Para o professor Antonio Fancelli, da ESALQ que esteve em Passo Fundo para falar no seminário regional sobre a cultura do milho “os ganhos significativos de produtividade obtidos nos últimos três anos, compensaram a estagnação que o milho apresentou na última década”. A cultura ganhou importância e evoluiu em regiões específicas como a de Ponta Grossa, no Paraná, Rio Verde, em Goiás, Maracaju e Dourados, no Mato Grosso do Sul e Cruz Alta e um pouco Santa Cruz do Sul no Rio Grande do Sul.
Um dos fatores que propiciou essa nova explosão do milho foi, na opinião de Fancelli, o “famigerado Plano Cruzado, quando o governo acenou com segurança e o agricultor pode investir adequadamente na cultura”. Por problemas políticos e conjunturais não houve continuidade no apoio governamental, mas o agricultor teve a oportunidade de constatar que se colocar tecnologia e cuidados haverá lucratividade, uma vez que “o potencial de produtividade é praticamente ilimitado. Coisa que não ocorre com soja, trigo, feijão e outras culturas”.
A partir disso, muitos passaram a investir, mudando a realidade do milho, que até então não tinha tanta importância como agora. Para Antonio Fancelli os problemas mais sérios para o milho são a concentração do mercado consumidor e a estrutura de armazenagem. “O Brasil peca demais na questão do armazenamento, e isso prejudica a circulação da mercadoria num fluxo mais tranquilo. O agricultor é sempre forçado a vender rapidamente, os preços mínimos não satisfazem, falta agilidade dos AGFs e EGFs. Isso faz com que o plantador fique perdido, gerando instabilidade”.
Prof. Antonio Fancelli (ESALQ-Piracicaba) — análise dos ganhos da cultura do milho nos últimos 3 anos e do papel do Plano Cruzado. Cita Ponta Grossa-PR, Rio Verde-GO, Maracaju e Dourados-MS, Cruz Alta-RS, Santa Cruz do Sul-RS