Editorial — Mercado Internacional de Grãos


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Publicado em: 30/04/1996

MERCADO INTERNACIONAL DE GRÃOS

Editorial — Gilberto Borges (Diretor)

Não se trata de nenhuma análise macro econômica sobre essa disparidade de informações que, a cada dia, se chocam e fazem disparar preços e agitar corações e mentes dos produtores e dos mecanismos que se alimentam da produção primária em todo o mundo.

Em pouco tempo, para o nosso raciocínio, uma série de fatores se somou e inverteu o quadro de perspectivas que tínhamos para a agricultura brasileira. Claro que, basicamente, fatores externos porque, internamente, ainda estamos engessados por uma relação fraterna negativa com os instrumentos de poder e crédito, do que muitos produtores não conseguiram e não conseguirão se liberar. Alguns pagaram esse tributo com a própria vida.

Os dados estão claros nos principais informativos: o estoque internacional de grãos atingiu um patamar incomparável no pós-guerra. Sobre isso, soma-se a quebra de safra por causas climáticas e outros fatores tanto na América Latina (Brasil e Argentina, principalmente) como nas planícies americanas, onde uma seca de 4 meses ajuda a aquecer diariamente a Bolsa de Chicago. Outro fator de combustão, em termos macro, é a história do mal da vaca louca, encefalite espongiforme dos bovinos (BSE), que altera o consumo de carnes na Europa e a demanda por milho. Este cereal, na semana de 8 a 12 de abril, bateu os recordes de preço dos 119 anos da Bolsa de Chicago.

A alteração na Lei Agrícola (Farm Bill) dos Estados Unidos também entra como um fator a mais nesse quadro acelerado. As áreas de conservação, pelas quais o governo americano pagava aos produtores para que não plantassem, estão liberadas, na sua grande parte, o que poderá incorporar uma área de 4 milhões de hectares. Nas circunstâncias atuais, segundo previsões do USDA, no começo de abril, a tendência dos produtores é pelo milho, que poderá alcançar uma área de 35 milhões de hectares nos Estados Unidos em 96.

A síntese de alguns especialistas é que chegou a nossa vez. Os otimistas dizem que os estoques mundiais não serão recompostos antes de 5 anos. Os mais céticos dizem que teremos preços favoráveis durante, pelo menos, dois anos.

Mas é preciso que nosso corpo produtivo aprenda com o rigor que tivemos até agora e faça uma agricultura programada tecnicamente, em todos os seus itens, desde o planejamento até a venda da produção. Queiramos ou não, o mundo está cada dia mais competitivo e os nossos concorrentes já andam de Mercedes há muito tempo. Se nós acharmos que o nosso fusquinha usado está de bom tamanho, seremos atropelados sempre, ou ficamos na poeira.

Para nós, o básico para manter a competitividade é fazer plantio direto, cujos benefícios na manutenção dos recursos solo e água, com aumento de fertilidade e redução de custos, ao longo do tempo, são inquestionáveis.

Revista Plantio Direto — Revista nº 32 — Março/Abril de 1996. Aldeia Norte Editora Ltda. (Passo Fundo-RS). Jornalista responsável: Ivaldino Tasca. Impressão: Gráfica Editora Pe. Berthier. Colaboraram nesta edição: Emerson Urizzi Cervi e José Henrique Marques.

Editorial Gilberto Borges (Diretor). Estoques internacionais de grãos no patamar mais baixo do pós-guerra. Quebra safra clima Brasil/Argentina/EUA (planícies americanas 4 meses seca). Mal da vaca louca (BSE) na Europa altera consumo carnes e demanda milho. Milho semana 8-12/abr bate recordes 119 anos Bolsa Chicago. Alteração Farm Bill USA libera 4 mi ha conservação; USDA prevê 35 mi ha milho USA 1996. Otimistas: estoques mundiais não se recompõem em 5 anos. Céticos: preços favoráveis por pelo menos 2 anos. Editor reforça: corpo produtivo BR precisa fazer agricultura programada tecnicamente, plantio direto é base.