. A nova filosofia, que está sendo implementada pelo departamento técnico da Batavo, de acordo com o gerente técnico do Campo Engenheiro Agrônomo Nelson Freire, é levar os produtores e operadores ao Campo Experimental para fazer todo tipo de treinamento como regulagem de semeadoras e colheitadeiras, pulverizadores, além da visita natural às parcelas onde estão plantadas novas variedades e a tecnologia usadas para as [?lavouras?].
ICI
“Nós hoje aqui estamos com patamares incomparáveis em termos de Brasil se considerarmos os resultados que a região tem obtido em produtividade, conservação de solos e a própria diversificação de culturas.” As afirmações são do Engenheiro Agrônomo Antonio Marques (Brasinha), da ICI, que trabalha há 12 anos na região, tendo sido funcionário da própria Batavo, em Tibagi. Entusiasmado com as respostas do Convênio do Campo Experimental, Marques explica como foi montado o projeto da participação de sua empresa.
“Graças ao convênio”, explica ele, “nós somos a única empresa que pode fazer treinamento do seu pessoal dentro do campo, sem autorizações especiais.”
Dentro do contrato, coube a ICI 4 parcelas de 50 m × 50 m mas os trabalhos de pesquisa ali realizados são determinados junto ao departamento técnico da Batavo e analisados pela Comissão Agrícola, que ajuda a administrar o campo.
No trabalho de divulgação, a ICI traz grupos de agricultores de outras regiões do país para visitas ao Campo, onde a tecnologia é apresentada pelos agrônomos da Batavo, em conjunto com os da própria empresa, nas 4 parcelas que orientam. “Trata-se de uma fórmula eficiente da veiculação da tecnologia aqui gerada”, segundo Marques, “e o nosso campo está sendo solicitado para servir de modelo [aos] campos experimentais de cooperativas do Estado de São Paulo”.
As 4 parcelas que a ICI [?orga?]niza estão assim distribuídas, segundo as informações do Engenheiro Agrônomo Marques: 1 - Coberturas verdes usadas na região, com manejo dessas coberturas [para] plantio direto. São 10 culturas de cobertura diferentes. 2 - Plantio convencional, com demonstrações das culturas de soja, milho e feijão. 3 - Rotação de culturas, que inclui até batata, cujo cultivo está sendo introduzido na área de abrangência das cooperativas da Fundação ABC. 4 - Produtos ICI para soja, feijão, milho, batata, etc.
COMISSÃO
A Cooperativa Batavo montou uma comissão especial para coordenar os trabalhos do Campo Experimental. Hoje, as programações foram melhoradas e a dinâmica do campo é notável. Graças a essa comissão, formada por seis agricultores, o gerente técnico do campo e mais um representante da ICI, os assuntos e planos relativos aos trabalhos a serem montados no campo são debatidos e encaminhados com maior eficiência. Reunida mensalmente, ela avalia os trabalhos instalados nas parcelas, sugerem, fazem alterações de programações, direcionam a compra de máquinas e implementos e definem a contratação de pessoal.
No campo anterior, que possuía somente 7 ha, não havia [espa]ço para todos os experimentos. Dentro do atual, com 37 ha, existem inúmeros trabalhos da própria [Coopera]tiva Batavo, da Fundação ABC, da Universi[dade] de Ponta Grossa, da ICI e de diversas outras entidades.
Para a Cooperativa Batavo, segundo informa Clayton Alves, o [departament]o técnico faz reuniões periódicas dentro do Campo, o que significa uma reciclagem permanente para o pessoal. Além disso, cada engenheiro agrônomo, de 2 em 2 meses leva um grupo de produtores, o que também implica numa preparação constante.
matéria sobre o convênio Cooperativa Batavo (Carambeí, Castro-PR) × ICI no Campo Experimental (1989). Depoimentos do Eng° Agr° Clayton Born Alves (chefe depto técnico Batavo, 17 anos) e do Eng° Agr° Antonio Marques (Brasinha, ICI, 12 anos região)