PLANTIO DIRETO É BEM ACEITO POR PEQUENO PRODUTOR NO PARANÁ
O programa de semeadura direta em pequenas propriedades está sendo estudado por pesquisadores do Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR) desde 1985, quando foi desenvolvida a Gralha Azul — uma semeadora-adubadora direta a tração animal. Há dois anos, o IAPAR promoveu a integração da pesquisa com a extensão rural e com pequenos produtores através do projeto Plantio Direto na Pequena Propriedade. Sob a coordenação do engenheiro agrônomo Moacir Darolt, foram implantadas as UTVs (Unidades Técnicas de Validação) nas propriedades, respeitando as condições sócio econômicas e recursos naturais disponíveis. Foram 31 unidades implantadas. A extensão rural da EMATER-PARANÁ, em parceria com o IAPAR, FEBRAPDP e Secretaria da Agricultura e Abastecimento, são responsáveis pela difusão de tecnologias desenvolvidas pela pesquisa junto aos produtores.
No final da safra 94/95, foram visitadas algumas unidades na região centro sul do Paraná, onde constatou-se que o plantio direto é a melhor alternativa para a pequena propriedade. Para Adão Edson Samaroski, do município de Imbituva, o plantio direto com tração animal ajuda no aumento da produtividade, protege o solo e diminui a mão-de-obra. "Quem começa com plantio direto não quer mais voltar ao convencional", disse Sebastião Nelson Andrade, residente no município de Rebouças.
BOA PRODUTIVIDADE NA CULTURA DO FEIJÃO
O agricultor Sebastião Nelson Andrade colheu 433 quilos de feijão (limpo e seco) numa área de 1.500 metros quadrados, o que corresponde a 2.886 quilos por hectare ou 116 sacos (60 kg) por alqueire, uma média dificilmente conseguida no plantio convencional. No ano passado, primeiro ano de experiência, Sebastião conseguiu uma produtividade de 75 sacos por alqueire no sistema convencional e 91 sacos por alqueire no plantio direto. Como toda a área foi calcariada, Andrade pretende ampliar o plantio direto para 10 hectares nesta safra.
Resultado semelhante foi conseguido por Miguel Helpa, pequeno produtor rural do município de Rio Azul, que conseguiu colher 434 quilos de feijão em 1.500 metros quadrados de área, correspondendo também a 116 sacos por alqueire, no ano passado. "Este ano a produtividade vai ser melhor ainda", assegura.
Reportagem IAPAR (Ponta Grossa) coordenado Moacir Darolt. 31 UTVs (Unidades Técnicas de Validação) em pequenas propriedades. Parceria IAPAR + EMATER-PARANÁ + FEBRAPDP + Secretaria Agricultura PR. Casos: Sebastião Nelson Andrade (Rebouças) - feijão 116 sc/alq PD vs 75 sc convencional; 433 kg em 1.500 m² (2.886 kg/ha). Miguel Helpa (Rio Azul) 434 kg em 1.500 m². Adão Edson Samaroski (Imbituva). Andrade ampliará para 10 ha esta safra.