Trigo brasileiro precisa ser mais competitivo (XVI RENAPET, CNPT)


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Publicado em: 30/12/1994

TRIGO BRASILEIRO PRECISA SER MAIS COMPETITIVO (XVI RENAPET, CNPT)

Painelistas que palestraram na XVI Reunião Nacional de Pesquisa de Trigo (RENAPET), realizada no Centro Nacional de Pesquisa de Trigo (CNPT), afirmaram que para viabilizar a lavoura triticola brasileira é necessário torná-la mais competitiva, devido aos preços do mercado internacional.

O Coordenador de Mercados Agrícolas e Agroindustriais da Argentina, Carlos Alberto Pouiller, falou sobre o mercado internacional de trigo. Os maiores produtores são: China (18,9%), União Européia (15%), ex-URSS (13,3%) e Estados Unidos (12%). A Argentina produz em torno de 10 milhões de toneladas de trigo, em uma área de 5 milhões de hectares, com rendimento médio de 2 toneladas por hectare. Hoje, o Brasil compra 60% da produção argentina de trigo, constituindo-se o maior comprador do vizinho país. Na atual realidade do mercado internacional, a Argentina está aumentando as exportações de farinha e com o Mercosul, esses negócios devem aumentar. As tendências da formação de blocos econômicos como o GATT e o Mercosul é de aumentar a área de plantio, os rendimentos e o uso de fertilizantes. O melhoramento da qualidade industrial de trigo também torna-se necessário, através de novo estande de planta e do uso de fertilizantes na lavoura.

Para esclarecer quanto a problemas de produção de trigo no Brasil, falou o Presidente da FECOTRIGO, Rui Polidoro Pinto, relatando que a agricultura brasileira, nos últimos anos, tem enfrentado uma série de dificuldades. Nem mesmo as boas safras de 91/92, 92/93 e 93/94 ajudaram o produtor a sair do alto grau de endividamento e de descapitalização acumulados a cada safra. Os gastos efetivos no processo produtivo não conseguem obter receita suficiente para aumentar os fatores alocados à produção. Após fazer um relato histórico da triticultura nacional, Polidoro propôs um programa de recuperação da triticultura, visando recuperar a produção, a produtividade e a rentabilidade de trigo. Para alcançar esses objetivos, deve-se elevar a área plantada nas próximas três safras para 4 milhões de hectares, e a média de produtividade para 2 mil quilos por hectare.

BINÔMIO TRIGO-SOJA ACABOULuis Humberto Villwock, da CEEMA-UNIJUI, apresentou os cenários para a cultura de trigo em relação ao Mercosul. Após fazer uma síntese do mercado internacional de trigo, o palestrante traçou a evolução histórica do produto no Mercosul, principalmente com relação ao Brasil e à Argentina, maior comprador e maior produtor, respectivamente. O trigo deverá assumir um papel complementar num sistema integrado de rotação, do qual ele participará juntamente com a aveia, o azevém, a canola e outras culturas de ciclo semelhante. A era do binômio trigo/soja acabou; tanto um como o outro, isolados, já não são suficientes para garantir a rentabilidade mínima, capaz de assegurar um nível de vida satisfatório aos proprietários rurais. Para finalizar, Villwock advertiu que a crise advinda do Mercosul poderá proporcionar dois rumos distintos à triticultura nacional: ou total aniquilamento via desinteresse pelo produto e subprodutos, num acirramento de mercado, ou a superação do setor, resultante da eficiência profissional exigida, assim como da organização política conquistada. Tudo dependerá do grau de motivação que os agentes econômicos apresentarão daqui para a frente.

XVI RENAPET no CNPT. Painelistas: 1) Carlos Alberto Pouiller (Coord. Mercados AR) — maiores produtores: China 18,9% / UE 15% / ex-URSS 13,3% / EUA 12%; AR produz ~10 mi t (5 mi ha, 2 t/ha); BR compra 60% AR; 2) Rui Polidoro Pinto (Pres. FECOTRIGO) — programa recuperação: 4 mi ha + 2 mil kg/ha em 3 safras; 3) Luis Humberto Villwock (CEEMA-UNIJUÍ) 'Binômio trigo-soja acabou' — trigo papel complementar com aveia/azevém/canola; ou aniquilamento via desinteresse ou superação via eficiência.