PLANTIO DIRETO EM ARROZ IRRIGADO — RESUMO HISTÓRICO
Eng. Agr. Ivo Mello — Fazenda Cerro do Tigre, Alegrete-RS. Conselheiro do Clube do Plantio Direto de Arroz Irrigado.
A lavoura de arroz irrigado do Rio Grande do Sul nasceu e se desenvolveu até sua maturidade em terras baixas (várzeas). A necessidade de inundação e a pouca tecnologia disponível no início do século restringiram as fronteiras da lavoura às margens de rios, lagos e sangas. Recentemente, com a tecnologia de construção de barragens, a distribuição da energia elétrica e o desenvolvimento da tecnologia de recalque de água, a lavoura subiu a coxilha ocupando espaços da pecuária de corte extensiva.
A nível de produtor, as primeiras experiências relatadas em plantio direto de arroz irrigado datam de 1964 no município de Pedro Osório. Em 1965, o Instituto Riograndense do Arroz realizou trabalhos experimentais em Arroio Grande e Jaguarão, com resultados em torno de 2.000 kg/ha (controle de plantas daninhas determinante da baixa produtividade). Na safra 79/80, a EMBRAPA-UEPAE de Pelotas realizou experimento de semeadura direta de arroz com aplicação de dessecante, com resultados semelhantes ao convencional mas com redução no custo de produção.
O sistema de semeadura direta com cultivo mínimo passou a ter expressão em solos de várzea do RS a partir do início da década de oitenta, quando foi adotado na cultura do arroz irrigado pelo produtor Eurico Faria Dorneles, no município de Alegrete, culminando com a criação do Clube do Plantio Direto com Cultivo Mínimo de Arroz Irrigado, em março de 1985, num dia de campo na Fazenda Cerro do Tigre. Atualmente, no RS, o arroz irrigado ocupa área de 950 mil ha. Destes, na safra 93/94, calcula-se que 240 mil ha utilizaram algum tipo de dessecante, caracterizando alguma forma de cultivo mínimo e/ou plantio direto — cerca de 25% da área.
POR QUE UTILIZAR O PLANTIO DIRETO DE ARROZ IRRIGADO?
Cronologicamente, o primeiro motivo foi o arroz vermelho. Invasora amplamente distribuída nas áreas de cultivo de arroz irrigado da região centro-sul do Brasil. A espécie é a mesma do arroz cultivado — Oryza sativa L. — por isto, nenhum herbicida é seletivo para controlar estas invasoras. As variedades modernas, de alto potencial produtivo e ciclo médio (BR IRGA 409 e 410), no final da década de setenta, propiciaram maiores rendimentos. Porém, pela falta de controle maior na qualidade da semente utilizada, ocorreu uma distribuição cosmopolita do arroz daninho ao longo dos últimos 15 anos.
Como exemplo prático, cito as contagens de sementes de arroz vermelho e preto realizadas num talhão de lavoura na Fazenda Cerro do Tigre. Em setembro de 1987 esta contagem chegou a 3.034 grãos de arroz vermelho por metro quadrado numa profundidade de 7 cm. Na última safra de cultivo neste talhão (85/86), antes da contagem, a colheita foi de 3.500 kg/ha. Após sete anos de manejo com plantio direto e/ou cultivo mínimo de arroz, integrado com pastagens de inverno, fazendo nova contagem chegamos a 44 grãos de arroz por metro quadrado. Em 93, a colheita neste talhão alcançou 6.200 kg/ha. Ao diminuirmos em 98,5% a quantidade de sementes de arroz daninho no solo, aumentamos em 77% a produtividade.
VANTAGENS
Outro grande motivo para a adoção do sistema foi a "racionalização da infra-estrutura". As várzeas têm características físicas particulares: dificuldade de drenagem interna do solo, devido à composição mineralógica e baixa declividade. A época ideal de semeadura do arroz no RS estende-se do final de setembro a final de novembro. Com adopção do PD com cultivo mínimo há possibilidade de redução do maquinário. O Professor Paulo Rigatto da UFPEL comprovou que a adoção do PD aumentou em mais de 200% o rendimento líquido de um empreendimento arrozeiro no sul do estado.
Trecho extraído da palestra proferida no III Congresso Interamericano de Siembra Directa em Cordoba - Argentina - Agosto/Setembro de 1994.
ENCARTE ESPECIAL ARROZ IRRIGADO. Eng. Agr. Ivo Mello (Faz. Cerro do Tigre Alegrete-RS, conselheiro Clube PD Arroz Irrigado). Histórico PD arroz irrigado RS. Primeiras experiências 1964 Pedro Osório. IRGA 1965 Arroio Grande/Jaguarão (2.000 kg/ha). EMBRAPA-UEPAE Pelotas 79/80 semeadura direta dessecante. Expressão a partir início anos 80 (Eurico Faria Dorneles Alegrete). Clube criado mar/1985 Cerro do Tigre. RS arroz irrigado: 950 mil ha total, 240 mil ha safra 93/94 (25%) PD/cultivo mínimo. Motivo: arroz vermelho/preto (Oryza sativa L.). Cerro do Tigre: 3.034 grãos arroz vermelho/m² 1987 → 44 grãos 1993; colheita 3.500 kg/ha → 6.200 kg/ha. Trecho extraído III Congresso Interamericano Siembra Directa Córdoba ago-set/1994.