CORÓ — CARACTERIZAÇÃO, DANOS E CONTROLE
Dirceu N. Gassen1
Nos agroecossistemas existem várias espécies de corós. Algumas associadas ao sistema de plantio direto, outras ocorrem independente do sistema de preparo de solo e de manejo de palha causando danos às plantas cultivadas. Além destas, existem as espécies que consomem palha e resíduos orgânicos sendo considerados úteis para a agricultura.
Caracterização — Nas lavouras do Rio Grande do Sul predominam duas espécies consideradas pragas. O coró-da-pastagem (Diloboderus abderus) (Col., Melolonthidae) ocorre em áreas com palha na superfície do solo (pastagens e plantio direto), cava galerias verticais típicas que permanecem abertas e causa danos no período entre junho e início de setembro. O coró-do-trigo (Phytalus sanctipauli) ocorre independente da presença de palha ou do sistema de preparo de solo, não constrói galerias e causa danos no período entre março e julho. É nativo e foi observado pela primeira vez como praga na região de Tapera em 1983.
O coró-do-trigo adulto é um besouro marrom-claro com 2 cm de comprimento, que ocorre em revoadas nos meses de outubro e novembro. A fêmea sobe à superfície do solo logo após o escurecer, libera feromônios que atraem os machos para a cópula. Volta para o solo e realiza a postura.
A larva apresenta duas fileiras paralelas de espinhos no raster (face ventral da extremidade do abdômen) características para a espécie. Ocorre a partir do início de dezembro até o final do inverno. Desloca-se lentamente sob a superfície do solo em direção à fileira de plantas, das quais consome a parte subterrânea. Vive a profundidades variáveis, na camada superficial até 10 cm. Nos meses de setembro e outubro, num período de três a quatro semanas, passa a fase de pupa em câmaras pupais, no solo.
Danos — Danos severos foram constatados em lavouras sob preparo convencional, bem como em lavouras sob sistema plantio direto. As larvas movimentam-se no solo a distâncias curtas (talvez menos de 1 m) até encontrar sementes ou raízes, consumindo-as ou extraindo exudatos.
Em soja, são observados danos a partir de março e nas culturas de inverno, até julho. Neste ano, em função da seca de janeiro, já a partir de fevereiro foram constatados danos severos em soja, inclusive causando a perda da produção em algumas manchas. A partir do final do verão, durante o outono e o início do inverno, as larvas alimentam-se da parte subterrânea de plantas, independente da cultura. Atacam cereais e outras culturas de inverno, batatas, fruteiras, pastagens, flores e gramados de jardins e gramados de campos de futebol.
Estudos realizados com trigo cultivado em lavouras com populações entre 12 e 18 larvas/m² resultaram na perda total das plantas. A distribuição das larvas nas lavouras é errática. Ocorrem manchas com danos severos em contraste com áreas livres da praga. É comum constatar a presença da praga em lavouras ou partes delas e o seu desaparecimento nos anos seguintes. Esta forma de distribuição e de ocorrência parece estar associada a presença de patógenos que causam doenças e a morte do inseto.
Controle — Em geral, os insetos de solo subterrâneos são difíceis de serem controlados através de métodos convencionais. A aração e o preparo de solo com arado e grade não controla as larvas do coró-do-trigo. Estudos de lavoura indicam a mortalidade de até 30% das larvas na faixa compactada pela roda do trator.
A proteção de plantas de culturas de inverno e o controle das larvas pode ser obtido através do uso de inseticidas no tratamento de sementes. Resultados de experimentos e estudos a campo indicam que os inseticidas disponíveis no mercado para o tratamento de sementes são eficazes. Para o caso de aveia, de cevada e de trigo indica-se, no mínimo, 800 ml de produto comercial por 100 kg de sementes. Enquanto, em milho recomenda-se 2.000 ml de produto por 100 kg de semente para controle satisfatório. O custo de inseticida para o tratamento de semente de trigo (150 kg de semente/ha) varia entre [25?] US$, tornando-se quase inviável para a cultura.
Antes de adotar medidas de controle sugere-se determinar a distribuição do inseto na lavoura, cavando-se o solo até 10 cm de profundidade. Se possível, plantar as culturas para produção de grãos nas áreas sem a praga. Nas áreas com o coró-do-trigo, sugere-se semear aveia para cobertura de inverno, com maior densidade de sementes para, eventualmente, compensar os danos da praga.
Dirceu N. Gassen (pesquisador CNPT-EMBRAPA). Caracterização entomológica do coró-da-pastagem (Diloboderus abderus, Col. Melolonthidae) e do coró-do-trigo (Phytalus sanctipauli, espécie nativa observada como praga em Tapera 1983). Cita: galerias verticais (D. abderus), danos jun-início set (D. abderus), danos mar-jul (P. sanctipauli). Adulto besouro marrom-claro 2 cm, revoadas out-nov, postura na superfície. Lavouras com 12-18 larvas/m² → perda total. Mortalidade roda do trator 30%. Controle: tratamento de sementes (800 ml/100 kg sementes aveia/cevada/trigo; 2.000 ml/100 kg em milho); custo US$ 25/ha trigo.