Manejo de herbicidas de pré e pós-emergência nas culturas de soja e milho (José Alberto Roehe de Oliveira Velloso, CNPT-EMBRAPA)


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Publicado em: 30/06/1994

MANEJO DE HERBICIDAS DE PRÉ E DE PÓS-EMERGÊNCIA NAS CULTURAS DE SOJA E MILHO

José Alberto Roehe de Oliveira Velloso — Centro Nacional de Pesquisa de Trigo — EMBRAPA

GUANXUMA DE TOCO

A guanxuma (Sida rhombifolia L.) é uma planta daninha de hábito perene, que em plantio convencional e direto comporta-se como uma indicadora de compactação de solo.

A sua presença em áreas de plantio direto constitui-se um sinal de [problemas]. Esta planta sofre uma poda (daí o nome de guanxuma de toco), perdendo grande parte de sua área foliar, dificultando o seu controle posterior com herbicidas. Por outro lado, as primeiras geadas induzem o seu repouso, perdendo a planta toda sua área foliar. Com estas características é possível determinar duas estratégias de controle:

1º — Controle logo após a colheita: Como a planta perde grande parte de sua área foliar na colheita, é necessário um período para que esta reponha uma área foliar mínima (no mínimo 8 folhas por planta), para que permita a absorção e seu controle com herbicidas de pós-emergência. Como a guanxuma é uma planta sensível a 2,4 D, é possível o seu controle utilizando uma mistura de Glifosate + 2,4 D, na base de 1,0 + 1,0 l/ha p.c., ou glifosate 2,0 l/ha p.c., devendo ser aplicado com bicos do tipo leque, que permitam a aplicação de um volume de calda de 50 a 100 l/ha. Como trata-se de redução do volume de calda, as características climáticas como umidade relativa do ar (mínimo 60%) e temperatura do ar entre 20º a 30ºC, nunca aplicar com temperaturas iguais ou inferiores a 10ºC, pois nesta situação as plantas estão com suas atividades fisiológicas paralisadas. Nunca aplicar os herbicidas sobre plantas com stress hídrico (falta ou excesso).

2º — Na primavera: Com as temperaturas elevadas na primavera, as plantas de guanxuma são induzidas a repor sua área foliar, utilizando as reservas armazenadas no sistema radicular, a [partir do ponto] em que as plantas estão mais sensíveis aos herbicidas, possibilitando um melhor resultado. Quanto ao controle propriamente dito, deverá ser o mesmo indicado para o após colheita.

MARIA MOLE / BUVA

A maria mole (Senecio brasiliensis Less) e a buva (Conyza bonariensis (L.) Cronaq.) são espécies daninhas perenes, que se adaptam muito bem em áreas de plantio direto, devido principalmente à cobertura morta proporcionada pelos restos culturais.

Tratando-se de espécies perenes, de hábito arbustivo, são plantas de difícil controle. O seu controle pode ser realizado em dois momentos:

1º — No outono/inverno: Este é o período que estas espécies se estabelecem, quando podemos encontrar plantas na fase juvenil, período em que normalmente apresentam-se sensíveis a 2,4 D. Para maria mole o período em que é altamente sensível a este herbicida vai da emergência até a planta atingir 30 cm de altura, enquanto que para buva, é o da emergência até a planta atingir 50 cm de altura. Esta característica permite com que possamos controlar estas duas espécies daninhas, nas culturas com a utilização de 2,4 D, sem problemas. As doses recomendadas para o controle variam conforme a formulação do 2,4 D utilizado (éster 1,0 l/ha p.c. e amina 1,5 l/ha p.c.).

2º — Na primavera: Neste período, encontramos as plantas de maria mole e buva já desenvolvidas, apresentando porte arbustivo. Neste período as plantas, como espécies, apresentam maior resistência, mais difícil o seu controle. Para lograr um manejo adequado, é necessária a utilização de glifosate na dose de 2,0 l/ha, com mistura glifosate + 2,4 D nas doses de 1,5 + 1,0 l/ha p.c. Deve-se tomar o cuidado especial de conduzir a barra de pulverização próxima às plantas, para aumentar a cobertura herbicida sobre as plantas (este é um dos detalhes mais comuns, em se tratando de falhas no controle destas de maria mole e buva).

Plantas daninhas pouco desenvolvidas de folhas largas: 2,4 D (amina) 2,5 l Herbi D-400 (400); 2,0 l Fórmula 480; 1,5 l U-46 D Fluido 720; 2,4 D (éster) 1,5 l Esteron 400; 1,5 l U-46 D Éster 400.

Plantas daninhas pouco desenvolvidas de folhas largas e gramíneas: Paraquat 1,5 l Gramoxone 200; 1,5 l Paraquat Herbitécnica 200; Paraquat + Diuron 1,5 l Gramocil 200+200; Glyfosate 1,5 l Roundup 480; 1,5 l Glifosato Nortox 480; Glyfosate + 2,4 D 1,0 l Roundup + 1,0 l Esteron 400; Glyfosate + 2,4 D 4,5 l Command 120+160.

Plantas daninhas desenvolvidas de folhas largas e gramíneas: Glyfosate 2,0 l Roundup 480; 2,0 l Glifosato Nortox 480; Glyfosate + 2,4 D 1,5 l Roundup + 1,0 l Esteron 400. (* Igualmente para Glifosato Nortox.)

Pré-emergentes — Vantagens: 1) Efeito residual no solo (período de competição); 2) Depende menos das condições climáticas para sua aplicação; 3) Normalmente são produtos pouco voláteis e sofrem pouca perda por fotodecomposição. Desvantagens: 1) Necessitam de chuva logo após a aplicação para serem ativados no solo; 2) Não controlam plantas nascidas; 3) Excesso ou falta de chuva prejudica seu desempenho; 4) É aplicado em área total (sem conhecimento do problema) — “preventivo”.

Pós-emergentes — Vantagens: 1) Uso apenas nas áreas onde o problema é presente; 2) Permite a tomada de decisão a respeito do controle; 3) Permite o controle de plantas daninhas específicas; 4) Elevada seletividade às culturas. Desvantagens: 1) Depende das condições climáticas para sua aplicação; 2) Linhas das plantas daninhas; 3) Chuva logo após a aplicação; 4) A cultura deverá fechar logo após a aplicação.

artigo técnico de José Alberto Roehe de Oliveira Velloso (CNPT-EMBRAPA). Manejo de plantas daninhas perenes em PD: 1) Guanxuma de toco (Sida rhombifolia) — controle pós-colheita Glifosate+2,4 D 1,0+1,0 l/ha p.c., ou primavera com Ally 2,0-6,0 g/ha; 2) Maria Mole (Senecio brasiliensis) e Buva (Conyza bonariensis) — controle outono/inverno com 2,4 D (maria mole até 30 cm, buva até 50 cm) ou primavera com Glifosate 2,0+2,4 D. Tabela com herbicidas/doses (Herbi D-400, Fórmula 480, U-46 D Fluido 720, Esteron 400, Gramoxone, Paraquat Herbitécnica, Gramocil, Roundup, Glifosato Nortox, Command). Vantagens vs desvantagens de pré-emergentes vs pós-emergentes.