Mr. Grant Thomaz: "Agora temos um sistema para ganhar mais dinheiro e conservar o solo"


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Publicado em: 30/11/1993

“Para mim sempre é um prazer receber visitantes da América do Sul. De minha parte, fico entendendo mais coisas e, creio, com esse intercâmbio entre os países, poderemos avançar no sistema plantio direto”. As declarações são de Mr. Grant Thomaz, engenheiro agrônomo pesquisador da Universidade de Kentucky, em Lexington, que já trabalhou na América Central, com passagens pela Argentina e, por tudo isso, com um domínio perfeito do espanhol, o que facilitou a vida dos visitantes durante os 4 dias em que ele e sua equipe foram perfeitos anfitriões ao receber o grupo de 10 brasileiros ligados ao plantio direto que visitaram os Estados Unidos em agosto. Grant Thomaz, entre outras amabilidades, recebeu o grupo em sua residência, para que eles matassem a saudade de um churrasco.

HISTÓRIA

“No ano passado o sistema ‘no till’ cresceu de 21 para 28 milhões de hectares nos Estados Unidos, o que foi o movimento mais rápido da história. Creio que para ter um crescimento assim, tivemos que ter uma base para poder suportar esse avanço.

As primeiras pesquisas com plantio direto foram na década de 50, na Carolina do Norte. Na Virginia, onde eu também trabalhei em 1963, as pesquisas iniciaram por volta de 1960. As pesquisas mais duradouras começaram aqui na Universidade de Kentucky, em 1968. Antes, haviam ensaios a nível de campo, coordenados por extensionistas. Mas somente neste ano é que, solicitados pelo Dr. Shirley Phillips, um extensionista da área de grãos, iniciamos trabalhos de pesquisas em apoio ao que ele já realizava junto aos agricultores. Dr. Phillips era o tipo de cidadão que possuía uma visão a respeito do futuro da tecnologia do plantio direto. Ele formou uma equipe e veio a ser o diretor de extensão da Universidade de Kentucky.

A partir de 1968/69 realizamos ensaios nas duas estações experimentais e fazendas. Em 1970 estabelecemos o primeiro ensaio de longo prazo, com o plantio direto, que ainda existe”.

EROSÃO

“Depois de muitos anos de agricultura, a erosão acabou com o solo. Este era um aspecto principal: não podíamos produzir, ano após ano, sem proteção do solo porque é normal termos pendentes acentuadas e grandes tormentas no verão, foi impossível manter uma agricultura sustentável durante tantos anos, nessas condições.

A única alternativa era uma rotação com pastagens. Mantinha-se metade ou 2/3 da área e o resto com culturas de grãos. Assim, simplesmente não foi possível competir com os produtores do ‘Corn Belt’.

Começamos, então, a introduzir a idéia de produzir milho sem lavrar. Depois, os próprios agricultores começaram a plantar soja depois do trigo. Esta foi uma invenção dos produtores e não da pesquisa. Ela proporcionou a possibilidade de fazer três culturas em dois anos, o que se constituiu no primeiro grande êxito do plantio direto. Isto me parece [importante] porque, então, foi possível dizer ao agricultor que ele não precisava perder dinheiro para conservar o solo. Esse foi um ponto chave. E para nós foi importante entender que sem o plantio direto não era possível efetuar os 3 cultivos, justamente porque não havia tempo de preparar a terra depois da colheita”.

O QUE LEVA OS AMERICANOS AO PLANTIO DIRETO

“Uma idéia nova é que o governo americano está exigindo planos de conservação dos solos e a melhor forma de atender às exigências governamentais é ter plantio direto na lavoura. Os agricultores estão sendo obrigados a fazer essas ações, uma exigência para poder participar de outros planos do governo, em que os produtores são favorecidos. Na verdade, existe uma série de fatores: 1º — o movimento de conservação do solo, das águas e do meio ambiente em geral; 2º — o suporte de pesquisa das universidades; 3º — os novos herbicidas, fundamentais para que o programa siga em frente; e 4º — a nova série de máquinas e implementos que atualmente é mais do que adequada.

No entanto, muitos produtores ainda não aderiram ao sistema e eu diria que os requisitos para o plantio direto são mais exigentes do que os do preparo convencional. É necessário manejar ervas invasoras, máquinas e implementos, dinheiro, água e tempo numa forma diferenciada em relação ao velho sistema”.

entrevista com Mr. Grant Thomaz (U. Kentucky-Lexington), durante recepção da comitiva brasileira (agosto/93). Histórico: 1ª pesquisa PD na Carolina do Norte (50s), Virgínia 1960, Kentucky 1968 (com Shirley Phillips). 1970: 1º ensaio longo prazo. PD nos EUA 21→28M ha no último ano. Drivers: lei + ambiental + pesquisa + herbicidas + máquinas