“Nós tivemos a maior enchente da história de Panambi em maio de 1992, com chuvas de 500 mm em 24 horas e as lavouras de plantio direto que já tinham eliminado os terraços não apresentaram problemas. Podemos afirmar que esta enchente só foi maior que a de 1926 por causa da existência do plantio convencional, que ainda era a maior parte”.
As afirmações são dos engenheiros agrônomos Eugenio Pott e Dênio Oerlecke, da COTRIPAL, de Panambi (RS), no “Curso de Plantio Direto” promovido pela Faculdade de Agronomia de Passo Fundo, durante a Semanaca Acadêmica, em outubro.
Segundo Eugênio Pott, naquela ocasião, a cidade foi inundada e, nas lavouras, a chuva foi de tal intensidade que o excesso de água teve que sair em algum lugar. As lavouras com terraço em nível também não seguraram a água, pois não há como deter tal volume. Ele também defende a retenção da água na lavoura, mas o plantio direto faz isso sozinho, sem necessidade de terraços. Para Pott, isso é consequência do crescimento do nível de matéria orgânica e da estruturação do solo. Quanto mais tempo no plantio direto, mais o terraço perde a função, mesmo os de base larga.
Para Dênio Oerlecke, com os terraços pode ocorrer uma concentração do volume de água e, na hora que transborda, toma velocidade, ocasionando estragos maiores. Ocorre um efeito contrário. Nos locais sem terraço, segundo ele, a água sai normalmente, como no campo, como na natureza, sem levar solo.
RECOMENDAÇÕES
Na região de influência da COTRIPAL ocorreu uma evolução significativa na área com semeadura direta nos últimos 5 anos. Para a safra 93/94 a estimativa é de que aproximadamente 50% dos 80.000 ha sejam semeados com plantio direto. Para milho, a previsão é de 70% da área.
“Estamos recomendando a retirada dos terraços em áreas de plantio direto com um mínimo de 3 anos, principalmente onde foi plantado milho, por causa da maior quantidade de palha, o que possibilita a retirada sem problemas, em qualquer declividade. Isso não é uma experiência somente nossa. O pessoal de Cruz Alta e de outros estados também estão fazendo”. Para o engenheiro agrônomo Eugênio Pott, a questão não é simplesmente retirar os terraços mas ela tem implicância de ordem econômica e prática. Para ele, a ausência de terraços facilita o trabalho das máquinas e, principalmente nas propriedades menores, [aumenta a área cultivada].
matéria com Eugenio Pott e Dênio Oerlecke (COTRIPAL, Panambi-RS) durante Curso de PD da FA-PF (Semanaca Acadêmica, outubro/93). Maior enchente em maio/1992 (500 mm/24h) — lavouras PD sem terraços não apresentaram problemas. Recomendação COTRIPAL: retirada de terraços em PD ≥3 anos. 93/94: 50% dos 80.000 ha em PD; 70% para milho