Agricultura sustentável: alimentos garantidos para o futuro


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Publicado em: 30/11/1993

Após a ECO 92, a palavra “sustentável” virou moda em debates técnicos. Nem por isso deixou de ser um tópico sério, ligado à sobrevivência da raça humana e a do próprio agricultor individual. Em que implica esta tal de sustentabilidade?

A moeda possui dois lados: o ambiental e o econômico; e dois níveis: o da sociedade e o do indivíduo. Com essa complexidade de quatro dimensões, não é estranho que, frequentemente, deixa de existir equilíbrio. Ou seja, hoje estamos esgotando recursos naturais para ganhos econômicos. Obviamente, se extrapolarmos isto por mais cinquenta anos (um curto prazo, portanto), vai ficar pouco para os nossos netos.

O cerne do problema, no tocante à agricultura, é simples. Se o produtor adotar práticas mais caras com a manutenção do meio ambiente e a finalidade de assegurar a sobrevivência da sociedade, não tem mecanismo que lhe retribui a diferença, que para ele torna-se uma perda financeira.

Então, são pouquíssimos os que fazem estes investimentos magnânimos e elogiáveis na proteção do meio ambiente, e em especial, do solo que exploram. Se, por outro lado, a sociedade for convencida da necessidade dessas práticas, precisava, para viabilizar o lado econômico do agricultor, fazer uma compensação financeira do custo adicional (o chamado “pagamento da transferência” ou subsídio, dependendo da classificação do economista). Sabemos que isto é difícil, além de ser inflacionário.

O demônio da erosão, provocada principalmente pelo emprego indiscriminado da grade de discos no preparo do solo, tem um custo social muito alto. Isto se reflete no custo elevado da manutenção de estradas de chão, a filtração adicional de água da rede pública, o assoreamento de reservatórios, rios e lagos e a provocação de enchentes cada vez piores. A erosão [tem custos diretos], com a necessidade de repor os nutrientes e corretivos levados pelo escorrimento superficial, o custo do preparo adicional das terras erodidas (e às vezes de um segundo plantio), a produtividade menor nos custos da erosão e ao pé dos terraços (pela água empoçada) e a constante manutenção das estruturas de conservação do solo.

QUE TAL PLANTIO DIRETO?

De recente evolução na região dos cerrados, implantados há 20 anos no Sul do País, os sistemas de “Plantio Direto” (PD), “Cultivo Mínimo” (CM) e “Sobressemeadura” (SS) prometem [a sustentabilidade], por proteger a superfície do solo contra a erosão e pela manutenção de uma manta protetora derivada da palha.

Precisa ser visto para acreditar, a alegria e a satisfação do agricultor adotante que vê a natureza trabalhando para ele, em vez de travar uma luta constante contra ela. Resulta uma renovação da estrutura dos grumos do solo, um aumento da fauna terrestre e melhor disponibilidade de nutrientes pela presença incrementada da matéria orgânica.

DIFERENÇAS DOS SISTEMAS

No Plantio Direto não se revolve mais o solo para incorporar a palha, que fica na superfície; as ervas de pré-plantio se dessecam com herbicidas não seletivos. O controle de ervas daninhas pós-plantio é igual ao sistema convencional. Usa-se uma plantadeira-semeadeira modificada ou especializada, com capacidade para cortar a palha. No Cultivo Mínimo [usa-se um preparo mínimo do solo]. Sobressemeadura: usada apenas na safrinha, para seguir à soja. Joga-se semente de sorgo, milheto ou trigo em cima da soja logo antes da queda das folhas, por avião ou trator, com distribuidor de adubo bem calibrado. [A SS é um sistema] mais elevado [em risco]; porém, ganha-se uns 20 dias na data de plantio da safrinha, o que é significativo.

Quando o PD começou a ter aceitação geral no Sul, ao redor de 15 anos atrás, era tido como norma que os custos diretos seriam de 10 a 15% mais altos [que o convencional, mas hoje os custos se empatam ou ficam menores].

artigo opinativo sobre sustentabilidade pós-ECO 92. Discute lados ambiental e econômico, complexidade da degradação. Compara PD, Cultivo Mínimo e Sobressemeadura. PD começou no Sul há 15 anos, recente nos Cerrados há 20 anos, com custos diretos 10-15% mais altos no início