CAMPOS GERAIS
URUGUAI TOMA PARANÁ COMO EXEMPLO NA CONSERVAÇÃO DOS SOLOS E PLANTIO DIRETO
Responsáveis pelo programa de microbacias do Uruguai estiveram no Brasil para conhecer as técnicas conservacionistas do Paraná e Santa Catarina, entre elas o Plantio Direto na Pequena Propriedade.
Como prova de que o Plantio Direto desenvolvido em algumas regiões do Brasil é um dos mais avançados do mundo, uma delegação de funcionários do Ministério da Agricultura, Pecuária e Pesca do Uruguai esteve conhecendo esta técnica no município de Ponta Grossa. A visita aconteceu no final de novembro e, além dos Campos Gerais, eles também visitaram regiões do sul do Paraná e norte de Santa Catarina. Os uruguaios estavam interessados em ver os sistemas de conservação de solo utilizados nestas áreas — microbacias e Plantio Direto.
Estes técnicos são responsáveis pelo projeto piloto para uma agricultura sustentável em seu país. A delegação era composta por 18 pessoas, duas da direção de solos e águas e 16 do programa Piloto de Microcuencas (microbacias). Em Ponta Grossa a delegação foi recepcionada pelo Presidente da Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha, Manoel Henrique Pereira; pelo chefe do núcleo regional da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento, Laertes Bianchessi; e pelo coordenador do Pólo Regional do Instituto Agronômico do Paraná — IAPAR — Bady Curi.
O chefe do grupo de uruguaios, engenheiro agrônomo Juan Carlos Jorge Hiriart, disse que o governo de seu país pretende criar um projeto parecido com o Paraná Rural, que apoia o desenvolvimento econômico do homem do campo sem se esquecer da conservação dos recursos naturais. Jorge Hiriart afirma que é importante conhecer os pontos positivos e negativos do Paraná Rural, para saber o que dispensar na hora de adaptá-lo às condições do Uruguai.
O projeto piloto uruguaio será instalado a princípio em quatro microbacias de Santa Luzia, região sul. Esta será a primeira ação, de âmbito nacional, do Ministério da Agricultura do Uruguai para combater a erosão e outros problemas ambientais, informou o agrônomo. Jorge Hiriart acredita que um programa conservacionista que modifique os sistemas de produção só é viável quando rende benefícios econômicos para os agricultores, caso contrário eles não o adotam.
PLANTIO DIRETO
Iniciado há apenas cinco anos, o Plantio Direto ainda é pouco comum entre os agricultores uruguaios. Como necessita de máquinas grandes e adaptadas, apenas produtores com áreas de cultivo acima de 500 hectares já adotam esta técnica em larga escala. As maiores áreas de Plantio Direto do Uruguai encontram-se principalmente no norte do país. Segundo Jorge Hiriart, uma das intenções do projeto piloto das microbacias é levar esta nova tecnologia para as pequenas propriedades, mais numerosas no sul do Uruguai.
Por isso, durante a visita ao Brasil, os técnicos conheceram as instalações do polo regional do IAPAR, em Ponta Grossa. Este polo é responsável pelo programa Plantio Direto na Pequena Propriedade, que desde 1993 vem desenvolvendo e testando máquinas e implementos de tração animal ou manual adaptadas ao trabalho sobre palhadas e coberturas verdes. A utilização destes implementos é indicada para propriedades com até 20 hectares.
A prova de que o Plantio Direto em pequenas áreas é viável está no aumento do número de máquinas de tração animal vendidas no sul do Brasil desde o início do programa. Em 1993 havia apenas 30 implementos distribuídos em uma dúzia de propriedades. Hoje são mais de 300 produtores que utilizam mil máquinas em mais de 10 mil hectares de área. O número de fábricas destes implementos também aumentou: em 1993 eram duas, hoje são mais de uma dezena. A maioria das novas máquinas desenvolvidas é testada no pólo do IAPAR, em Ponta Grossa, antes de passar para a comercialização efetiva.
Segundo o engenheiro agrônomo Juan Carlos Jorge Hiriart, o governo uruguaio tem muito interesse no desenvolvimento deste tipo de implemento, o que dará condições para a adoção do Plantio Direto em todas as regiões do país. Em Santa Luzia, onde grande parte dos agricultores são pequenos proprietários de terras, dois fatores fazem com que seja necessária a adoção do Plantio Direto. O primeiro é econômico, pois a região que já foi a maior produtora de grãos do Uruguai apresenta uma queda acentuada nos seus níveis de produtividade. Isto se deve à má utilização do solo e aos efeitos da erosão.
Segundo Jorge Hiriart, em Santa Luzia os solos são semiprofundos, com boa fertilidade original que hoje já está perdida e um perfil B textural muito forte. Estas características são as que mais beneficiam a ocorrência de erosão em solos desprotegidos. Como a infiltração é lenta depois de certa profundidade, a tendência é que a água escorra durante as chuvas mais fortes. O outro fator é ecológico, pois nesta região ficam as nascentes dos principais rios que abastecem Montevidéo, capital do Uruguai. Com a erosão das áreas agrícolas, junto com a terra são levados resíduos de produtos químicos para os mananciais.
CONHECENDO PROPRIEDADES
Ainda em Ponta Grossa, a delegação visitou a Fazenda Nhá Zinha, de Roberto Buhrer, onde são cultivados anualmente 500 hectares sob Plantio Direto. Além de utilizar este sistema há 18 anos, Roberto faz a integração agricultura-pecuária através da utilização de áreas com aveia e azevém para pastoreio durante o inverno. Depois, as forrageiras viram palhada para as culturas de milho e soja. Na Fazenda Nhá Zinha, os uruguaios puderam acompanhar o plantio de soja e ver as plantas já germinadas em áreas diferentes. As maiores dúvidas dos técnicos estrangeiros eram quanto ao manejo de invasoras através de produtos químicos. Eles se preocupavam com os excessivos gastos em herbicidas que poderiam inviabilizar a técnica. A produtividade da Fazenda chamou a atenção dos uruguaios: na última safra foram produzidos 3.300 kg/ha de soja e 7.500 kg/ha de milho, o que é um bom argumento para convencer os agricultores do Uruguai a utilizarem a nova tecnologia.
Notícia. Delegação 18 pessoas Ministério Agricultura, Pecuária e Pesca do Uruguai (2 da direção solos+águas, 16 do Programa Piloto de Microcuencas) visita Brasil fim novembro/1995. Recepcionados em Ponta Grossa: Manoel Henrique Pereira (Pres. FBPDP), Laertes Bianchessi (SEAB-PR), Bady Curi (IAPAR). Chefe delegação: eng.agr. Juan Carlos Jorge Hiriart. Projeto piloto uruguaio: 4 microbacias de Santa Luzia (sul Uruguai), inspirado no Paraná Rural. PD no Uruguai (iniciado há 5 anos): áreas +500ha, principalmente norte. PDPP (Plantio Direto Pequena Propriedade IAPAR desde 1993): aumento 1993 30 implementos/12 prop → hoje 300 produtores/1000 máquinas/+10 mil ha; fábricas 2→12+. Visita Fazenda Nhá Zinha (Roberto Buhrer Ponta Grossa, 500ha PD há 18 anos, integração lavoura-pecuária, aveia+azevém pastoreio inverno → milho+soja; última safra: 3.300 kg/ha soja, 7.500 kg/ha milho).