Por Eng. Agr. Victor Trucco — Presidente da AAPRESID (Associação Argentina de Produtores em Siembra Directa). Extraído de palestra apresentada no II Congresso Nacional de Siembra Directa, Córdoba, setembro de 1993.
A agricultura baseada no plantio direto tem um impacto sobre múltiplos aspectos, sobre os quais devemos refletir.
Que impacto tem o plantio direto?
Em primeiro lugar, devolve a esperança do agricultor [associada] à rentabilidade. Por outro lado, ocorre uma relação nova com a natureza já que o sistema [é] conservacionista, [pois] para fazer plantio direto deve-se entender que o solo é vivo e [começa-se] a cuidar dele. Talvez esta seja uma apreciação subjetiva, porém, é que se desprende dos produtores que tenho conhecido nos últimos anos. Esta relação dá à atividade agrícola uma dimensão inesperada e conduz a trabalhar com entusiasmo, que é fundamental para o êxito da empresa.
O sistema plantio direto necessita de menos tempo nas operações mas, de outra parte, deixa e requer um maior tempo intelectual: leitura, observação, experimentação e isto modifica a relação entre trabalho [manual e intelectual], conduzindo a fazer o que sabemos, que será a característica do futuro, sem dúvida, tornando a agricultura um trabalho mais profissional.
A incorporação do plantio direto faz parte do novo perfil do produtor, para o qual se requer novas atitudes e conceitos: integrar associações, participar de dias de campo, congressos, visitar estabelecimentos modelos, ler, experimentar na sua própria lavoura, consultar, anotar e discutir os resultados. O pior inimigo é a comodidade e a mediocridade. Talvez estes sejam termos duros, porém creio que o grande risco que implica esta mudança é simplificar as coisas demasiadamente e tomá-las com ligeireza, o que pode ser fatal.
O modelo agrícola que [pro]pusemos e ao qual chamamos de “Fim de Século” terá um efeito multiplicador sobre a economia do país e poderá produzir efeito similar ao ocorrido no com[eço] do século com a incorporação de novas terras à produção. O objetivo é aumentar a produtividade agrícola, de maneira sustentável, competitiva e rentável. Para isto, a tecnologia básica que permitirá alcançar estes objetivos é o plantio direto, em substituição aos métodos convencionais baseados na lavração.
editorial extraído de palestra do Eng° Agr° Victor Trucco (presidente AAPRESID) no II Congresso de Siembra Directa (Argentina, setembro/1993). Aborda impacto do PD: rentabilidade, conservação, mudança de atitude, mais tempo intelectual, dimensão profissional. PD substitui métodos convencionais e tem efeito multiplicador sobre a economia