Estados Unidos — A relação entre as propriedades do solo e o plantio direto (Robert L. Blevins)


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Publicado em: 30/11/1993

Por Robert L. Blevins — Universidade de Kentucky, Estados Unidos.

Meu interesse e envolvimento com a pesquisa em plantio direto iniciou em 1969, encorajado pelo entusiasmo de Shirley Phillips, para esta nova forma, até radical, de fazer agricultura sem preparo de solo. Nesta época, Harry Young, agricultor pioneiro em plantio direto, junto com Shirley, Jim Herron, Charlie Slack e outros auxiliares estavam entusiasmados com o potencial desta nova tecnologia e o que isto poderia representar para o Estado de Kentucky.

Durante o verão de 1969 iniciamos estudos para medir o rendimento de milho e coleta de dados sobre as condições do solo. Dados foram coletados em 40 lavouras em cinco regiões fisiográficas diferentes. As informações incluíram tipos de solo, porcentagem de declive, drenagem, pH da superfície e tipo de cobertura vegetal (geralmente festuca). As médias de rendimento de milho em 16 lavouras em Eastern Pennyroyal foi de 129 bu/acre. Isto convenceu-me de que o plantio direto era plenamente viável e que solos com textura média em áreas declivosas eram especialmente adequadas para o sistema.

Estudos da relação entre o plantio direto e doses de nitrogênio (N), a longo prazo, iniciaram em 1970. Nos três primeiros anos a relação entre a água e o solo foi estudada em plantio direto (PD) e em plantio convencional (PC). Durante o crescimento das plantas, aproximadamente 20% mais água encontrava-se retida e disponível para as plantas de milho no PD. A maior conservação de água no solo, no PD, poderia manter a cultura em melhores condições, durante períodos curtos de estiagem, sem prejuízos às plantas.

PROPRIEDADES FÍSICAS

Nestas áreas, a longo prazo, a compactação de solo não foi problema. Após dez anos de PD de milho, não houve diferenças na densidade de solo, quando comparado ao PC. Medidas de condutividade hidráulica indicam melhor movimento de água no PD. Durante os primeiros dez anos, não foi observada deterioração nas propriedades físicas do solo. O exame de micromorfologia de solo, após 18 anos sob PD e cultivo contínuo de milho, evidenciaram a estruturação diferenciada na camada de 1 a 5 cm de profundidade.

PROPRIEDADES QUÍMICAS

As alterações químicas mais evidentes, no estudo a longo prazo, foram causadas por altas doses de N, na acidificação da superfície do solo. Associado com a redução de pH houve o aumento de alumínio e de manganês trocável. A acidez resultou em rendimentos [piores] de milho devido ao desequilíbrio de nutrientes e a competição de plantas daninhas. Solos ácidos (pH > 5,5) resultam na desativação rápida da triazina, herbicida muito usado em PD de milho. Estudos mostraram que a acidez na superfície do solo pode ser facilmente corrigida através de aplicações de calcáreo. No PD, o potássio e o fósforo tendem a concentrar-se na camada superficial de solo até 5 cm de profundidade. Isto ocorre em função da ausência de mistura física em contraste com o preparo anual com arado no sistema convencional. No PD a reciclagem através do crescimento das plantas, também, contribui para o acúmulo de nutrientes na superfície do solo.

A quantidade de matéria orgânica (MO) no PD foi duas vezes mais elevada na camada de 0-5 cm do que no PC. As alterações nos teores totais de N acompanharam modelos semelhantes às de outros nutrientes, com aumentos ocorrendo na camada superficial de solo sob PD. O acúmulo de MO e a maior umidade no PD influenciam a distribuição e a atividade de microorganismos no solo. O potencial de imobilização de N aplicado na superfície é maior no PD. O método e a época de aplicação necessita ser melhor definido para obter maior eficiência. Por exemplo, o N aplicado na sub-superfície (incorporado) pode aumentar até 20% a eficiência deste fertilizante.

CONCLUSÕES

Os resultados destes estudos indicam que sob PD melhoraram as propriedades físicas, químicas e biológicas do solo. As alterações positivas destacam a melhora na estrutura do solo, aumentos na MO e no N orgânico, a concentração de elementos pouco móveis, como o fósforo, na superfície do solo aumentando a disponibilidade para as plantas. Nas áreas de maior tempo de PD o ambiente no solo se aproxima ao de florestas e o de pastagens permanentes por causa da reciclagem de nutrientes e do acúmulo de MO na superfície. O plantio direto é, com certeza, um sistema de agricultura sustentável e está sendo definido como o melhor método de controle de erosão do século 20.

artigo do pesquisador Robert L. Blevins (U. Kentucky-EUA). Estudos a partir de 1969 com Shirley Phillips, Harry Young, Jim Herron, Charlie Slack. Resultados de 18 anos PD: 20% mais água retida; sem diferença densidade após 10 anos; MO 2× maior na 0-5 cm; concentração superficial P/K. PD = melhor método de controle de erosão do século 20