Falando em nome da CAAPAS — CONFEDERAÇÃO DE ASSOCIAÇÕES AMERICANAS PARA A PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA SUSTENTÁVEL, o produtor rural Franke Dijkstra, presidente da Fundação ABC, de Carambeí-PR, efetuou uma palestra de vinte minutos no Fórum Global, das entidades não governamentais, evento paralelo à Conferência Mundial Sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro, no mês de junho.
Para um público heterogêneo e não obrigatoriamente ligado à agricultura, Franke ressaltou os aspectos básicos do histórico e da sustentabilidade do Sistema Plantio Direto na Palha, como uma das formas práticas de reverter o quadro degenerativo que ameaça inviabilizar a produção de alimentos no mundo. Entre outras afirmativas, o Presidente da Fundação ABC disse que “o ponto chave do sistema é a manutenção dos resíduos da cultura anterior na superfície, pois isto cria uma cadeia biológica que favorecerá a melhoria das propriedades físicas culturais e tira o máximo sem exaurir o solo”. A abordagem feita por Franke Dijkstra foi a seguinte:
INTRODUÇÃO
Recentemente foi constituída a Confederação de Associações Americanas para a Produção Agropecuária Sustentável (CAAPAS), onde participam os seguintes países: México, Chile, Argentina, Uruguai e Brasil.
O objetivo básico da união destes países foi estabelecer um intercâmbio técnico e científico visando o desenvolvimento agropecuário racional e sustentável, unindo ecologia e lucratividade.
Representando esta entidade, será apresentada a experiência do trabalho adotado na Região dos Campos Gerais, Centro-Sul do Paraná.
Resultados positivos no programa de produção de grãos se encarregaram da divulgação, sendo assim, a maioria dos produtores aderiram ao sistema.
O sistema tem como base o não revolvimento de solo, ficando o mesmo protegido das intempéries (sol, chuvas e vento), sendo necessário apenas uma pequena abertura para colocação das sementes.
A viabilidade do sistema não se restringe apenas a uma microrregião, é aplicável para as mais diversas situações no mundo.
APLICAÇÃO
A expansão da fronteira agrícola causou sérios problemas ao ecossistema. A mecanização ainda não tem cem anos, evoluiu rapidamente porém, o manejo inadequado das máquinas proporcionam ainda consequências assustadoras.
As cicatrizes deixadas pelo seu uso inadequado são visíveis em quase todas as áreas agrícolas do mundo, porém, com maior intensidade nos solos de regiões com clima tropical e subtropical.
A experiência mostrou a que nível podemos chegar com a degradação. Utilizando formas tradicionais de preparo intensivo numa área com 10 anos de cultura, a agricultura se tornou inviável. Ao comparar com a área vizinha, com três anos de cultivo não se observou problemas. Podemos concluir que é uma questão de tempo e caso não usarmos adequadamente a máquina, o solo se degradará rapidamente.
O Sistema de Plantio Direto é dinâmico, enquanto colhe-se uma safra planta-se outra simultaneamente. Pode ser aplicado tanto em grande como em pequenas áreas. O ponto chave desse sistema é a manutenção dos resíduos da cultura anterior na superfície. Isto cria uma cadeia biológica que favorece a melhoria das propriedades físicas e químicas do solo. Assim, foi possível estabelecer a sequência [?do plantio?] e tirar o máximo sem exaurir o solo.
O sistema não é seletivo para culturas sendo possível aplicá-lo para as mais diversas, desde que observada a economicidade.
Temos neste sistema uma aproximação daquilo que a natureza nos fornece, ou seja, tendemos para o equilíbrio.
Atualmente está disponível tecnologia para produzir sem degradar e isto depende do usuário. Não é um produtor isolado que aceita a erosão como consequência natural da necessidade de produzir grãos.
Para o desenvolvimento do sistema foi necessária a união dos segmentos envolvidos na produção. A participação do produtor foi a melhor forma para se atingir o resultado desejado. A divulgação, e até mesmo a insistência, é necessária para que se conscientize os segmentos envolvidos.
Na pesquisa aplicada inúmeras alternativas de culturas e suas combinações foram testadas.
Os efeitos de uma cultura sobre a outra, favorecendo ou prejudicando o desenvolvimento foram marcantes. Cresceu o controle de plantas daninhas, interrompeu-se o ciclo de pragas e doenças.
As experiências também evidenciaram que a rotação de culturas tem efeito sobre a fertilidade do solo e a necessidade de adequação no fornecimento de nutrientes e forma de adubação.
Em resumo, utilizamos insumos racionalmente e tão somente quando necessário.
Como resultado temos hoje o mínimo de poluição das águas, seja por partículas do solo ou produtos químicos de qualquer natureza. Os solos sem erosão recuperam ou melhoram sua qualidade física, apresentam ótimas condições para o desenvolvimento biológico e portanto a elevação de produtividade foi uma consequência.
“Nós não herdamos nossos solos, e sim o tomamos emprestado de nossos filhos.”
O envolvimento da geração atual no preparo das novas gerações no sentido de preservar o meio ambiente é responsabilidade intransferível.
Frank (Franke) Dijkstra — produtor rural, presidente da Fundação ABC (Carambeí-PR). Palestra de 20 minutos no Fórum Global da Rio-92, em nome da CAAPAS (Confederação de Associações Americanas para a Produção Agropecuária Sustentável)