Plantio Direto: sistema de produção ou prática de semeadura? (Editorial Dirceu N. Gassen)


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Publicado em: 30/06/1995

PLANTIO DIRETO: SISTEMA DE PRODUÇÃO OU PRÁTICA DE SEMEADURA?

O plantio direto assumiu dimensão de "revolução" no sistema de produção de grãos e na integração lavoura-pecuária, causando mudanças profundas nos agroecossistemas e na forma de pensar dos produtores e dos profissionais da agricultura.

A expressão "plantio direto" é adotada para definir a prática de semeadura ou de cultivo de plantas, sem preparo físico do solo, mantendo a palha da cultura anterior. Nos países de língua inglesa usa-se a expressão "no-till", uma abreviação de "no-tillage", que significa não arar ou não preparar o solo. No Chile, adotou-se o termo "cero labranza", baseado na experiência norteamericana. Nos demais países latinoamericanos consagrou-se a expressão "siembra directa", para definir a mesma prática.

No Brasil, o termo "plantio direto" foi consagrado em consequência de um projeto de marketing, promovido pela ICI, que desenvolveu intensa atividade na difusão dessa prática a partir da década de 70. Alguns adotam a expressão "plantio direto na palha" para destacar a importância da palha na conservação do solo. Outros dão ao plantio direto o status de "sistema" de produção agropecuário.

O termo mais adequado para definir essa prática de semeadura, baseado no conceito adotado em outros países, e de acordo com o uso correto da terminologia na língua portuguesa, é "semeadura-direta". Trata-se de uma prática de plantio que se enquadra nos diversos sistemas de produção de grãos e pastagens, facilitando, inclusive, o sistema de integração entre lavoura e pecuária.

Dirceu N. Gassen

Dirceu N. Gassen - editorial sobre terminologia. Aborda diferentes nomes (no-till EUA, cero labranza Chile, siembra directa LatAm). No BR consagrou-se 'plantio direto' devido marketing ICI desde déc.70. Argumenta termo mais adequado seria 'semeadura direta'.