MANEJO INTEGRADO É EFICIENTE NO CONTROLE DE PLANTAS DANINHAS
Eng. Agr. Mário Bianchi — Fundacep
A interferência das plantas daninhas nas culturas de interesse comercial se dá devido competição por água, luz, CO&sub2; e nutrientes e também pelo efeito alelopático, reduzindo a produção e a qualidade do produto colhido. Estima-se que estas reduções na produção das culturas no Brasil sejam da ordem de 20 a 30%, podendo chegar a até 90% em casos extremos.
A Fundacep-Fecotrigo, em conjunto com cooperativas e empresas privadas, no ano agrícola 1994/95, coordenou o programa de Difusão do Manejo Integrado de Plantas Daninhas na soja (MIPD), abrangendo a maior parte da região produtora do estado do Rio Grande do Sul. O MIPD na cultura da soja, no seu terceiro ano de execução, foi conduzido por 21 cooperativas filiadas à Fundacep-Fecotrigo em 31 áreas demonstrativas, abrangendo 28 municípios. Empresas patrocinadoras: AgrEvo, Basf, DowElanco, DuPont e Zeneca.
As plantas daninhas com maior frequência foram: picão preto (77%), leiteiro (74%), papuã (62%), guanxuma (52%), milhã (45%), corriola (36%). Para as mesmas situações, os produtores gastaram em média 0,63 kg/ha de ingrediente ativo de herbicidas contra 0,25 kg/ha de ingrediente ativo das áreas controladas pelo MIPD, permitindo uma redução de 0,42 kg/ha de ingrediente ativo. A totalidade das aplicações foi realizada com umidade relativa do ar maior que 60%, o volume de calda entre 40 e 100 l/ha atingiu 77% das áreas, e em 74% a pressão do pulverizador foi de 15 a 20 lbs/pol².
O nível de controle de papuã, em média, foi 5 (85 a 95%) nas áreas manejadas e 4 (80 a 85%) nas áreas testemunhas. O controle de picão preto, leiteiro, abrótilo e caruru foi igual a 5 e o de guanxuma 3 (75 a 80%) em ambas as áreas. Não ocorreu alteração significativa no rendimento médio de grãos entre as áreas manejadas (2.682 kg/ha) e as áreas testemunha (2.640 kg/ha). O MIPD proporcionou uma economia média de R$ 15,6/ha no custo de controle de plantas daninhas, reduzindo o custo médio do produtor de R$ 37,4/ha para R$ 21,8/ha.
CUSTOS DO CONTROLE NAS ÁREAS DEMONSTRATIVAS
O MIPD propiciou economia na maioria das áreas demonstrativas. O custo médio de controle de plantas daninhas foi reduzido em R$ 13,10/ha, ou seja, 31% (de R$ 41,8/ha em área testemunha para R$ 28,7/ha em área manejada). Ao longo de três anos (1992/93, 1993/94, 1994/95), os custos das áreas manejadas foram sempre menores que o das testemunhas, proporcionando economia de R$ 19,9/ha, R$ 14,0/ha e R$ 13,1/ha respectivamente.
Eng. Agr. Mário Bianchi (Fundacep). Programa MIPD na soja safra 94/95 RS, 3º ano. 21 cooperativas Fundacep-Fecotrigo, 31 áreas demonstrativas, 28 municípios. Patrocínio: AgrEvo, Basf, DowElanco, DuPont, Zeneca. Plantas daninhas frequentes: picão preto 77%, leiteiro 74%, papuã 62%, guanxuma 52%, milhã 45%, corriola 36%. Áreas controladas pelo MIPD: 0,25 kg/ha ingrediente ativo vs 0,63 kg/ha produtor (redução 0,42 kg/ha). Custo médio reduzido de R$41,80 para R$28,70 (redução R$13,10/ha = 31%). 3 anos consolidados: economia média R$15,60/ha. Rendimento de grãos similar entre áreas manejadas (2.682 kg/ha) e testemunha (2.640 kg/ha).