A broca-da-coroa do trigo causa dano em milho (Listronotus bonariensis)


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Publicado em: 30/11/1993

Por Dirceu N. Gassen (Eng. Agr., MSc, EMBRAPA-CNPT, Caixa Postal 569, 99-001-970, Passo Fundo, RS)

A broca-da-coroa do trigo, Listronotus bonariensis (col., Curculionidae) é nativa da região Sul do Brasil e ocorre em quase todas as culturas de cereais e de pastagens gramíneas, constituindo-se em importante inseto-praga. O adulto mede 2 a 3 mm de comprimento e possui os élitros cobertos de placas cerosas, sujas de terra, apresentando camuflagem com o solo, o que dificulta a sua constatação no campo. A oviposição é realizada sob a epiderme da bainha da folha de azevém, de centeio, de trigo e de outras gramíneas, próxima ao solo, raras vezes no limbo foliar. Geralmente, são postos dois ovos por postura. Os ovos apresentam forma cilíndrica e coloração pardo-escura contrastando de forma evidente com o tecido verde da planta. A fase de pupa ocorre em câmaras pupais entre as plantas, a pouca profundidade no solo. O inseto adulto pode viver vários meses.

As larvas, ao eclodirem, deslocam-se em direção à coroa da planta, onde se desenvolvem. Em geral encontra-se uma larva por planta. Apresentam corpo de coloração branco-leitosa e cabeça marrom-clara; são ápodes e atingem 3 mm de comprimento. As larvas são difíceis de serem observadas a campo, pois apresentam coloração semelhante ao tecido das plantas. Alimentam-se de plantas pequenas, gemas e afilhos, causando sua morte ou enfraquecimento. Nas gemas, broqueiam um pequeno orifício e consomem o tecido no seu interior sobrando uma cobertura que lhes serve de proteção. Nos afilhos, broqueiam galerias até a inserção na coroa.

O inseto tornou-se uma importante praga em milho semeado sobre azevém ou sobre centeio infestados com larvas. As larvas maiores migram das plantas dessecadas de azevém para as plântulas de milho broqueando o ponto de crescimento e causando a sua morte. Não faz diferença controlar os adultos, pois as larvas jovens, nascidas de posturas feitas em milho não conseguem sobreviver nesta cultura. Apenas as larvas maiores, que se desenvolveram em azevém e outras plantas, ao migrarem em busca do alimento, causam danos. Neste caso, recomenda-se dessecar o azevém com três semanas de antecedência, com herbicidas de ação rápida, impedindo a presença de larvas na fase de germinação do milho.

Dirceu N. Gassen (Eng° Agr°, MSc, EMBRAPA-CNPT, Passo Fundo-RS). Artigo técnico sobre Listronotus bonariensis (col. Curculionidae) — adulto 2-3 mm; larva 3 mm. Praga de azevém, centeio, trigo. Importante praga de milho semeado sobre azevém ou centeio infestado. Recomenda dessecar azevém com 3 semanas de antecedência