Competitividade na agricultura globalizada (Tsuioshi Yamada, Potafos)


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Publicado em: 30/06/1995

COMPETITIVIDADE NA AGRICULTURA GLOBALIZADA

Tsuioshi Yamada — Diretor da Potafos — Associação Brasileira para Pesquisa da Potassa e do Fosfato

Com a globalização da economia, será mais e mais acirrada a competitividade na agricultura. Ledo engano comete o agricultor que pensar estar competindo apenas com seus colegas brasileiros. Ele está, de fato, competindo com os melhores agricultores do Corn Belt dos Estados Unidos, dos Pampas da Argentina ou dos Chernozens da Ucrânia, apenas para citar algumas regiões mais férteis do mundo.

Um recente estudo mostra que as principais vantagens competitivas dos EUA na liderança da exportação de produtos agrícolas — US$ 45 bilhões em 1994, sendo que de cada três hectares plantados um foi para exportação — estão nos abundantes recursos naturais em água e solo, nos investimentos em educação, pesquisa e extensão agrícola, investimentos em infra-estrutura viária e portuária, e na política governamental de apoio à produção e à comercialização.

Em recursos naturais, Deus foi generoso até em demasia com os EUA: além das férteis terras, com excelente clima, privilegiou-o com um extensivo sistema fluvial, cortando-o ao meio de norte a sul, proporcionando uma perfeita rede de hidrovias. Para melhorar a produtividade, o americano investiu pesadamente no ensino, na pesquisa e na extensão agrícola, com tradição que data desde meados do século passado. Ainda hoje são investidos pelos governos federal e estaduais perto de US$ 3 bilhões/ano em pesquisa e extensão, algo como quase 10 vezes o orçamento da EMBRAPA.

É principalmente contra este gigante americano que está competindo o nosso agricultor. É sempre motivo de muito orgulho verificar que, apesar de lutar contra todas as dificuldades que aqui temos — falta de crédito agrícola, falta de ensino, de pesquisa e, mais ainda, de extensão agrícola, falta de estradas, de portos — o agricultor brasileiro sobrevive, lutando, desbravando, ampliando e consolidando a fronteira agrícola deste país.

No entanto, doravante, nesta competição não basta apenas a coragem do agricultor. É fundamental que o governo também faça a sua parte e com urgência, principalmente na ampliação e reforma da rede viária, na modernização dos portos e mais, na abertura de uma saída para o Pacífico. O grande mercado futuro para a produção agrícola brasileira (e do mundo) será, certamente, os países afluentes do Sudeste Asiático, a China e o Japão, tão populosos e tão pobres em terra para plantar. Tenho, pois, a convicção que, havendo uma firme vontade política, até mesmo os EUA terão dificuldade, em futuro breve, de competir com o Brasil na produção de alimentos.

Tsuioshi Yamada (Diretor Potafos). Globalização exige competir com Corn Belt EUA, Pampas, Chernozens Ucrânia. EUA exportou US$45 bi em 1994 (1/3 área plantada). Governo americano investe US$3 bi/ano pesquisa+extensão (~10x EMBRAPA). Brasil precisa saída para Pacífico; mercado futuro será Sudeste Asiático, China, Japão.