Temos que ser rápidos na busca de informação — Antonio Sartori (Brassoja)


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Publicado em: 31/12/1995

TEMOS QUE SER RÁPIDOS NA BUSCA DE INFORMAÇÃO — ANTONIO SARTORI (BRASSOJA)

"De agora em diante, o mais rápido vai vencer o mais lerdo e não o maior vencer o menor. Hoje, precisamos estar muito rápidos na busca de informações e o que interessa são as perspectivas do futuro e, sem dúvida, no momento, as perspectivas da agricultura são muito boas". As afirmações são do consultor de mercado Antonio Sartori, da Empresa Brassoja, de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Sartori atua há 20 anos no mercado agrícola, nacional e internacional, trabalhando na importação e exportação de commodities agrícolas, com ligação direta com Chicago e as principais bolsas de mercadorias de cereais do mundo.

JPD — Quais são os números atuais no mercado internacional de soja?

Antonio Sartori — Os Estados Unidos, principal produtor mundial, colheram 69 milhões de toneladas no ano passado. Em 1995 não deverão passar de 60 milhões de toneladas. O Brasil colheu 25,5 milhões de toneladas na safra passada e as projeções de área plantada para 95/96 não permitem estimar mais de 21 milhões de toneladas. Nunca na história, valendo para outros grãos, o consumo foi tão grande para uma produção tão pequena e isso gera uma excelente perspectiva para os preços a níveis internacionais. Eu acredito que o ciclo da soja não acabou.

JPD — E a situação da agricultura brasileira, como você analisa?

Sartori — Podemos dizer que o quadro a nível mundial é dramaticamente bom e que no Brasil o quadro é dramaticamente preocupante. O governo está preocupado em trazer a inflação de 50 para 0, porém ao custo da total desestruturação da atividade produtiva e do setor exportador. Isso vai trazer, num segundo momento, preços mais altos, inflação e problemas muito sérios para a economia brasileira.

JPD — Já existe uma projeção da quebra de área plantada no Brasil?

Sartori — Já temos um consenso de que a diminuição de área em todo o país não deverá ser menor que 15%. Está prevista uma perda de produtividade também em torno de 15% pelo não uso de insumos e tecnologia. Se tivermos uma quebra de 30% em relação à colheita deste ano, será catastrófico para a economia nacional. Veja o caso do trigo: não colheremos mais de um milhão de toneladas, quando nosso consumo é de 8 milhões de toneladas. E o preço continua subindo no mercado internacional. A Argentina tinha projeção de colher 11 milhões e não vai colher 8. Em março, os argentinos vendiam trigo a 120 dólares a tonelada, hoje está a 260 dólares.

JPD — Qual a recomendação para os produtores?

Sartori — Temos que ser rápidos na busca de informação. O quadro mundial hoje é de um forte aumento de consumo, sem que haja uma contrapartida de área plantada e aumento significativo de produtividade. A área agrícola plantada hoje no mundo é muito pequena. O Brasil ocupa uma posição privilegiada porque ainda não usa 10% da área disponível. Em 1996 o mundo não terá estoques para 40 dias. Em 1986, os estoques davam para 105 dias. A população da Terra é de 5,6 bilhões de pessoas e a grande parcela, que são os povos asiáticos, começaram a comer.

Entrevista Antonio Sartori (Brassoja Porto Alegre, +20 anos mercado agrícola+ligação Chicago). Visão otimista: ciclo da soja não acabou (consumo grande para produção pequena). EUA colheram 69 mi t 94/95, em 95/96 não passarão de 60 mi t. Brasil 25,5 mi → projeção 21 mi 95/96. Quebra área plantada BR -15%, produtividade -15% (não uso insumos). Trigo BR colhe 1 mi t/consome 8 mi t. Argentina projeção 11 mi t → 8 mi t (preço subiu de US$120 para US$260/t). Em 1996 mundo não terá estoques para 40 dias (1986: 105 dias). População 5,6 bi.