CERRADO — ENCONTRO DE TANGARÁ DA SERRA MOSTRA POTENCIAL DO PLANTIO DIRETO NO MATO GROSSO
Mais de 200 pessoas, entre produtores e técnicos, participaram dos dois dias do II Encontro de Plantio Direto do Mato Grosso, realizado em Tangará da Serra, numa promoção do pool de empresas composto por BASF, Cyanamid, Zeneca, Monsanto, Hoechst, DowElanco, Manah, com apoio da Semeato e Jacto, nos dias 28 e 29 de abril.
O evento ocorreu no Tangará Tênis Clube, onde foram realizadas palestras e debates que serviram para direcionar as perspectivas do crescimento do sistema plantio direto no Mato Grosso, que hoje planta mais de um milhão de hectares de soja. Só no município de Campo Novo do Parecis, com uma grande parcela de produtores residindo em Tangará da Serra, são mais de 300 mil hectares de soja, provavelmente o município de maior área plantada com a oleaginosa em todo o Brasil.
O Plantio Direto ainda ocupa uma área modesta, apesar de existirem grandes fazendas com praticamente 100% da área sob o sistema, como é o caso da Fazenda de Cooiti Odashiro, de Diamantino, que já planta direto em 5.000 dos 6.000 ha. A produtividade deles é crescente e, principalmente a partir da introdução do milheto como cobertura, a média alcançada em soja está em torno de 3.000 kg/ha.
Outro produtor que atribui ao plantio direto o aumento da produtividade é Dirceu Baseggio, que planta 100% de forma direta nos 2.100 ha de sua fazenda. Baseggio já conhecia o sistema em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, de onde partiu juntamente com o sogro Setembrino Webber, que faz um dos melhores plantio direto na região de Coxilha-RS, para comprar terras no Mato Grosso. “Comparando com a região sul, nós temos um clima mais favorável e o solo é mais fácil de trabalhar”, disse Baseggio durante o II Encontro. “Com este solo leve, é mais fácil fazer plantio direto aqui.”
Para Dirceu Baseggio, os entraves para a evolução do sistema na região são a falta de uma atenção maior das empresas de máquinas e a dificuldade com a mão de obra. “Nós temos que ensinar o pessoal mas como a rotatividade é muito grande por aqui, esse é um problema sério.”
Para o engenheiro agrônomo John Landers, um dos palestrantes do Encontro, que falou sobre “Princípios básicos do Plantio Direto nos Cerrados”, “a adoção do plantio direto necessita de capacitação não só para o produtor mas também para os operadores das máquinas”, que, segundo Nonô Pereira, são os verdadeiros heróis, chamando a atenção para as mudanças necessárias porque estão na linha de frente, com o solo e as máquinas.
John Landers sintetizou os problemas de adoção do plantio direto: conhecimento e capacitação. “As tecnologias estão praticamente dominadas”, disse ele, “sempre há uma evolução, mas já se pode adotar o sistema com segurança. Um dos problemas é que quando passa para o plantio direto, o produtor vira de cabeça para baixo tudo o que aprendeu sobre preparo do solo e isso é um grande passo psicológico para ele.”
“Temos consciência de que a riqueza do centro oeste é resultado do desbravamento, da coragem de muitos pioneiros, da soja como cultura de exportação e do plantio convencional. Também temos a certeza de que, no cerrado, os resultados do plantio convencional já estão se expressando e [esse plantio] pode enriquecer o pai e empobrecer o filho. Antes havia a idéia de que o plantio direto diminuía a produção mas, na verdade, a realidade está mostrando o contrário, com um aumento de [4 a 5?] sacas/ha. Outro empecilho, que ainda está presente, é o investimento em máquinas para plantar. Apesar disso, a área com plantio direto está crescendo e, no nosso município, temos 107 agricultores usando o sistema, com uma área prevista de 40.000 ha.” Eduardo Periotto, engenheiro agrônomo, coordenador da Associação de Plantio Direto de Primavera do Leste-MT.
“Estamos introduzindo essa prática em função do conhecimento adquirido [no Sul] e, numa mudança de procedimento como essa, [há] também uma alteração nos investimentos e é fundamental que [isso] seja feito longe do financiamento bancário, para dar segurança ao agricultor. Para mim, é fundamental o desenvolvimento de uma agricultura associada à pecuária, que já faço no sistema convencional.” Rui Wolfart, produtor de Tangará da Serra.
matéria sobre o II Encontro PD do MT em Tangará da Serra, 28-29 abril/1994, Tangará Tênis Clube, +200 pessoas. Pool: BASF, Cyanamid, Zeneca, Monsanto, Hoechst, DowElanco, Manah; apoio Semeato/Jacto. MT planta +1 milhão ha soja; Campo Novo do Parecis +300 mil ha soja (provavelmente o município de maior área de soja do Brasil). Cooiti Odashiro/Diamantino: 5.000/6.000 ha PD com milheto, soja média ~3.000 kg/ha. Dirceu Baseggio (2.100 ha 100% PD, vindo de Coxilha-RS junto com sogro Setembrino Webber). John Landers palestra 'Princípios básicos do PD nos Cerrados'. Eduardo Periotto (coord. Assoc. PD Primavera do Leste-MT, 107 agricultores, 40.000 ha previstos). Rui Wolfart (Tangará da Serra).