IV ENCONTRO REUNIU LIDERANÇAS DA AMÉRICA LATINA
O IV Encontro Nacional de Plantio Direto na Palha, realizado em Cruz Alta-RS, foi um movimento tecnológico cujas ondas serão sentidas por um longo tempo e espaço. A quantidade de informações que circulou no evento, na verdade, era impossível de captar na sua totalidade. Da parcela que conseguimos, estamos apresentando algumas opiniões importantes, sobre o Encontro e sobre o momento que vive o sistema no Brasil e na América.
CARLOS CROVETTO
O produtor chileno Carlos Crovetto foi uma das ilustres personalidades internacionais ligadas ao plantio direto que estiveram em Cruz Alta, no início de março. Para ele, “Foi impressionante o êxito alcançado pelo IV Encontro. Creio que não sonhamos um encontro tão bem organizado e com tanta gente interessada no tema plantio direto. Foi um grande esforço, de muita gente. Ao mesmo tempo, ocorre uma resposta não só das empresas que promovem seus produtos relacionados ao sistema mas também dos produtores.”
Para Carlos Crovetto, que visita o Rio Grande do Sul desde 1984, está acontecendo uma mudança monumental, com uma decisão por parte dos produtores agrícolas de evitar a erosão, melhorar a fertilidade do solo e evitar os esforços desnecessários ao trabalhar com o barro, com o pó, com um sistema que já não tem nada a fazer nesta terra. Segundo ele, o que aconteceu em Cruz Alta é um exemplo para os agricultores, para os pesquisadores e universidades e para toda a humanidade.
NOVOS PROJETOS
Com um pique de trabalho invejável, Carlos Crovetto move-se em todas as direções necessárias para promover o plantio direto. Segundo informa, na Argentina já falou para cerca de 7.000 agricultores e uma das provas é a enorme superfície daquele país que está sendo semeada com plantio direto, aproximadamente 1,5 milhão de hectares em 1994. “Lá”, disse Crovetto, “também os produtores estão convencidos de que a ‘siembra directa’ é o único caminho, é a alternativa de mudança e eles jamais vão retroceder porque se deram conta que não se pode trabalhar com erosão, com infertilidade e destruição do solo. Também no México, onde já estive 4 vezes, existe uma preocupação crescente com labranza de conservación. Lá ocorre um movimento que envolve todas as entidades, desde o governo Mexicano, até o Banco do México, passando pelos produtores e pela Associação Mexicana de Labranza de Conservación.”
Em Chequém, no Chile, a propriedade de Carlos Crovetto continua com excelentes produtividades. “Em 1994 tivemos um recorde de produção em trigo, com 10.700 kg/ha, numa área de 1,5 ha. Em 35 ha, a média foi de 8.700 kg/ha. É um rendimento muito bom, que nos estimula. O milho segue aumentando seus rendimentos. Tivemos uma média de 14 toneladas/ha.”
Além de conduzir sua propriedade e fazer palestras em toda a América, Dom Carlos está trabalhando no seu segundo livro, cujo título será “Manejo dos rastrojos sobre el suelo”, onde ele disseca a importância da palha como fonte de alimento do solo. “Uma linda notícia”, finalizou ele, “é que o Governo dos Estados Unidos, através do USDA — o Departamento de Agricultura, traduziu e deverá editar o livro anterior. É muito bom saber que os Estados Unidos aceitam a tecnologia pura.”
matéria sobre o IV Encontro Nacional de PD na Palha (Cruz Alta-RS, início mar/1994). Carlos Crovetto (Chile) presente — palestra. Argentina já com 1,5 milhão ha em PD em 1994; presença em México (4 visitas, Banco do México apoia, Asociación Mexicana de Labranza de Conservación). Em Chequém-Chile produtividades recordes 1994: trigo 10.700 kg/ha em 1,5 ha, média 8.700 kg/ha em 35 ha; milho 14 t/ha. Trabalha em 2º livro 'Manejo dos rastrojos sobre el suelo'. USDA traduziu e editará livro anterior.