CULTIVO DE PRIMAVERA — ALTERNATIVA PARA A PRODUÇÃO DE PALHA NO MATO GROSSO DO SUL
Salton, J.C., Eng. Agro., (M.Sc.), Fundação MS; Pitol, C., Eng. Agro., Fundação MS; Erbes, E., Téc. Agrícola, Fundação MS.
INTRODUÇÃO
O requisito básico para implantação e manutenção do sistema de plantio direto é ter disponível adequada quantidade de palha, mantendo permanente cobertura da superfície do solo. Desta forma o sistema manifestará plenamente seus efeitos, tais como: redução das temperaturas máximas do solo, manutenção de maior teor de umidade do solo, menores taxas de evaporação, redução da infestação de ervas daninhas e menores perdas de solo por erosão.
Nas condições ambientais da região centro-sul do Mato Grosso do Sul, a produção de massa vegetal não se constitui problema. No entanto, a manutenção da quantidade ideal de palha sobre o solo durante todo o ano é problemática devido às altas taxas de decomposição de material orgânico, beneficiada por elevadas temperaturas e umidade atmosférica. Nesse sentido, o cultivo de espécies de inverno para produção de matéria seca tem sido utilizado, destacando-se a aveia preta (4 a 5 t/ha massa seca), nabo forrageiro (4,2 t/ha), ervilhaca peluda (5,0 t/ha) e chícharo (4,2 t/ha).
A pesquisa indica que, mesmo com sucessões como soja-trigo, aveia preta ou milho-soja, ao final de 36 meses a palha existente no sistema, em termos médios, ficava abaixo da quantidade de 5 t/ha estabelecida como mínima. Há portanto necessidade de suplementar a quantidade de palha sobre o solo. Esta suplementação pode ser obtida com o denominado cultivo de primavera, que consiste na ocupação de parte das áreas agrícolas entre a colheita das culturas de inverno (segunda quinzena de agosto) e o plantio das culturas de verão (outubro a meados de dezembro).
METODOLOGIA
O experimento foi instalado no núcleo experimental da Fundação MS, em Maracaju. O solo foi classificado como Latossolo Roxo distrófico, textura argilosa, com pH em água 6,5; Al 0,0 meq; P 5,1 ppm; K 80 ppm; Ca 9,7 meq; Mg 2,6 meq e M.O. 3,1%. No dia 9 de setembro de 1992 efetuou-se a semeadura das seguintes espécies: mucuna preta (Mucuna aterrima), aveia preta (Avena sativa), crotalária juncea (Crotalaria juncea), guandu, milheto, sorgo (Sorghum bicolor), niger, feijão de cunhã (Clitoria ternatea) e teosinto (Euchlaena mexicana). Parcelas de 3 × 4 m com 3 repetições. Foi avaliada a porcentagem de cobertura do solo pelas plantas, em amostragens semanais.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
No período compreendido entre o 30º e o 40º dia após a semeadura houve elevada taxa de crescimento da cobertura do solo. Essa taxa é semelhante entre as espécies estudadas, com exceção da aveia, cujo período da primavera não é favorável ao seu desenvolvimento vegetativo. Exceto aveia, as demais espécies demonstraram ser eficientes para proporcionar rápida cobertura do solo, atingindo o nível de 80% em torno de 40 dias após a semeadura. O melhor desempenho em termos de cobertura da superfície do solo foi apresentado pelo teosinto.
Aos 57 dias (início da floração), o milheto apresentou mais de 6 t/ha de palha, valor elevado para as condições do estudo (112 kg/ha/dia). Outras espécies como o sorgo, teosinto e crotalária também tiveram bom desempenho, com produções superiores a 3 t/ha. Na segunda avaliação aos 72 dias, destacou-se a crotalária, que atingiu o valor de 7,6 t/ha. Tais resultados permitem ao agricultor planejar um sistema de culturas para sua área, utilizando as gramíneas (teosinto, milheto e sorgo) para produção de palha antecedendo a soja, e uma leguminosa antecedendo o milho, como a crotalária.
Salton J.C. (Eng. Agro., M.Sc., Fundação MS); Pitol C. (Eng. Agro., Fundação MS); Erbes E. (Téc. Agrícola, Fundação MS). Cobre p6+p7. Cobertura solo PD em MS apresenta problema de decomposição rápida. Cultivos primavera (entre culturas inverno e verão) com nabo, ervilhaca peluda, chícharo, sorgo, niger, feijão de cunhã (Clitoria ternatea), teosinto, milheto, crotalária. Experimento Maracaju 9/set/1992 em Latossolo Roxo distrófico. Milheto 6 t/ha aos 57 dias. Crotalária 7,6 t/ha aos 72 dias. Permite planejar gramíneas (teosinto/milheto/sorgo) antecedendo soja e leguminosa (crotalária) antecedendo milho.