Cotricampo incentiva o Plantio Direto — I Encontro PD na Palha em Campo Novo (4-5/maio/1994)


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Publicado em: 30/06/1994

COTRICAMPO INCENTIVA O PLANTIO DIRETO — I ENCONTRO DE PLANTIO DIRETO NA PALHA EM CAMPO NOVO

“A adoção do plantio direto hoje é muito boa e é possível prever uma área de 50% para a próxima safra, graças ao engajamento da Cotricampo, que está incentivando o sistema.” A afirmação é de Carlito João Bosa, produtor de Campo Novo, Rio Grande do Sul, associado da Cooperativa e um dos 400 participantes do I Encontro de Plantio Direto na Palha da Cotricampo, ocorrido nos dias 4 e 5 de maio, na Associação dos Funcionários da Cotricampo, em Campo Novo.

O I Encontro foi a principal ação da Cooperativa, que resolveu assumir o desenvolvimento do plantio direto a partir deste ano, embora existam associados que plantam na palha há 8 anos, segundo informou o eng° agr° José Gaspar Irber, chefe do departamento técnico. Em abril, os pesquisadores José Ruedell e Ciro Petrere, da Fundacep-Fecotrigo, de Cruz Alta, já tinham falado para um grupo de cooperativados, em Humaitá. Agora Ruedell e Petrere também palestraram na programação de Campo Novo, onde também estiveram presentes José Mauricio Fernandes e Antonio Faganello, do CNPT-Embrapa, e Mauro Tadeu Braga da Silva, da Fundacep-Fecotrigo.

“Temos certeza da expansão do plantio direto na nossa região, sendo que os mais otimistas dizem que atingiremos 50%”, disse Gaspar Irber. A área de abrangência da Cooperativa atinge 125.000 ha no verão, sendo 25.000 ha de milho. “Nós achamos que a introdução do processo deve ser mais lento para que haja mais segurança e uma sedimentação maior das experiências e dos conhecimentos que estão sendo adquiridos para realmente ter uma garantia de sucesso.”

Para o agrônomo da Cotricampo, “as dificuldades maiores, na verdade, são mitos, como por exemplo a questão de solo argiloso, pesado. Nós temos um solo originário de matas, estruturado, sem problemas no plantio direto. A prova disso são os produtores da região que estão no sistema há longos anos, sem problema nenhum. Mas isso são coisas que iremos superar, com assistência técnica e com a adoção do sistema.”

VANTAGENS DO PLANTIO DIRETO

Carlito João Bosa usa plantio direto há 4 anos numa área de [40 ha?] em Campo Novo e considera que o sistema plantio direto tende a diminuir a produção, em função dos custos. Mas o que economizamos em consumo de óleo, empregados, na manutenção de tratores (onde eu tinha 6, hoje só tenho [3?]).

Bosa afirmou que as dificuldades ocorrem principalmente no 2º ano e quem não for persistente, acaba desistindo. “No começo, tivemos problemas, pois, do 1º para o 2º ano, o solo compacta, principalmente se não soubermos trabalhar na época correta, e quisermos plantar cedo, sem esperar a umidade ideal. Agora, nós já aprendemos e, com [adubadores] adaptados e semeando com umidade certa, não temos mais problemas.”

“Hoje”, afirmou Carlito Bosa, “que também é conselheiro da Cotricampo, uma função principal é conscientizar os empregados. No começo eles se apavoravam e nós procurávamos acalmá-los. Dizíamos que, se tivéssemos que lavrar e gradear, jamais plantaríamos os 5 ha que estávamos semeando. Hoje, a gente tem mais tempo para [as outras tarefas].”

matéria sobre o I Encontro PD da Cotricampo, 4-5 maio/1994, Campo Novo-RS, ~400 participantes. Carlito João Bosa (produtor associado, conselheiro Cotricampo). Eng° Agr° José Gaspar Irber (chefe departamento técnico). Pesquisadores presentes: José Ruedell e Ciro Petrere (Fundacep-Fecotrigo Cruz Alta), José Mauricio Fernandes e Antonio Faganello (CNPT-Embrapa), Mauro Tadeu Braga da Silva (Fundacep). Cotricampo cobre 125.000 ha verão (25.000 ha milho).