Plantio Direto nos EUA — evolução e diferenças


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Publicado em: 30/09/1993

“O plantio direto que fizemos no Brasil é mais eficiente por causa das opções de culturas que nós temos e da ocupação durante todo o ano. Os benefícios que nós conseguimos em 4 anos, eles precisam de 10. Por quê? Por falta de palha, falta de condições de criar, de fabricar palha”. Quem assim se manifestou foi o pesquisador Cláudio Puríssimo, professor da Faculdade de Agronomia de Ponta Grossa-PR, que se encontra realizando curso na Universidade de Illinois, em Champagne-Urbana. Para Cláudio, “se eles tiverem que fazer uma cultura de cobertura no mesmo ano, essa cultura competirá com a cultura principal, milho ou soja — não é possível suportar esse tipo de investimento”.

Segundo o pesquisador brasileiro, cerca de 15-20% da área cultivada com milho e soja no Estado de Illinois, um dos principais produtores de grãos nos Estados Unidos, é semeada sob plantio direto, embora não seja igual ao que se faz no Brasil. Seria um plantio sem preparo do solo, apenas. A maior parte das lavouras na região, cerca de 60%, usam um preparo mínimo ou reduzido, com uma grade de hastes (chisel plow), que não revolve o solo. Uma parcela de 10 a 15% ainda usa o preparo convencional, revolvendo a terra com arado de aiveca.

Nas pesquisas que fazem parte do seu trabalho, Cláudio Puríssimo tem anotado uma concentração maior de gramíneas invasoras no sistema plantio direto, enquanto as folhas largas se concentram no preparo convencional.

VISÃO GERAL

“Dos manejos conservacionistas, o que mais evoluiu nos Estados Unidos é o plantio direto. No período de 1989 a 1992 a área semeada sob o sistema dobrou, passando de 14 para 28 milhões de acres em todo o país”. As informações foram prestadas durante uma palestra apresentada pelo engenheiro agrônomo Bruno Alesti, da Monsanto, na sede da empresa, em St. Louis, Missouri.

Segundo Alesti, cerca de 50% das áreas agrícolas americanas sofrem erosão e os agricultores, pressionados pela opinião pública e pelo governo, que estabeleceu leis em 1990, obrigando a fazer planos de recuperação, estão partindo para soluções, principalmente o “no till”. Este é o principal motivo que tem levado uma parcela maior de agricultores a optar por manejos conservacionistas: legislação e pressão da opinião pública, principalmente na questão de resíduos nas águas superficiais e subterrâneas.

“De qualquer forma”, afirmou Bruno Alesti na sua preleção à comitiva brasileira, “existem outros fatores que também direcionaram para a adoção do plantio direto por uma quantidade cada vez maior de produtores, de tal forma que existe uma previsão de 50 milhões de hectares plantados sob o sistema em 1996. Esses fatores são o econômico, pois o plantio direto em geral tem menor custo [que o] preparo convencional, menos exigente em mão-de-obra, cada vez mais rara [com a redução da] população rural dos Estados Unidos. O outro fator que [in]fluência esse movimento é a existência de uma tecnologia hoje disponível para os produtores que [optam pelo] plantio direto.”

“Finalmente, pression[ado] pela opinião pública, o governo americano prepara novas leis que entrarão em vigor a partir de 1995 e que trarão medidas severas para obrigar os agricultores a manejar corretamente suas propriedades.”

matéria com depoimentos de Cláudio Puríssimo (FA Ponta Grossa, doutorado U.Illinois) e Bruno Alesti (Monsanto St. Louis). Cláudio: 15-20% PD em IL, 60% preparo mínimo (chisel plow), 10-15% convencional. Alesti: 50% áreas com erosão; lei 1990; previsão 50M ha PD em 1996. Área dobrou de 14→28M acres (1989-92). Soja em PD superou milho em 1993 pela 1ª vez (+21% soja, +19% milho)